
Após um hiato de seis anos, o autor Marcelo Moutinho retorna ao universo dos contos com a obra “Gentinha”, que foi lançada na última quinta-feira (09/04), na Janela Livraria, pela editora Record.
O evento contou com uma leitura dramatizada de trechos do livro, realizada pelos atores Fabíula Nascimento e Bruce Gomlevsky. Após a apresentação, houve um diálogo mediado por Matheus Baldi, reunindo diversos profissionais da literatura, artes e edição em um ambiente acolhedor. Moutinho expressou sua saudade de escrever contos e sua preocupação com a prevalência de obras excessivamente autorreferentes, que, segundo ele, têm contribuído para o desgaste da fabulação.
A obra é composta por duas seções e explora diversas facetas da vida nas cidades brasileiras, abrangendo desde as periferias até os contextos de classe média. O autor constrói personagens que representam o cotidiano de uma nação fragmentada. “Meu objetivo foi criar figuras que são realmente do povo, aqueles referidos como ‘gentinha’ devido a fatores econômicos e culturais. Essas pessoas frequentemente são alvo do desprezo de uma elite preconceituosa, que as considera indesejáveis… Na literatura, muitas vezes elas ocupam papéis periféricos ou utilitários; eu optei por torná-las protagonistas das minhas narrativas. Afinal, quem realmente é essa ‘gentinha’?”, questionou Moutinho durante o evento.
Moutinho possui no seu portfólio 12 livros publicados, incluindo “A lua na caixa d’água”, que recebeu o Prêmio Jabuti 2022 na categoria crônica. Ele também é mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da FGV e especialista em Comunicação e Imagem pela PUC-Rio.
