
O Irã levantou a possibilidade de abrir uma nova frente de conflito no Estreito de Bab el-Mandeb, uma via marítima crucial por onde passa cerca de 12% do petróleo global transportado por via marítima, além de uma parcela significativa de gás natural liquefeito. Essa ameaça seria uma resposta a potenciais ataques a ilhas iranianas ou território do Irã por forças americanas e sionistas, conforme relatado por uma fonte militar à agência Tasnim. Essa rota, localizada entre Djibuti, Eritreia e Iêmen, é vital para o comércio mundial de energia.
A fonte destacou que ações hostis no Golfo Pérsico ou Mar de Omã poderiam levar o Irã a iniciar “outras frentes” de combate, aumentando os custos para os adversários em vez de favorecê-los. O Irã está preparado para agir no Estreito de Bab el-Mandeb e alertou os EUA a não complicarem sua situação no Estreito de Ormuz com ações “imprudentes ou estúpidas”, com intenção de intensificar o conflito em caso de provocação.
Essa declaração remete ao incidente de Asaluyeh, no qual o Irã retaliou um ataque israelense ao campo de gás South Pars com mísseis que atingiram instalações de gás natural liquefeito no Catar. O presidente Donald Trump se distanciou do ataque, prometendo que não se repetiria, o que ressaltou a prontidão do Irã para responder a novas provocacões.
Os Houthis podem apoiar estrategicamente o Irã
Fontes da agência Tasnim afirmam que os Houthis (Ansarullah) do Iêmen, apoiados pelo Irã, estão preparados para assumir o controle do Estreito de Bab el-Mandeb como retaliação. Essa passagem estratégica conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é vital para o comércio global entre Europa, Oriente Médio e Ásia. Os Houthis já causaram interrupções significativas no Mar Vermelho desde outubro de 2023, atacando alvos israelenses em resposta aos acontecimentos em Gaza e a navios vinculados aos EUA e Reino Unido, mesmo com escoltas navais ocidentais.
A fonte destaca que os Houthis estão em estado de alerta desde o início da “Guerra do Ramadã” e têm a capacidade de fechar o estreito para punir seus inimigos, visto que o Irã detém uma ameaça credível na região. A tomada de controle por parte dos Houthis limitaria ainda mais as rotas marítimas, impactando as operações comerciais globais.
O preço a ser pago pelos imperialistas
Os efeitos do conflito no Oriente Médio estão despertando novamente nos Estados imperialistas europeus o medo de uma nova crise energética, semelhante à provocada pela invasão da Ucrânia pelo império russo em 2022. Diplomatas europeus expressam preocupação de que a Europa possa enfrentar escassez de energia no próximo mês, relacionada ao bloqueio parcial do Estreito de Ormuz e à interrupção do fluxo de petróleo e gás liquefeito. O CEO da Shell, Wael Sawan, alerta para a possibilidade de escassez de energia já nas próximas semanas, afetando o fornecimento de combustíveis como diesel e gasolina, especialmente durante a temporada de viagens de verão no hemisfério norte.
Sawan ressalta que a “estabilidade” dos países europeus está diretamente ligada à segurança energética, com o conflito no Oriente Médio impactando o abastecimento de combustíveis e podendo gerar consequências que se estendem da Ásia até a Europa.
