
Prefeito do Recife anuncia composição com Marília Arraes e Humberto Costa ao Senado, apesar de resistências internas; exclusão de Álvaro Porto surpreende bastidores políticos
O prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), bateu o martelo sobre a composição de sua chapa majoritária para 2026 e promoveu uma reviravolta nos bastidores políticos. O deputado estadual Álvaro Porto (MDB), que era dado como certo na vice, foi descartado de última hora. Em seu lugar, o nome escolhido foi o de Carlos Costa, irmão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
A decisão surpreende aliados, sobretudo porque Álvaro Porto havia migrado para o MDB justamente para viabilizar a aproximação com o PSB e fortalecer a aliança em torno do projeto de João Campos. Nos bastidores, a expectativa era consolidada de que ele ocuparia a vaga de vice-governador.
A chapa também contará com a ex-deputada Marília Arraes como candidata ao Senado, ao lado do senador Humberto Costa (PT), que buscará a reeleição. A composição chama atenção pelo histórico de tensão entre os dois. Humberto tem resistido ao avanço político de Marília há anos e já sinalizou, inclusive publicamente, desconforto com a possibilidade de dividir uma chapa com candidaturas consideradas independentes.
Mesmo fora do PT, Marília segue forte nas pesquisas de intenção de voto, ultrapassando a marca dos 40%, o que a consolida como uma das principais forças eleitorais no estado. A presença dela na chapa representa um movimento estratégico de João Campos para ampliar sua base, ainda que contrarie setores do próprio campo governista.
Enquanto isso, o cenário político em Pernambuco segue em intensa movimentação. A governadora Raquel Lyra (PSD) adotou uma postura mais assertiva ao exonerar indicações do PP em áreas estratégicas como Lafepe, Ceasa e Porto do Recife, sinalizando o rompimento com o partido. A decisão abre espaço para novas articulações e pressiona diretamente o tabuleiro político, especialmente diante da iminente federação União Progressista.
Com a definição da chapa, João Campos antecipa movimentos e tenta consolidar alianças para a disputa estadual, em um cenário marcado por disputas internas, reposicionamentos partidários e fortes articulações nos bastidores.
