Março em Campina Grande: A Luta Feminina por Habitação Justa e Digna

No mês de março, a Frente de Solidariedade Trilhos da Resistência organizou uma série de eventos em Campina Grande para homenagear o mês da mulher trabalhadora. As atividades enfatizaram a importância da participação feminina nas batalhas por direitos fundamentais, com foco especial no direito à moradia.

Esses eventos serviram como um ponto de encontro para os setores progressistas da cidade, que se uniram diante das iniciativas desfavoráveis da prefeitura, responsável por campanhas severas de despejo. As ações foram realizadas nos bairros de Araxá, Tambor e Estação Velha, áreas que sentem diretamente os efeitos da construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Com o apoio de grupos como o Comitê de Defesa Popular de Campina Grande e o Observatório das Metrópoles, os eventos não apenas celebraram a liderança das mulheres na comunidade, mas também buscaram aprofundar seu envolvimento nas questões relacionadas à moradia e ao combate à opressão de classe e sexual. O jornal A Nova Democracia também esteve presente para registrar as atividades.

Abertura: debates e conscientização

A programação teve início no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, em Tambor. A abertura foi marcada por uma roda de discussão onde moradoras de comunidades ameaçadas pelas obras do VLT compartilharam suas vivências. Elas relataram sobre a ocupação dos bairros, as dificuldades na construção de moradias e sua mobilização frente à ameaça iminente de despejo.

A roda de conversa não só trouxe informações relevantes, mas também incentivou a ação prática entre as participantes. Além disso, houve palestras, um brechó e uma creche para permitir que as mães participassem sem preocupações com os cuidados dos filhos.

Cine Debate: a luta pela moradia no Cinema

No dia 15 de março, no bairro Araxá, continuaram as atividades com a exibição do filme “A Melhor Mãe do Mundo”, que suscitou reflexões sobre maternidade e opressão feminina dentro do sistema capitalista. Esses temas estão intimamente relacionados às dificuldades enfrentadas pelas mulheres nas comunidades afetadas pelas obras do VLT.

O cine debate proporcionou uma nova oportunidade para que as mulheres analisassem suas condições de vida e discutissem as consequências das transformações urbanas em suas famílias. Após a exibição, as conversas abordaram questões como o acesso à habitação digna e a violência decorrente das remoções forçadas.

Oficina de bordado: Arte e organização popular

No terceiro final de semana do mês, ocorreu uma oficina de bordado no bairro Estação Velha. Essa atividade uniu arte e organização popular ao proporcionar um espaço para que as mulheres compartilhassem suas histórias através do bordado — uma prática tradicional que simbolizou a mensagem central: Resistir é lutar com a cultura popular!

O bordado se transformou em mais do que um aprendizado; foi uma maneira eficaz de fortalecer os laços entre as participantes.

A relevância da coletivização do trabalho doméstico

O Comitê de Defesa Popular de Campina Grande esteve ativamente envolvido na jornada organizando atividades paralelas como creches. Essas iniciativas ressaltaram a importância histórica da socialização do trabalho doméstico e ofereceram suporte às mulheres mães. Muitas delas estão sempre dispostas a se engajar em diversas atividades pela cidade, mas frequentemente se veem sobrecarregadas com afazeres domésticos e trabalho fora de casa, limitando sua participação coletiva nas lutas.

A creche foi fundamental para garantir que essas mulheres pudessem participar plenamente dos atos. Durante todas as atividades, elas tiveram a oportunidade de expressar suas opiniões, esclarecer dúvidas e contribuir coletivamente.

Encerramento com ‘Baque Mulher’

O fechamento das atividades ocorreu no dia 29 de março com um cortejo animado pelo grupo maracatu Baque Mulher. A apresentação celebrou a luta popular e mobilizou as mulheres em danças e músicas que ressaltaram a importância da união feminina na luta pelos direitos sociais.

A luta permanece viva

Março se destacou como um período significativo na defesa dos direitos das mulheres em Campina Grande, especialmente no que tange ao direito à moradia. O trabalho desenvolvido pela Frente de Solidariedade Trilhos da Resistência, com o suporte de várias organizações, foi essencial para aumentar o envolvimento político das mulheres nessa luta.

No entanto, como enfatizaram as participantes durante os eventos: “o mês de março acabou, mas a luta continua”. O movimento vai além dessas ações pontuais; está profundamente conectado ao cotidiano dessas mulheres na busca por moradia digna e na mobilização por mudanças radicais e revolucionárias na sociedade.

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