Nesta terça-feira, 17 de março, o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo do governo ianque, Joseph Kent, renunciou ao cargo em protesto a guerra contra o Irã. Em carta enviada ao canídeo Donald Trump, Kent, um veterano da reação com 11 missões de “combate ao terrorismo” em nome do imperialismo ianque, admitiu que o Irã não representava “ameaça iminente” e que o Estados Unidos foi arrastado por pressão da entidade sionista “israel” e de seu “poderoso lobby” no EUA.
O ex-diretor afirmou que Trump abandonou sua plataforma de “América Primeiro” para repetir o desastroso erro da Guerra do Iraque. O impacto é devastador para a imagem de “líder decidido” que o republicano tenta manter, revelando que mesmo entre os setores mais conservadores do aparelho de inteligência, a agressão ao Irã é vista como uma armadilha que drena recursos da potência imperialista hegemônica EUA.
A base social que reconduziu Trump à Casa Branca dá sinais claros de ruptura. Vozes que antes eram pilares de sustentação do trumpismo agora lideram o coro contra o conflito. O influente jornalista conservador Tucker Carlson e o podcaster Joe Rogan classificaram a ofensiva como “insana”. Marjorie Taylor Greene, empresária, teórica da conspiração de extrema-direita e ex-congressista republicana da Georgia que rompeu com o governo, disparou no último fim de semana que “Trump traiu suas promessas de campanha de não fazer mais guerras”.
Esse descontentamento fermenta o que analistas chamam de “Maga Real” ou “Maga Raiz”: eleitores que se mostram indiferentes ou abertamente hostis ao presidente diante da traição de seus ideais não intervencionistas. Na internet, a indignação é resumida por influenciadores que lembram as falas de Trump em 2024, quando prometeu que o “Terceiro Mundo” não teria guerra com ele. As centenas de aniquilamentos de militares ianques e sionistas, no Iraque e nos países do Golfo, somadas aos mais de 1.300 iranianos martirizados, destroem a retórica de que o Estados Unidos não perderia “um único americano” no Oriente Médio sob a gestão republicana.
Encurralado pelo ceticismo de seus aliados e pela rejeição interna, Donald Trump reagiu com sua habitual arrogância por meio de sua plataforma digital Truth Social. Após implorar no fim de semana para que membros da OTAN, Japão e Austrália enviassem navios para abrir o Estreito de Ormuz, o presidente mudou o tom hoje, afirmando que “NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM!”. Em um ataque verbal feroz, ele classificou a OTAN como uma “via de mão única” e dispensou qualquer auxílio, alegando que as forças de repressão ianques já teriam “dizimado” a capacidade militar do Irã.
“Aliás, falando como presidente dos Estados Unidos da América, de longe o país mais poderoso do mundo, NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM!”, bravateou Trump.
Contudo, as palavras de Trump são desmentidas pelos fatos econômicos e militares. O barril de petróleo Brent encerrou o dia acima de 100 dólares, reflexo direto do fechamento prolongado de Ormuz. Enquanto Trump vocifera que o regime persa não tem “mais tiros para dar”, o Iraque negocia diretamente com Teerã a passagem de seus próprios petroleiros, ignorando a “autoridade” de Washington. O trânsito isolado do navio-tanque Karachi, de bandeira paquistanesa, com o rastreador ligado, provou que o Irã controla a via e decide quem passa, deixando o “Grande Satã” assistindo de longe à sua própria impotência diplomática.
Em um gesto que beira o ridículo, Trump usou entrevistas ao Financial Times e declarações na Casa Branca para ameaçar os próprios aliados da OTAN. Ele afirmou que a falta de navios de guerra para abrir o Estreito de Ormuz colocaria em risco o “guarda-chuva de defesa” sobre a Europa. Países imperialistas como Alemanha, Itália e Grécia já deram as costas ao pedido, classificando a guerra como um assunto que “não é da Europa”.
A autodefesa iraniana atinge o coração do agressor
Enquanto a propaganda sionista alardeia ter “desmantelado” sistemas de defesa em Tabriz e Shiraz, a realidade no terreno mostra uma resistência coordenada e letal. A IRGC confirmou ataques precisos contra a Base Aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, e terminais estratégicos como Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, o único oleoduto que tentava driblar o bloqueio de Ormuz. O novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, em sua primeira grande diretriz de política externa, rejeitou categoricamente propostas de cessar-fogo enviadas por intermediários, afirmando que “não é o momento para a paz”. Para a liderança persa, a rendição não está em pauta: o objetivo é a derrota militar dos agressores e o pagamento de indenizações pelos massacres cometidos.
A retórica de Trump sobre a saúde de Mojtaba Khamenei revela apenas o seu próprio desespero informativo. O carniceiro ianque afirmou não saber se o líder está vivo, baseando-se em boatos de que ele teria perdido uma perna em ataques a Teerã. O novo líder, embora mantenha discrição por segurança, coordena a estratégia de “guerra imposta”, em que o fechamento virtual de Ormuz já empurrou o preço do barril de petróleo para US$ 100, asfixiando os mercados globais e expondo a vulnerabilidade da infraestrutura energética dos aliados do “Grande Satã”.
