
Imbróglio envolve músicas de Seu Jorge, incluindo “Carolina”, “Tive Razão” e “Chega no Suingue”. No final de fevereiro, desembargadores da 18ª Câmara de Direito Privado anularam a sentença que havia declarado extinto o processo em que o artista é acusado de ter se apropriado de músicas de dois compositores. Neste caso, a ação judicial movida por Ricardo Garcia e Rodrigo “Kiko” Freitas, de Brasília, seguirá adiante. Os compositores também alegam que “She Will”, “Não Tem” e “Gafieira S. A”, sendo esta última gravada por Paula Lima, registradas por Seu Jorge como autor, na verdade pertencem à dupla. A advogada Deborah Sztajnberg, responsável pela ação de Toninho Geraes contra Adele por plágio, lidera o processo e destaca a coragem necessária para enfrentar grandes celebridades em batalhas judiciais. Segundo ela, é comum enfrentar criticas e hostilidades sem conhecimento pleno do processo. Até o momento, a assessoria de Seu Jorge não respondeu às tentativas de contato feitas pela VEJA RIO.
Além da coragem, é necessário ter paciência ao se envolver em disputas desse tipo. A batalha dos músicos de Brasília já dura um quarto de século. Um exemplo de caso anterior envolvendo Seu Jorge foi a condenação a pagar indenização à família de Mário Lago e ceder 50% dos direitos autorais da música “Mania de Peitão” devido ao uso não autorizado de trechos de “Ai Que Saudades da Amélia”. No entanto, a advogada não obteve sucesso na disputa do grupo Nenhum de Nós contra Seu Jorge, que também envolveu a autoria da versão brasileira da música “Starman”.
COPIA E COLA
Relatos de brasileiros plagiados por estrangeiros
Em um acordo realizado em 2013, o australiano nascido na Bélgica Gotye pagou um milhão de dólares aos herdeiros do brasileiro Luiz Bonfá pelo uso de um sample da música “Seville” de 1967 em seu sucesso “Somebody That I Used To Know”. O caso foi resolvido com inclusão dos créditos do trecho na faixa.
Em 2025, a ex-baixista argentina do Pixies, Paz Lenchantin, gerou polêmica ao lançar a música “Hang Tough”, que se assemelhava à melodia de “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil. Após ameaças legais, a faixa foi retirada das plataformas e não fez parte do álbum “Triste” lançado por ela.
Um dos casos mais famosos de plágio envolveu Jorge Ben Jor e Rod Stewart. Em 1978, Stewart lançou “Da Ya Think I’m Sexy?”, suspeitamente semelhante a “Taj Mahal” de Ben Jor de 1972. O inglês doou os direitos da música para a Unicef, encerrando a disputa com o carioca.
