A pesquisa Genial/Quaest mais recente, divulgada em 11 de março, revela a desmoralização e o descrédito da democracia brasileira. No segundo turno das eleições simuladas para 2026, o presidente atual, Luiz Inácio, e o senador Flávio Bolsonaro, aparecem em empate com 41% das intenções de voto cada um. O levantamento também destaca que 12% dos eleitores já optaram pelo voto branco ou nulo, enquanto 69% permanecem indecisos sobre em quem votar.
A vantagem que a falsa esquerda mantinha sobre o bolsonarismo diminuiu nos últimos meses. No primeiro turno, Luiz Inácio tem 37% contra 30% de Flávio Bolsonaro. Os candidatos da chamada “terceira via”, como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, seguem como figuras periféricas na disputa, demostrando a união dos eleitores de direita em torno da família Bolsonaro.
A pesquisa também evidencia a desilusão das massas, com 69% dos entrevistados afirmando não saber em quem votar. A polarização presente no cenário é, na verdade, um reflexo do desinteresse das pessoas, que não veem nas opções apresentadas uma solução para a crise em que o país se encontra.
Crise de legitimidade: voto por ódio e rejeição recorde
O próximo pleito já começa marcado pela negação. A rejeição a Luiz Inácio atingiu 56%, enquanto a de Flávio Bolsonaro se mantém em 55%. O voto em um candidato é motivado principalmente pelo ódio ou medo do outro, não por adesão a um programa ou esperança de mudança.
O medo domina o cenário eleitoral, com 46% dos entrevistados temendo o retorno da família Bolsonaro ao poder e 43% temendo a continuidade do atual governo. A desconfiança em relação à honestidade dos candidatos também é alta, com 69% discordando que Luiz Inácio seja honesto e 62% tendo a mesma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.
A desaprovação ao governo de Luiz Inácio supera a aprovação em 7 pontos percentuais, refletindo a insatisfação geral com a atual gestão. A política de “conciliação de classes” e a formação de uma “frente ampla” desmoralizaram a falsa esquerda diante de sua base eleitoral.
Bolsonarismo: produto do velho regime
O bolsonarismo, representado por Flávio Bolsonaro, é um reflexo das deficiências da sociedade brasileira. A transferência de capital político foi bem-sucedida, com Flávio liderando entre os eleitores “independentes” e mantendo a lealdade do eleitorado bolsonarista.
Enquanto a social-democracia se perde em manobras parlamentares, o bolsonarismo ganha força. A manutenção de privilégios para as forças de repressão, aliada à falta de cumprimento das promessas de campanha, revela as prioridades da gerência oportunista.
A conciliação do governo atual não elimina o fascismo, mas sim o prepara para um possível retorno, ao preservar as bases econômicas que alimentam a reação. A prática política vai de encontro aos interesses populares, abrindo espaço para o ressurgimento do fascismo.
