
Após um hiato de dois meses e meio, o Curumim retornou à Lagoa Rodrigo de Freitas nesta sexta-feira (19/06), repleto de simbolismo e segurando novamente sua lança.
Desde 1979, essa escultura em bronze tem sido uma testemunha do movimento das águas da lagoa, mas recentemente passou por uma nova restauração devido ao furto de parte do braço e da lança.
O trabalho de restauração foi conduzido por Luiz Augusto Correia de Araújo, filho do artista pernambucano Pedro Gaspar Jens Correia de Araújo, responsável pela criação da obra, que faleceu em 2019. “Para mim, nunca foi apenas uma escultura. Representa memória, identidade e raízes. A falta de iluminação na área onde o Curumim se encontra facilita ações destrutivas. Embora tenha sido um trabalho técnico, também foi emocional para mim. Por isso, solicito à Prefeitura que instale iluminação e câmeras de segurança na região onde a obra está situada”, afirmou Luiz.
Para recriar as partes que foram roubadas, Luiz contou com a ajuda de Bruno Freire, um antigo cliente de seu pai que possuía um protótipo da estátua. Isso possibilitou a reprodução fiel das partes subtraídas pelos criminosos.
Peso pesado com cerca de oito toneladas, o Curumim foi erguido como uma homenagem aos povos indígenas que habitavam a região da Lagoa. Ao longo dos anos, tornou-se um dos monumentos mais clicados do bairro, mas também alvo frequente de vandalismo. Em 2011, a Prefeitura decidiu realocá-lo para uma base mais afastada da margem na tentativa de protegê-lo; no entanto, isso não foi suficiente para evitar novos incidentes.
“Aproximadamente 30% dos gastos da Secretaria de Conservação são destinados à recuperação do que foi danificado, não para avançar nas melhorias, mas apenas para retornar ao status anterior. Somente nesta restauração foram despendidos R$ 50 mil. Este é dinheiro público que deveria ser aplicado em outras áreas, mas que acaba sendo utilizado para cobrir as consequências da impunidade”, lamentou Diego Vaz, secretário municipal de Conservação.
