Ataque da Polícia Militar de São Paulo deixa dois mortos e cinco feridos na Zona Sul da cidade

Na manhã do dia 14 de março, sábado, policiais militares assassinaram duas pessoas e balearam pelo menos mais 5 no bairro do Capão Redondo, em mais um episódio da escalada de violência genocida e bárbara contra o povo pobre e preto no estado de São Paulo.

Os dois homens mortos eram Francisco Fontenele, pedreiro de 56 anos e Kauã Lima, de 22 anos. Franciso estava a caminho do trabalho quando foi executado. Uma familiar sua bradou com ódio ao monopólio de imprensa O Globo: “eu quero uma resposta do que aconteceu com meu pai. Eu quero o nome do meu pai limpo. Eu quero o nome do policial que matou o meu pai, porque ele assassinou o meu pai… eu quero ele preso”. Também há denúncias de parentes de que os policiais os impediram de chegar até o corpo para prestar socorro ao seu familiar enquanto ele agonizava no chão, modalidade de tortura física e psicológica muito praticada pela Polícia Militar (PM) paulista.

Segundo a versão “oficial” da Secretaria de Segurança Pública (SSP) os policiais estariam patrulhando a Rua Póvoa de Varzim, no Jardim Macedônia, quando teriam sido alvos de disparos de armas de fogo ao se aproximar de um baile funk, momento em que teriam “revidado”. Entretanto, testemunhas e fatos contradizem a versão.

Na ocasião, nenhum PM foi ferido, e foi denunciado por testemunhas à imprensa que os policiais teriam atirado indiscriminadamente com fuzis contra as massas, caracterizando uma tentativa de massacre.

Também chama a atenção que a Polícia Militar utilize o pretexto de que estaria acontecendo um “pancadão” na região quando eles executaram os dois homens, isto não é por acaso. Há uma operação genocida da PM em São Paulo chamada “Operação Pancadão” que criminaliza o acesso ao lazer em especial da juventude pobre, preta e moradora de favela nas periferias da capital: bailes funk, mas também shows de forró, rodas de samba, celebrações coletivas e encontros de jovens, todos são alvos de operações que visam reforçar a opressão constante contra os jovens do povo.

Muitas vezes estas “operações” – na verdade massacres e sessões de tortura ao ar livre – acabam em execuções sumárias e terrorismo em massa. O caso mais emblemático é do chamado “Massacre de Paraisópolis” ou “Massacre do baile da Dz7”, ocorrido também na Zona Sul da capital em 1 de dezembro de 2019, na favela de Paraisópolis.

Naquela ocasião, a PM montou uma verdadeira armadilha coletiva contra os jovens que frequentavam a festa, cercou o perímetro do baile da Dz7, um dos maiores da cidade, e começou a atirar bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogênio e inclusive bombas caseiras de morteiro proibidas por lei.

Encurralaram as massas em becos e fizeram com que morressem espremidas e asfixiadas nume cena macabra que remete a Auschwitz ou às barbaridades cometidas por ‘isarel’ contra as massas palestinas. Neste massacre, 9 jovens foram vitimados.

Mais informações podem ser encontradas no site oficial do Movimento ‘Os 9 Que Perdemos”, composto por familiares das vítimas desta chacina que continuam lutando por justiça enquanto o velho Estado tenta silenciá-los de forma intimidatória e os PMs assassinos e mandantes do massacre seguem impunes.

Se somando ao quadro geral de impunidade completa dos fascistas da Polícia Militar no Estado de São Paulo (padrão que se repete em todo o país), em janeiro do presente ano foram inocentados pela falsa “justiça” burguesa e latifundiária os dois PMs responsáveis pela execução de Gabriel Junior Oliveira Alves da Silva, jovem de 22 anos baleado na nuca enquanto tentava defender sua esposa grávida de 8 meses de uma abordagem violenta.

Ao final da sessão de sadismo, enquanto Gabriel sangrava no chão, os policiais assassinos prenderam sua esposa grávida dentro do porta-malas da viatura. Ambos os policiais responsáveis por este crime foram soltos do presídio militar Romão Gomes no dia 17 de dezembro de 2025 e foram autorizados a voltarem a trabalhar na corporação.

Ainda na Zona Sul de São Paulo, no em 16/03 (domingo), um Guarda Civil Municipal (GCM) matou um jovem e baleou outro, também no bairro do Capão Redondo. Este fato se insere num contexto de crescente e abominável militarização reacionária da GCM da capital paulista, tendo sido recriada pela prefeitura em janeiro de 2026 a ROMU (Rondas Ostensivas Municipais), “força especial” da GCM paulistana que havia sido extinta devido à sua escandalosa e brutal violência contra as massas populares. No período em que a ROMU deixou de existir em São Paulo, tropas com a mesma doutrina e nome foram criadas em diversas cidades da região metropolitana – como Osasco, Jandira, Diadema, Tabão da Serra e outras. Por todas as partes a ROMU é conhecida pela população como assassinos sumários e torturadores.

Importante jogar luz ainda ao fato de que a Zona Sul de São Paulo é uma região com histórico alarmante de violência policial. Na década de 90 do século passado, o bairro do Jardim Ângela na Zona Sul era o local com a maior taxa de homicídios registrada no mundo inteiro, superando zonas de guerra declarada. A região composta pelos bairros do Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim Lídia era muito conhecida como Triângulo da Morte.

São todos fatos que apontam para a crescente vertiginosa da reacionarização sem precedentes das chamadas “Forças de Segurança” fascistas em São Paulo, como reflexo da situação mais grave nacionalmente de guerra civil reacionária e genocida das classes dominantes contra as massas pretas e pobres do campo e da cidade.

Deixe um comentário