Falece Laís Gouthier, embaixatriz que viveu um verdadeiro conto de fadas

A embaixatriz Laís Gouthier faleceu na noite de quinta-feira, 22 de outubro. Com uma entrevista agendada para celebrar seu centenário, que ocorreria em 27 de dezembro, a família já planejava uma grande festa. Sua neta, Alexia Niedzielski, diretora criativa e uma das maiores paixões da avó, havia começado a notificar amigos sobre as festividades.

Laís teve um papel significativo na história recente do Brasil. Nascida da união do engenheiro Bernardo Sayão e viúva do embaixador Hugo Gouthier — com quem contraiu matrimônio em Nova York, no ano de 1952 —, ela viveu quase cem anos entre o Brasil e a Europa. Durante o tempo que seu marido atuou como embaixador na Itália, ela se destacou por suas recepções no Palazzo Pamphilj, onde promoveu encontros entre figuras relevantes da diplomacia, cultura e sociedade. Nesse período, foi fundamental na introdução da moda brasileira na Itália, cultivando amizades com renomados estilistas como Federico Forquet, Emilio Pucci e Valentino.

Durante a estadia do embaixador no Irã, a partir de 1952, Laís tornou-se próxima do xá Reza Pahlavi e sua esposa Soraya. Um dos passatempos favoritos do casal era jogar biriba, onde frequentemente se saíam vitoriosos.

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A personalidade de Laís era marcada por elegância e humor; suas histórias eram fascinantes. Por exemplo, ela conhecia detalhes íntimos da vida do xá Reza Pahlavi, que se casou com Farah Diba não porque não amasse Soraya, mas devido à impossibilidade dela ter filhos. Muitas dessas memórias estão documentadas em fotos cuidadosamente anotadas por ela.

“Ela registra tudo. Ninguém chega aos 100 anos vivendo apenas do passado. Laís tem um olhar voltado para o futuro e uma enorme alegria pela vida. Jamais se queixa; aceita o que não pode mudar. Ela aprecia momentos sozinha, ama ler e ouvir música”, compartilhou Alexia recentemente.

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Na noite de 22 de outubro, Laís foi levada ao Hospital Samaritano em Botafogo após apresentar dificuldades respiratórias. Apesar de ser reanimada uma vez após sofrer uma parada cardíaca, não sobreviveu à segunda emergência. O luto por sua partida deve ter início no próprio edifício onde morava: “Ela sempre foi extremamente gentil com todos os vizinhos e funcionários”, afirmou Marina Felfeli, síndica do prédio.

Sua filha única, Claudia, residente em Paris, deve chegar ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (23). O outro filho dela era o artista plástico Bernardo Gouthier, que faleceu tragicamente em Nova York em 1997.

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Laís pertenceu à mesma geração de mulheres icônicas como Lourdes Catão, Carmen Mayrink Veiga e Tereza Souza Campos — figuras representativas da “Era de Ouro” da sociedade carioca entre as décadas de 1950 e 1970. Naquele período, as embaixatrizes eram frequentemente listadas entre as “Dez Mais Elegantes”, sendo Laís escolhida como tal em 1956. Ela foi instrumental na divulgação da moda brasileira na Itália e tinha forte apreço por estilistas como Federico Forquet e Emilio Pucci.

“Laís é uma figura inesquecível; viveu uma existência digna de contos de fadas e contava histórias maravilhosas com sua memória excepcional. Sua trajetória foi verdadeiramente gloriosa”, comentou o cerimonialista Ricardo Stambowsky, um amigo que fazia parte de seu círculo diversificado.

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O velório ocorrerá na Capela Real Grandeza no Cemitério São João Batista em Botafogo a partir das 11h no domingo (25/10), seguido pelo sepultamento às 13h.

 

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No vídeo gravado durante sua internação em setembro, Laís interpreta “Cheek to Cheek”, famosa na voz de Louis Armstrong desde 1934. Essa era realmente Laís!

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