
Recentemente, um exemplar de tartaruga-cabeçuda, conhecido como Jorge, tem sido avistado com frequência nas proximidades do Píer da Piedade, em Magé, na Baía de Guanabara. Este réptil se destaca por ter uma cabeça desproporcional em relação ao corpo e vem chamando a atenção de biólogos e pesquisadores, uma vez que sua presença nesta região é considerada incomum. Além disso, o Projeto Aruanã, que realiza o monitoramento de tartarugas marinhas em Itaipu, Niterói, também notou um aumento significativo dessa espécie nos últimos meses.
A próxima etapa do Projeto Aruanã envolve a identificação dos animais nas margens de Magé. A bióloga Larissa Araújo, coordenadora de campo do projeto, explica: “Temos uma história estabelecida de colaboração com pescadores artesanais em Itaipu e agora estamos expandindo essa parceria para a Baía de Guanabara. Com a ajuda deles, estamos conseguindo acessar as tartarugas-cabeçudas e iniciar um novo processo de marcação para essa espécie que está aparecendo na baía.”
Entre os métodos utilizados para capturar essas tartarugas estão técnicas como o arrasto e a construção de um curral de peixe — uma estrutura fixa que funciona como um funil no mar. Os pescadores afirmam que os equipamentos utilizados não ferem os répteis. Uallace Santos, um pescador que começou a resgatar tartarugas-cabeçudas em 2025, comenta: “Os pescadores têm fama de serem mentirosos. Comecei a documentar tudo para que as pessoas acreditassem.”
Curiosamente, o aumento observado no número dessas tartarugas coincide com a recente soltura de Jorge, um réptil que foi monitorado via satélite após passar décadas em cativeiro na Argentina. O sinal transmitido indicava que ele havia chegado ao Rio, mas logo desapareceu. “Não tivemos mais notícias do Jorge. Brincamos dizendo que ele chamou outros amigos para se juntarem a ele na Baía de Guanabara”, conta a bióloga, fazendo referência à possível falha nos equipamentos de monitoramento.
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