Espanha retira representante diplomático da entidade sionista enquanto Itália condena a guerra de agressão

O governo da Espanha decidiu retirar sua embaixadora da entidade nazi-sionista (mal chamada de “Israel”) enquanto a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, fez sua crítica mais contundente até agora à guerra de agressão conduzida pelo Estados Unidos (EUA) e pelos sionistas contra o Irã. Os dois movimentos, anunciados no mesmo dia, expõem as fissuras crescentes entre as potências imperialistas europeias de segunda ordem e Washington, em vez do alinhamento automático que tradicionalmente marcou a OTAN em grandes crises militares, graças às pressões impostas pelas vitórias militares e políticas da Resistência Iraniana.

No caso espanhol, a decisão foi formalizada com a destituição da embaixadora Ana María Sálomon Pérez. A representação em Tel Aviv passará a ficar sob a responsabilidade de um encarregado de negócios. A medida aprofunda a crise diplomática entre Espanha e a entidade sionista e vem na sequência da oposição do governo de Pedro Sánchez à guerra de agressão ao Irã e de outras medidas anteriores contra o enclave sionista, como o bloqueio a embarques de armas por portos e espaço aéreo espanhóis. Segundo a agência do monopólio de imprensa Reuters, o chanceler sionista Gideon Sa’ar reagiu acusando a Espanha de se alinhar “com tiranos”, evidenciando o nível do atrito político.

A retirada da embaixadora se conecta diretamente à linha política de Sánchez, um dos poucos chefes de governo da Europa ocidental a classificar o ataque de EUA e entidade sionista ao Irã como “injustificável” e a reafirmar a posição de “não à guerra”. Ainda segundo o monopólio de imprensa Al Jazeera, com base também em informações da Reuters, a Espanha já vinha se destacando como um dos governos europeus mais críticos tanto da guerra genocida em Gaza quanto da nova escalada militar contra o Irã. Em outras palavras, a medida diplomática agora adotada não aparece como gesto isolado, mas como aprofundamento de uma linha já em curso.

Na Itália, o fato novo veio de dentro do Parlamento. Em discurso no Senado, Meloni afirmou que a guerra conduzida por EUA e entidade sionista deve ser entendida como parte de uma tendência mais ampla de “intervenções unilaterais fora do escopo do direito internacional”. A Reuters destacou que foi a crítica mais forte feita até agora pela premiê italiana, que embora mantenha relações próximas com Donald Trump vinha sendo acusada pela oposição de ter sido “branda demais com seus aliados”. O peso político da declaração está justamente em um governo de extrema direita, profundamente alinhado à política externa encabeçada pelo imperialismo ianque, já não conseguir sustentar a agressão sem fazer ressalvas públicas.

Ainda assim, a posição italiana não deixa de estar marcada por contradições. Meloni também declarou que o Irã “não pode obter armas nucleares”, sob o argumento de que isso teria “repercussões dramáticas para a segurança global e para a Europa”. Também justificou o envio de ativos de defesa aérea italianos para países do Golfo atingidos por ataques iranianos, alegando a “proteção de parceiros estratégicos, de dezenas de milhares de cidadãos italianos na região e de cerca de 2 mil soldados italianos estacionados no Golfo”. Por mais que a crítica italiana não signifique uma ruptura com Washington, não deixa de ser um deslocamento político visível vindo de um governo que continua atado à lógica estratégica do imperialismo ianque.

Os casos de Espanha e Itália também não surgem no vácuo. Em 1º de março, os 27 países da União Europeia, por meio da chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, pediram “máxima contenção, proteção de civis e respeito integral ao direito internacional e à Carta da ONU”. A imprensa imperialista Reuters observou que essa posição comum “refletia divergências internas na Europa e evitava qualquer apoio explícito à ampliação da guerra”. A ofensiva também não encontra base social sólida. Pesquisa recente da Reuters/Ipsos mostrou que apenas um em cada quatro estadunidenses apoiava os ataques do EUA ao Irã, enquanto levantamento do YouGov indicou apoio muito baixo na Grã-Bretanha a uma participação britânica em ataques mais amplos.

Nesse quadro, a retirada da embaixadora espanhola e a crítica pública da premiê italiana mostram que o prolongamento da guerra já produz efeitos concretos dentro do próprio campo imperialista europeu. Em vez de recompor a coesão política do bloco liderado pelo EUA, a agressão aprofunda desconfortos, força reposicionamentos e empurra aliados a se distanciarem – alguns de forma aberta, outros de maneira hesitante e contraditória. Isso ajuda a explicar por que, ao derrotar militarmente seus agressores com a guerra assimétrica (“guerra de atrito” prolongada), a resistência iraniana já acumula um resultado político importante ao elevar os custos políticos da guerra e ampliar as fissuras entre Washington e seus próprios aliados europeus.

Deixe um comentário