Conexões de Flávio Bolsonaro com Banco Master agitam a elite do bolsonarismo

A crise instalada na campanha presidencial do senador Flávio “Rachadinha” Bolsonaro (PL) após o vazamento de áudios e mensagens direcionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro já produziu reflexos imediatos nos chamados trackings, as sondagens internas de intenção de voto operadas pelos comitês eleitorais. Nos levantamentos internos da própria campanha do Partido Liberal, a queda oscilou entre três e cinco pontos percentuais, variando conforme os recortes regionais e demográficos avaliados pelos técnicos da legenda.

Os dados coletados pelas sondagens internas sintonizam-se com os levantamentos monitorados pelos gerenciadores da campanha do governo de turno. Em um dos rastreamentos concluídos no dia 15 de maio, o herdeiro do clã bolsonarista apresentou um recuo de cinco pontos percentuais, declinando de 47,8% para 42,6% das intenções de voto. No mesmo intervalo de amostragem, Luiz Inácio oscilou de 47,5% para 49,1%. Embora os operadores políticos vinculados ao parlamentar tentem minimizar o impacto, argumentando que a movimentação se situa nas franjas da margem de erro estatística, o abalo deflagrou um estado de alerta na cúpula bolsonarista da legenda.

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A rejeição de ambos os candidatos segue em patamares elevados, sendo um motor central da política nacional. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 54% dos entrevistados, enquanto Luiz Inácio possui 53% de rejeição.
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Para estancar o desgaste político e conter o avanço das avaliações negativas, a assessoria de propaganda de Flávio Bolsonaro estruturou, em caráter de urgência, um “plano de mídia” focado em reverter o isolamento nas plataformas digitais, segundo interlocutores de Flávio Bolsonaro ouvidos pelo Metrópoles. A engenharia de contenção foi fragmentada em três frentes de atuação e quatro fases distintas, projetadas para execução ao longo do período eleitoral deste ano. A meta prioritária consiste em municiar a própria militância com discursos padronizados, tentando neutralizar a virada nos índices de “engajamento virtual”, em que a proporção de postagens favoráveis, que antes era de quatro para cada menção crítica, inverteu-se drasticamente para duas manifestações negativas para cada registro positivo. 

Flávio ‘Rachadinha’ diz que ‘tinha cláusulas contratuais’ para não revelar acordo com Vorcaro

As contradições e os recuos de retórica, contudo, pontuam as manifestações dos envolvidos desde a eclosão do episódio trazido a público pelo portal The Intercept Brasil. Antes de as mensagens virem à tona, Flávio Bolsonaro empenhava-se em vincular as fraudes bilionárias do Banco Master ao PT, chegando a trajar vestimentas com dizeres que associavam a instituição ao governo de turno. Confrontado com os registros técnicos das conversas em que interpelava o banqueiro com termos de íntima proximidade, como “irmão” e “irmãozão”, o senador recuou publicamente ao monopólio de imprensa GloboNews, admitindo ter faltado com a verdade anteriormente sob o pretexto de resguardar obrigações contratuais de confidencialidade financeira.

Os registros documentais confirmados pela imprensa demonstram que Daniel Vorcaro comprometeu-se a transferir a cifra de R$ 134 milhões para o financiamento da obra intitulada Dark Horse, focada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desse montante global estipulado, pelo menos R$ 61 milhões foram efetivamente desembolsados por meio de seis transferências bancárias efetuadas entre fevereiro e maio de 2025. O volume de recursos destinados ao projeto biográfico supera em mais do dobro o orçamento de produções cinematográficas nacionais de destaque no mesmo período, levantando suspeitas entre os órgãos de fiscalização quanto à real destinação e circulação de tamanha massa de recursos.

‘Flávio está ciente de tudo’: mensagens ligam clã Bolsonaro a negócio de R$ 134 milhões com banqueiro do Master – A Nova Democracia
Mensagens, áudios e documentos publicados pelo Intercept indicam que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro um compromisso de US$ 24 milhões para financiar “Dark Horse”, superprodução internacional sobre Jair Bolsonaro prevista para estrear às vésperas da eleição.
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Eduardo Bolsonaro em contradição

As justificativas apresentadas pelo círculo próximo dos Bolsonaro evidenciam profundas fraturas na retórica da defesa. O deputado cassado Eduardo “Bananinha” Bolsonaro apresentou versões oscilantes sobre seu papel na estrutura da produção audiovisual. Inicialmente, “Bananinha” sustentou que sua intervenção limitava-se à indicação de um escritório de advocacia especializado na formatação legal do projeto; contudo, a exibição de instrumentos contratuais contendo sua assinatura formal como produtor-executivo e gestor de captação de ativos forçou o reconhecimento de sua participação direta nos negócios da película hiperfinanciada.

A linha de investigação desenvolvida pela Polícia Federal (PF) busca apurar se a estrutura financeira montada para o longa-metragem no país Estados Unidos (EUA) funcionou como anteparo para remessas de valores destinadas à manutenção da permanência de Eduardo Bolsonaro em território ianque, onde reside desde o primeiro bimestre do ano anterior. Os agentes encarregados da apuração buscam rastrear se houve desvio de finalidade nas transferências bancárias promovidas pelas empresas de Vorcaro ou se frações do capital foram direcionadas para o custeio de despesas de natureza estritamente pessoal do deputado cassado no exterior.

Mário Frias contradiz a todos

As manifestações do deputado federal Mário Frias (PL-SP) também expuseram o desalinhamento na coordenação da crise. O ex-secretário de cultura asseverou em nota pública inicial que o projeto não continha um único centavo de recursos vinculados a Daniel Vorcaro. No dia seguinte, premido pela confirmação dos aportes financeiros efetuados, Frias emitiu novo comunicado, modificando a tese anterior, sustentando que os contratos jurídicos da produção haviam sido celebrados com a firma Entre Investimentos e Participações, entidade que operava em estreita associação mercantil com os negócios do controlador do Banco Master, tentando descaracterizar o vínculo direto com o banqueiro detido.

Nikolas Ferreira em contato com Vorcaro?

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) viajou em jatinho da frota da Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro foi sócio, durante a caravana “Juventude pelo Brasil” no segundo turno das eleições de 2022, percorrendo nove estados e o Distrito Federal (DF) entre 20 e 28 de outubro, ao lado do pastor Guilherme Batista da Igreja Lagoinha. A essa agremiação religiosa também pertence Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. Em vídeo nas redes sociais, Nikolas ironizou a repercussão, negando responsabilidade por “atos futuros”. Fabiano Zettel doou R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. 

Reuniões sigilosas de Vorcaro com governo do PT

A teia de relações de Daniel Vorcaro, contudo, estende-se muito além da extrema direita hipócrita, se ligando ainda ao gerenciamento de turno do PT. Mensagens de Daniel Vorcaro revelam uma reunião sigilosa com o presidente Luiz Inácio em 4 de dezembro de 2024, com participação do futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O encontro, ausente da agenda oficial, conforme informações do monopólio de imprensa UOL, foi articulado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atuava como representante e lobista de Vorcaro em Brasília.

Na reunião, segundo informações da imprensa, Vorcaro criticou a concentração do mercado bancário nas mãos de grandes instituições, ao que Luiz Inácio teria respondido que as questões deveriam ter tratamento técnico pelo Banco Central. A interação foi confirmada por Luiz Inácio.

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O vazamento de mensagem dos oito celulares do banqueiro já havia revelado extensa rede com políticos de todas as siglas partidárias da velha ordem, além de ministros do Supremo Tribunal Federal. 
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A reunião no Planalto serviu para o banqueiro pedir um conselho ao chefe do Executivo: “O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1 bilhão. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”. Luiz Inácio ouviu e respondeu usando alguns palavrões para se referir ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois. Houve críticas também direcionadas a André Esteves, chairman, sócio sênior e acionista controlador do BTG Pactual.

O principal conselho do presidente a Vorcaro foi para que seguisse com o Banco Master, sem aceitar a proposta de Esteves. Na reunião, estava presente Gabriel Galípolo, que em janeiro de 2025 passou a comandar a autoridade monetária. Vorcaro entendeu a presença de Galípolo e as críticas a Roberto Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.

O encontro de 4 de dezembro de 2024 foi articulado depois de uma audiência formal registrada na agenda do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A audiência constou como realizada em 4 de dezembro, mas só entrou no sistema oficialmente em 27 de dezembro daquele ano, com Guido Mantega listado como participante. Na reunião, Luiz Inácio recebeu Vorcaro, acompanhado do então ministro da Casa Civil, Rui Costa, e chamou para participar Gabriel Galípolo, então já designado para ser o próximo presidente do Banco Central. Galípolo era diretor de Política Monetária na época e não cuidava de regulação do sistema financeiro. Também participaram Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Augusto Lima, então CEO do Banco Master.

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Como forma de apoio à luta pela terra em nosso país, temos a alegria de fornecer calendários 2026 temáticos produzidos pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP)….
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Vorcaro e sua teia ‘suprapartidária’

Não apenas os bolsonaristas hipócritas, mas a falsa esquerda também está ligada ao indivíduo Daniel Vorcaro e seu Banco Master. O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, consolidou sua conexão prévia ao Banco Master via liquidação do Banco Pleno, gestor do CrediCesta. O cartão consignado para servidores públicos, criado em 2018 durante o governo baiano de Rui Costa pelo ex-sócio de Vorcaro, Augusto “Guga” Lima, foi transferido em 2019 ao Master via Banco Voiter. Augusto Lima também esteve preso brevemente pela operação “Compliance Zero”, foi solto e as forças de repressão federais nunca mais demonstraram interesse em investigá-lo. 

O senador Jaques Wagner (PT) conecta-se ao escândalo por meio da venda da rede estatal Cesta do Povo para Augusto Lima em 2018, durante o governo baiano de Rui Costa, quando atuava como secretário de Desenvolvimento Econômico e participou da criação do consignado CrediCesta. Em 2019, esses ativos foram incorporados ao Banco Voiter e ao Master, com Lima como sócio de Daniel Vorcaro. Wagner negou irregularidades em entrevista à Rádio Baiana FM em janeiro de 2026, afirmando estar “tranquilo” e que relações passadas não implicam negócios ilícitos, embora tenha admitido indicar o escritório de Ricardo Lewandowski ao banco.

No Executivo, o avanço das revelações levou o gerenciamento do PT a adotar uma postura de “contenção de danos” para evitar a associação direta do governo com os personagens em pleno ano eleitoral.

Documentos da Receita ligam R$ 80 milhões do Master à esposa de Moraes – A Nova Democracia
A pesquisa Datafolha realizada entre os dias 7 e 9 de abril já indica que 55% dos brasileiros acreditam que o Supremo Tribunal Federal esteja, de alguma forma, envolvido no caso Master.
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Rede de influência chega ao STF?

O escritório de advocacia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski foi contratado pelo Banco Master pouco antes de sua nomeação para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao todo, foram transferidos R$ 250 mil mensais de janeiro de 2023 a agosto de 2025, totalizando cerca de R$ 6,5 milhões brutos, dos quais R$ 5,25 milhões após sua posse. Fontes apontam que a associação ao escândalo foi decisiva para sua saída do governo em janeiro de 2026, apesar de Lewandowski ter deixado a sociedade em 17 de janeiro de 2023, com seus filhos Enrique e Yara permanecendo como sócios.

Além disso, documentos fiscais enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do “Crime Organizado” indicam que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes do STF, recebeu cerca de R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Segundo os dados encaminhados à CPI, os valores teriam sido transferidos ao longo dos dois anos, como parte de um contrato que previa pagamentos mensais e poderia alcançar cerca de R$ 131 milhões até 2027. A defesa do escritório afirma que as informações são “incorretas” e que houve “vazamento indevido de dados fiscais”, mas a inclusão do caso nos trabalhos da comissão acabou empurrando o tema para o centro do debate.

No STF, os ministros contestam os trabalhos da comissão parlamentar. O ministro Gilmar Mendes classificou, por meio de sua conta no X, como um “erro histórico” a tentativa de vincular integrantes da Corte ao escândalo e rejeitou a hipótese de suspeição.

Depois de ligações de ministros com Vorcaro, desconfiança popular no STF atinge recorde histórico – A Nova Democracia
Quando um banqueiro sob investigação por corrupção, lavagem e intimidação aparece cruzado com ministros da mais alta instância do judiciário brasileiro – seja por referências encontradas em celular apreendido, seja por negócios familiares, seja por contratos multimilionários no círculo doméstico de um magistrado –, o impacto sobre a confiança pública tende a ser imediato.
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Da extrema direita à falsa esquerda, passando pelo ‘centrão’

As conexões com o parlamento burguês revelam o cultivo de intimidades com os políticos do chamado “centrão”, através de um jantar na residência oficial com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), junto de seis empresários. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), também é citado ao relatar uma reunião na residência oficial da Casa em agosto de 2025, que se estendeu até meia-noite. 

Vorcaro admitiu encontros com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), em 2024 e 2025, para discutir a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), realizados na residência do banqueiro e na casa do governador. Com o conselho de Luiz Inácio para não vender seu banco ao BTG, Vorcaro acabou concluindo uma negociação em março de 2025 com o BRB. Só que, logo na sequência, essa operação passou a ser bombardeada por todos os lados.

O Governo Militar Secreto
Publicado originalmente em 1987 por Nelson Werneck Sodré, grande historiador marxista do Brasil, o livro desnuda o que há por detrás das eleições, do parlame…
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