
Lideranças iranianas afirmaram que uma possível invasão terrestre dos Estados Unidos (EUA) à ilha de Kharg, no norte do Golfo Pérsico, resultaria em “custos elevados e consequências graves” para as tropas americanas. O comandante das forças terrestres do Exército do Irã, general de brigada Ali Jahanshahi, enfatizou que “uma guerra terrestre será mais perigosa, mais cara e irreparável para eles”, em uma clara referência aos EUA.
Essas declarações surgem em meio a relatos de que o governo liderado por Donald Trump está considerando uma operação militar para invadir e ocupar a ilha de Kharg, como forma de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio global de petróleo e gás. O cenário atual marca um aumento nas tensões entre o Irã e os EUA, com um crescente movimento militar e trocas indiretas de ameaças diplomáticas.
De acordo com informações divulgadas pela CNN, o Irã tem intensificado seus preparativos defensivos na ilha, incluindo o envio de tropas adicionais, fortalecimento dos sistemas de defesa antiaérea e instalação de barreiras no terreno. Essas ações indicam que Teerã está se preparando para uma possível ofensiva americana, planejando uma resposta coordenada em caso de invasão terrestre.
Além disso, relatórios iranianos indicam que forças especiais e unidades guerrilheiras foram posicionadas na região. Segundo a agência Mehr, essas unidades estão prontas para lançar um “ataque devastador” contra as tropas americanas em caso de invasão, sugerindo o uso de estratégias de combate assimétrico.
Segundo a CNN, “autoridades e especialistas militares dos Estados Unidos reconhecem que uma operação terrestre direta contra a ilha de Kharg apresentaria riscos significativos, incluindo a possibilidade de alto número de baixas entre as tropas americanas”. Diante da pressão interna e externa, Washington está acelerando a expansão de sua presença militar na região, com o envio de tropas altamente móveis.
Uma dessas unidades é a 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA, considerada uma unidade de elite com cerca de 18 mil paraquedistas. Aproximadamente mil militares serão enviados para o Oriente Médio, com capacidade de mobilização em até 18 horas. Esses soldados serão posicionados em países “aliados” no Golfo Pérsico, como Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Kharg e Ormuz: disputas estratégicas
A ilha de Kharg desempenha um papel central na infraestrutura energética do Irã, sendo responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Qualquer tentativa de capturá-la por forças americanas teria um impacto direto na economia iraniana e em sua participação no mercado global de energia.
Além disso, o Irã controla efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos em todo o mundo. A passagem de navios na região está sujeita à permissão da Guarda Revolucionária iraniana, com escolta militar e critérios políticos para a liberação do tráfego.
Em resposta ao controle iraniano sobre a região, os Estados Unidos também têm deslocado ativos navais para o Oriente Médio, incluindo navios de assalto anfíbio como o USS Boxer e o USS Tripoli, capazes de operar como bases móveis para o envio de tropas. Esses navios transportam cerca de 5 mil fuzileiros navais, aumentando a capacidade de projeção de força na área.
Apesar das movimentações militares, há menções a negociações indiretas por parte de Washington, embora autoridades iranianas neguem a existência de negociações formais. As propostas apresentadas por ambos os lados são consideradas “inaceitáveis”, mantendo o impasse e aumentando o risco de um conflito mais amplo na região.
