Flávio Bolsonaro (PL), candidato de extrema direita, anunciou seu apoio à proposta de eliminar a escala 6 por 1 no Senado Federal. Contudo, em conversas discretas, garantiu a grandes empresários e representantes do setor financeiro que buscará desvirtuar essa medida se for eleito. Essas informações foram reveladas por um veículo de comunicação local e verificadas por outra fonte.
As investigações indicam que a estratégia da campanha consiste em aproveitar a composição do Congresso, dominada por aliados de Bolsonaro a partir de 2027, para reanimar projetos que flexibilizem a carga horária de trabalho e reduzam os salários, beneficiando assim a elite econômica. Daniella Marques e outros membros da equipe econômica estão encarregados de tranquilizar os interesses empresariais, transmitindo essas promessas através de intermediários para evitar qualquer associação direta com o esquema “Rachadinha”.
Um dos instrumentos legais para essa estratégia é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, proposta pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que também é coordenador da campanha de Flávio. O texto sugere uma remuneração proporcional às horas trabalhadas, mantendo o limite de 44 horas semanais enquanto enfraquece as negociações coletivas ao priorizar os contratos individuais.
No dia 13 de outubro, em uma coletiva à imprensa, Flávio revelou detalhes desse projeto: “Eu vou votar a favor do fim da 6 por 1. No entanto, defendemos algo ainda mais vantajoso.” Essa suposta melhoria oculta a possibilidade de diminuição dos salários e a necessidade dos trabalhadores buscarem empregos extras para complementar sua renda. Durante um evento do MDB, ao ser questionado sobre possíveis mudanças caso assuma o controle do governo, ele afirmou que deveria ser um tema debatido com cautela: “Isso precisa ser discutido com responsabilidade”. Ele acrescentou: “A regulamentação precisará ser debatida no Congresso.”
A pressão exercida pela classe empresarial para restringir as conquistas sociais evidencia os interesses dessa elite. Flávio participou recentemente de um encontro com empresários em São Paulo, onde estava presente Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Skaf criticou a proposta de redução da jornada como “total irresponsabilidade” e uma “PEC eleitoral”. Além disso, a Fiesp financiou campanhas publicitárias nas plataformas da Meta atacando o projeto que busca abolir a escala 6 por 1.
A demagogia do reformismo e as alianças no parlamento
A administração de Luiz Inácio (PT) tenta direcionar o fervor popular para o cenário eleitoral, aproveitando-se da hesitação inicial de Flávio em se posicionar. Após o primeiro turno das eleições, ele afirmou: “Para ele [Flávio], quem trabalha menos deve receber menos.” Porém, essa postura oportunista do governo limita as pautas mais urgentes ao subordiná-las às negociações elitistas.
As manifestações nas ruas elevaram essa reivindicação ao centro do debate antes das eleições. Em abril de 2026, Luiz Inácio foi visto usando um boné com os dizeres “Pelo fim da escala 6×1” durante suas aparições públicas. Posteriormente, seu governo apresentou um projeto urgente na Câmara dos Deputados mas acabou negociando uma carga horária semanal de 40 horas e dois dias de descanso sem alteração salarial em maio. Essa troca rebaixou as exigências dos movimentos sociais que pleiteavam uma jornada reduzida para 36 horas e uma semana com quatro dias úteis.
No pleito eleitoral anterior em 2022, o PT buscou construir uma imagem contrária ao desmantelamento dos direitos trabalhistas e prometeu revogar leis consideradas prejudiciais à classe trabalhadora. Entretanto, em 2026 as chamadas “reformas” continuam vigentes, permitindo flexibilizações contratuais e facilitando negociações individuais que ferem os direitos coletivos dos trabalhadores. No início deste ano, Luiz Inácio tentou assumir o protagonismo na discussão ao afirmar: “Nosso próximo desafio é acabar com a escala 6 por 1 sem cortar salários. O tempo é um bem precioso para todos nós.”
A PEC aprovada pelos deputados em maio recebeu amplo apoio mas foi elaborada sob as diretrizes da elite econômica e manteve privilégios para os empregadores. O texto resultante das negociações entre o governo e representantes do grande capital definiu um teto inicial de 42 horas mensais após dois meses da promulgação e estabeleceu um limite final de 40 horas apenas após um ano dessa primeira fase. Setores como transporte e saúde continuaram protegidos sob regimes diferenciados como a escala 12×36. Além disso, empregados com diploma superior e salários superiores a duas vezes e meia o teto previdenciário ficaram isentos das restrições sobre jornada laboral. Para finalizar as benesses ao patronato, as regras provisórias para microempresas foram deixadas para serem definidas posteriormente por meio de uma nova legislação.
A subordinação das demandas operárias às manobras políticas tradicionais tem enfraquecido a resistência popular diante do avanço da extrema direita. Em setembro passado, Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), convocou mobilizações nos estados pressionando senadores para antecipar discussões sobre a PEC que Davi Alcolumbre queria deixar para depois das eleições: “Se pressionarmos os senadores em seus estados, eles estarão mais dispostos a resolver essa questão.”
O impasse parlamentar e a urgência da mobilização
A estratégia da extrema direita indica que nem mesmo a eliminação formal da escala 6 por 1 garante sua preservação frente às propostas já vislumbradas pela campanha de Flávio. Para defender esse direito conquistado é necessário romper com táticas oportunistas e unir os trabalhadores numa luta independente e classista.
Magrão, dirigente sindical da Liga Operária, criticou durante o programa A Propósito a crença dos reformistas na resolução das questões centrais para classe trabalhadora nos gabinetes políticos em Brasília. Ele fez distinção entre conquistas obtidas através da luta popular reconhecidas pelo parlamento e medidas acordadas nos bastidores apenas para apaziguar conflitos: “Quando as massas começam a ir às ruas não podemos esperar que o parlamento resolva tudo sozinho.” A alternativa proposta é exatamente oposta: “Precisamos unir todas as categorias trabalhadoras na luta pela redução efetiva da jornada.”
O líder sindical ressaltou que conquistas formais não atenderão às demandas se coexistirem com reformas que destroem direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores. O foco deve ser ampliado para incluir não só o fim real da escala 6 por 1 mas também reivindicações por uma jornada reduzida para 36 horas semanais sem corte salarial; revogação das reformas trabalhista e previdenciária; defesa dos direitos populares; além da resistência contra entregas das riquezas nacionais ao imperialismo. A proposta seria preparar uma Greve Geral Nacional como resposta à situação atual pois como sintetizou Magrão: “Mudar apenas o governo não é suficiente; precisamos transformar também nossa política econômica.”
