“Emilio Azevedo apresenta sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro”

O fotógrafo Emilio Azevedo inaugurou sua primeira individual no Brasil nesta quinta (12), na Danielian Galeria, na Gávea. A linha não é metáfora de paquera nem terapia, mas geopolítica — a exposição investiga como o território amazônico foi sendo transformado em imagem ao longo da história, seguindo os rastros do marechal Cândido Rondon, responsável pela famosa comissão que desbravou o oeste do país instalando cerca de 4.500 km de linhas telegráficas no início do século XX.

Nascido em Goiás e morando em Bruxelas, Emilio revisita esse percurso de forma pessoal, refletindo sobre as marcas — políticas, simbólicas e territoriais — deixadas pelas andanças de Rondon, militar mestiço de origem indígena que virou personagem da história, com curadoria de Fernanda Brenner.

A ideia do projeto começou em 2019, durante uma residência artística na École Nationale Supérieure de la Photographie, em Arles, sul da França. “Eu queria entender melhor o que estava acontecendo no cenário político brasileiro, com Jair Bolsonaro e militares ocupando cargos importantes do Executivo. Era assustador. Eu nasci no final dos anos 1980, na fase de redemocratização. Ver a democracia brasileira enfrentando um desafio tão grande me fez querer me aproximar do Brasil”, conta.

Foi aí que começou a investigação fotográfica sobre os militares para entender de onde vinha, historicamente, essa relação entre poder, território e controle institucional. “Queria dar ao público mais ferramentas para entender de onde surgia esse autoritarismo e a ideia de controle sobre o Estado”, diz.

O trabalho de Emilio já passou por instituições como o Musée du quai Branly, em Paris; o WIELS Contemporary Art Centre, em Bruxelas; e o Museum of Contemporary Art Antwerp, na Antuérpia.

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