PCC ligado a três nomes entre os principais alvos da Operação Carbono Oculto

Sigla PCC aparece 39 vezes na decisão judicial, que autorizou as ações de busca e apreensão e os bloqueios de bens e valores

O líder de um grupo empresarial que atua em toda a cadeia produtiva do setor de combustíveis, um homem investigado por financiamento ao tráfico de drogas e o dono de redes de lojas de conveniência e postos de gasolina estão entre as figuras centrais associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na Operação Carbono Oculto, deflagrada na última quinta-feira (28).

A investigação revelou a infiltração do crime organizado tanto no setor de combustíveis quanto no mercado financeiro. Entre centenas de investigados, uma decisão judicial aponta nove pessoas físicas e 68 jurídicas como principais responsáveis pelo esquema criminoso.

Segundo o documento da 2ª Vara Criminal de Catanduva, três pessoas têm vínculo direto com a facção paulista: Mohamad Hussein Mourad, José Carlos Gonçalves (vulgo “Alemão”) e Ricardo Romano. A sigla PCC aparece 39 vezes na decisão, que autorizou as ações de busca, apreensão e bloqueio de bens e valores. Outras pessoas associadas à facção aparecem no processo em contextos indiretos ou em investigações relacionadas tramitando em varas diferentes.

Mohamad Hussein Mourad

Mourad é apontado como um dos principais operadores do esquema, envolvendo fraudes fiscais, estelionato, lavagem de dinheiro e fraudes contábeis. Ele administra uma rede de empresas que inclui usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, terminais de armazenamento, postos de combustíveis, lojas de conveniência e padarias, utilizadas para ocultar a origem e destino de dinheiro ilícito.

O empresário já havia sido alvo da Operação Cassiopeia, que investigou fraudes fiscais na empresa formuladora de combustíveis Copape e sua distribuidora Aster. Segundo a Justiça, Mourad manteve fortes ligações com o PCC, especialmente via redes de postos e distribuidoras. Para dificultar a investigação, ele teria constituído empresas em nome de laranjas e movimentado recursos por empresas fictícias, com duplicidade de CNPJs e incongruências contábeis.

Ricardo Romano

Romano é considerado “figura-chave” na lavagem de dinheiro ligada às empresas de Mourad. A Receita Federal identificou diversas declarações fiscais falsas, incluindo a criação artificial de R$ 21.650.000,00 em dinheiro em espécie, declarado sem origem comprovada.

Ele e a irmã teriam usado uma rede de empresas fictícias, incluindo Strawberry Lojas de Conveniências Ltda., para ocultar vínculos com Mourad. Romano também foi denunciado em 2024 por sonegação fiscal de ICMS em empresas de sucata em Guarulhos. Seu nome foi citado por um delator do PCC que foi assassinado no Aeroporto de Guarulhos em 2024, reforçando sua ligação com a facção.

José Carlos Gonçalves, o “Alemão”

Gonçalves possui ligações comprovadas com o PCC e é suspeito de atuar como financiador do tráfico e na lavagem de dinheiro. Ele e familiares têm participação em redes de postos de combustível e teriam tentado ocultar a propriedade das empresas por meio da substituição de quadros societários, prática considerada fraudulenta pela Justiça. Parte dos postos controlados por sua família teria sido transferida para Romano. Gonçalves também já foi sócio de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do PCC morto em 2024.

Sobre a Operação Carbono Oculto

Considerada a maior operação contra o crime organizado no país em termos de cooperação institucional, a Carbono Oculto investiga mais de 350 alvos, incluindo pessoas físicas e jurídicas, suspeitas de crimes como adulteração de combustíveis, fraude fiscal, lavagem de dinheiro, estelionato e crimes ambientais.

A operação foi deflagrada em oito estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Até o início da tarde do dia 28, apenas 6 dos 14 principais alvos haviam sido presos, e a PF investiga possível vazamento de informações que favoreceu a fuga de integrantes da facção.

Segundo a investigação, o grupo atua em toda a cadeia do combustível, incluindo metanol, nafta, gasolina, diesel e etanol, controlando estruturas portuárias, formulação, refino, transporte, distribuição e postos de combustíveis, além de lojas de conveniência. Foram constatadas irregularidades em mais de 300 postos, com bombas viciadas e combustíveis adulterados.

A Receita Federal estima que mais de mil estabelecimentos ligados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

Deixe um comentário