Operária da fábrica de borracha em Manaus denuncia casos de assédio sexual

O vice-diretor de uma fábrica de borracha de Manaus foi condenado a pagar indenização, neste mês de março, pelo assédio sexual contra uma operária. O episódio ocorreu em junho de 2025, mas a empresa foi condenada a pagar indenização apenas neste mês. O caso se junta às mais de 12 mil denúncias de assédio sexual no trabalho no ano de 2025.

O crime ocorreu contra a operária quatro meses após ser contratada como auxiliar de produção, quando a responsável da equipe pediu para que ela se deslocasse até outro setor durante um episódio de queda de energia. Durante o trajeto, a vítima encontrou o vice-diretor que a segurou pelo braço e a beijou à força. Outra funcionária testemunhou o ocorrido e foi ameaçada pelo criminoso: “Você não viu nada!”

A empresa ainda tentou ir contra a trabalhadora afirmando, em sindicância interna, que o assédio não teria ocorrido pois “não foram encontradas provas”.

Como esperado, o “tribunal” dessa sindicância, composto por advogados da própria companhia, descredibilizou a denúncia em defesa de seu vice-diretor, o que fez a vítima denunciar formalmente a empresa. A fábrica foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11° Região a pagar meros R$ 10 mil de indenização por danos morais, além de uma rescisão indireta.

O fato compõe os 12.813 registros de denúncia por assédio sexual em ambientes de trabalho em 2025, um aumento de 40% desde o ano anterior. No Mato Grosso do Sul, o Ministério Público do Trabalho alegou que as denúncias no estado foram feitas 100% por trabalhadoras.

Este número de denúncias ainda não representa a real quantidade de casos ocorridos em ambientes de trabalho, visto a falta de amparo do velho Estado mediante a ameaças, descredibilizações e o risco para além da demissão de não conseguir outro emprego.

Reforma Trabalhista acentua ainda mais a exploração do trabalho feminino

Os ataques aos trabalhadores impostos pela Reforma Trabalhista de 2017 acentuam a exploração das mulheres do povo. Ao expandir modalidades como a terceirização e o trabalho intermitente, consolidou-se um cenário de instabilidade crescente que inibe a denúncia de abusos.

A precarização se estende para além do emprego, atingindo severamente a saúde física e mental das trabalhadoras. Após expedientes exaustivos como a jornada 12×36, além da redução do descanso no trabalho e aumento da carga horária informal, as trabalhadoras ainda precisam arcar com trabalho doméstico não remunerado e a educação dos filhos. A exaustiva dupla jornada de trabalho leva ao adoecimento.

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