Depois do Dia dos Pais, o que permanece?

Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data

Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos abraços, das mensagens, das fotografias e dos presentes, fica uma pergunta: o que realmente permanece quando o Dia dos Pais termina?

Ser pai não é apenas gerar uma vida. É participar dela. É estar presente, ensinar pelo exemplo, oferecer segurança, acolher, orientar e, muitas vezes, aprender junto.

Os filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais presentes, capazes de amar, cuidar, estabelecer limites e reconhecer seus próprios erros. Afinal, muito do que aprendemos na vida vem menos das palavras e mais dos exemplos que recebemos.

Há pais que ensinam por meio de grandes gestos. Outros, por pequenas atitudes que parecem simples: acordar cedo para trabalhar, acompanhar uma tarefa, ouvir uma preocupação, oferecer um abraço ou simplesmente perguntar: “Você está bem?”

Existem também pais que já partiram. Para esses, a data pode trazer saudade, mas também a certeza de que algumas presenças permanecem. Um pai continua vivo nos ensinamentos, nos valores, nas histórias e até nos pequenos gestos que os filhos repetem sem perceber.

Talvez, no futuro, não sejam os presentes que permanecerão na memória. Serão os momentos: o abraço depois de uma derrota, o orgulho diante de uma conquista, o conselho antes de uma decisão e a presença quando mais se precisava dela.

Por isso, o Dia dos Pais não deveria terminar quando o domingo acaba.

Que a homenagem continue na rotina. Que o reconhecimento não espere o próximo agosto. Que possamos dizer “eu te amo”, “obrigado” e “tenho orgulho de você” enquanto ainda temos a oportunidade.

Para quem tem o pai por perto, que haja presença. Para quem é pai, que haja consciência da grandeza desse papel. E, para quem sente saudade, que as lembranças sejam transformadas em gratidão.

Porque as datas passam, mas aquilo que construímos nas relações permanece.

Um pai pode deixar muitas coisas. Mas sua melhor herança será sempre aquilo que um filho carrega dentro de si.

Porque o tempo passa, os presentes se vão e as datas terminam, mas o amor que um pai planta no coração de um filho pode florescer por toda a vida.

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