
Majid Khademi morreu em ofensiva atribuída a EUA e Israel; conflito já deixou mais de 2 mil mortos no país
O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira (6) a morte de Majid Khademi, chefe da Inteligência da Guarda Revolucionária, durante um ataque atribuído aos Estados Unidos e a Israel. A ofensiva, iniciada no fim de fevereiro, já provocou mais de 2 mil mortes no país, segundo autoridades iranianas.
Em comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB, a Guarda Revolucionária afirmou que Khademi morreu na madrugada após um “ataque terrorista criminoso” conduzido por forças que classificou como “sionista-estadunidenses”.
O órgão destacou a trajetória do general, descrevendo sua atuação como “exemplar” ao longo de quase cinco décadas dedicadas à segurança e à inteligência do país. Segundo a nota, Khademi teve papel estratégico no enfrentamento a ameaças externas e na contenção de tentativas de desestabilização interna.
Ele havia assumido o comando da Inteligência da Guarda Revolucionária em junho de 2025, após a morte de seu antecessor, Mohamad Kazemi, também atingido em ações militares recentes. O episódio ocorre em meio à intensificação do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que já deixou, de acordo com Teerã, 2.076 mortos, incluindo 216 menores de idade.
A Meia Lua Vermelha iraniana estima que mais de 100 mil edifícios civis foram destruídos ou danificados, sendo cerca de 40 mil apenas na capital, Teerã. Infraestruturas essenciais também foram atingidas, como aproximadamente 600 escolas e 300 centros de saúde.
Escalada militar e impacto energético
A tensão aumentou após Israel confirmar um ataque a uma das principais instalações petroquímicas do Irã, localizada no campo de gás South Pars, no Golfo Pérsico – o maior do mundo, compartilhado com o Catar. A estrutura é responsável por cerca de metade da produção petroquímica iraniana.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou a ação como “um ataque poderoso” a um alvo estratégico. Já o porta-voz militar, Nadav Shoshani, afirmou que Teerã “não terá imunidade”, mesmo diante de negociações em curso.
Até o momento, a Casa Branca não comentou oficialmente o ataque. Em declarações anteriores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia indicado que poderia haver retaliação caso o Irã atingisse infraestruturas energéticas na região.
Negociações e cessar-fogo
Em meio à escalada, países como Egito, Paquistão e Turquia articulam uma proposta de cessar-fogo de 45 dias, que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A iniciativa busca criar espaço para negociações diplomáticas e conter o avanço do conflito.
Apesar dos esforços, o cenário permanece instável, com risco de novos ataques e ampliação das hostilidades na região.
