No dia 26 de março, mais de 100 educadores da rede municipal de Sarandi, no Paraná, realizaram um protesto em frente à Prefeitura para exigir um aumento salarial.
A manifestação foi promovida pelo SISMUS – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sarandi. Durante o ato, os professores ressaltaram a desvalorização salarial que enfrentam e pediram o cumprimento das promessas feitas pela administração municipal. A concentração ocorreu em frente à prefeitura, onde os docentes bloquearam a rua, interrompendo o trânsito. Com o som de caixas de som, levantaram cartazes e entoaram gritos de ordem pedindo a revisão dos salários.
Os manifestantes relataram que o reajuste salarial deveria ter sido implementado em 1º de março, mas até então não havia sido realizado. Segundo a lei que estabelece o piso salarial (n° 11.738/2008), todos os servidores – ativos ou aposentados – têm direito ao ajuste anual nos seus salários. Além disso, a categoria criticou uma decisão da Câmara Municipal, aprovada em fevereiro, que aumentou os salários dos vereadores e concedeu outros benefícios, enquanto a educação local continua enfrentando dificuldades financeiras.
O comitê de apoio ao AND de Maringá esteve presente e aproveitou para entrevistar a presidente do SISMUS, Alba Soares. Ela declarou: “Estamos aqui para solicitar que o prefeito de Sarandi envie um projeto de lei referente ao reajuste salarial dos professores do município. O prazo para esse ajuste é 1º de março e todos os educadores têm direito ao mesmo piso nacional estabelecido pela lei 11.738. Hoje, dia 26, nenhum projeto foi enviado para a Câmara Municipal e nosso pagamento está previsto para o dia 30, ou seja, na próxima segunda-feira. Portanto, nossa manifestação visa pressionar o prefeito a tomar as atitudes necessárias e reivindicamos um reajuste de 5,4%. Por que ele não cumpre o que está estipulado na legislação? Parece que ele adota uma postura neoliberal similar à do Ratinho Júnior, que não concede aumento aos professores estaduais há quase sete anos.”
Após a concentração inicial, os manifestantes seguiram pela avenida Londrina, uma das principais vias da cidade. Durante o trajeto, gritavam palavras como Professor na rua, prefeito, a culpa é sua!, enquanto diversos motoristas buzinavam em apoio à causa. Ao final do ato, o SISMUS convidou todos os presentes para uma assembleia geral onde seria discutida a possibilidade de uma greve por parte dos professores.
Pela manhã do mesmo dia 26, a prefeitura divulgou uma nota informando que “A Lei Complementar n° 248/2010 que vinculava o salário dos professores ao piso nacional foi alvo de uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pela gestão anterior e considerada inconstitucional por unanimidade pelos desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná”, responsabilizando assim a administração passada pelo impasse no reajuste.
Movimentos grevistas se espalham pelo Brasil
Em Curitiba, profissionais da educação municipal sinalizaram greve programada para quarta-feira, 8 de abril. Em São Paulo, professores estaduais também planejam iniciar uma paralisação no dia seguinte (09). Simultaneamente ocorre uma greve nacional dos técnicos-administrativos que já afeta cerca de 50 universidades federais em todo o país.
Embora as reivindicações tenham suas especificidades locais, todas compartilham demandas comuns: revisão ou correta aplicação do piso salarial; cumprimento dos acordos firmados em greves anteriores (no caso dos técnicos); resistência às medidas privatizantes na educação pública; entre outras questões. Os protestos se espalham pelo Brasil e podem sinalizar um forte movimento unificado por greves nacionais na área da educação.
