Criança de três anos é baleada por policial no bairro Céu Azul, em Belo Horizonte

No último domingo de Páscoa, dia 5 de abril, uma criança de apenas 3 anos foi ferida por um tiro disparado por um policial militar durante uma abordagem violenta no bairro Céu Azul, localizado nas proximidades de Venda Nova, em Belo Horizonte.

Informações divulgadas pela mídia local através da plataforma Instagram indicam que o incidente ocorreu durante uma operação policial que coincidia com um evento voltado para as crianças. Moradores da área relataram que a abordagem foi agressiva, com os policiais intimidando os residentes e utilizando spray de pimenta em um cachorro que se encontrava no bairro.

“Os policiais chegaram aqui agredindo e usando spray. Um dos moradores os chamou de covardes porque eles atingiram um cachorro com o spray. Em resposta, eles se irritaram e, ao invés de agir corretamente, subiram um pouco a rua e atiraram, acertando o braço de uma criança”, comentou um morador em uma postagem no Instagram.

Testemunhas afirmaram que o disparo partiu de um policial militar que já demonstrava impaciência diante das críticas feitas por um residente sobre a conduta dos agentes.

A criança precisou ser submetida a uma cirurgia para a remoção do projétil que ficou preso em seu braço direito.

Indignação e impunidade

<pDiversos moradores expressaram sua indignação nos comentários e em outras declarações:

“Ele foi chamado de covarde. E qual foi sua reação? Atirou em um homem desarmado que segurava uma criança!”, afirmou um cidadão nas redes sociais.

A impunidade em relação aos policiais militares envolvidos em homicídios é uma questão amplamente reconhecida no Brasil, mesmo em situações que geram grande comoção pública, como o caso da menina Ágatha Félix, assassinada em 2019 por um policial militar no Complexo do Alemão (RJ).

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que cerca de 60% dos policiais acusados de homicídio são absolvidos pelo júri popular no país, evidenciando as falhas do sistema judiciário na proteção e legitimação dos assassinatos de pessoas em situação vulnerável.

O Movimento Feminino Popular denunciou a situação em nota após a chacina ocorrida no Complexo da Penha (RJ), onde 121 pessoas foram mortas em outubro do ano passado:

“As massas trabalhadoras das favelas cobrarão justiça por cada gota de sangue derramada. Levantar-se contra as injustiças cometidas pelo velho Estado é legítimo. Apenas as massas armadas sob a liderança do proletariado revolucionário podem canalizar sua revolta contra a violência reacionária com a luta revolucionária. A rebelião é justa! As massas fazem a história!”

“Adotamos como nosso grito de revolta aquele das mães, familiares e amigos dos moradores das favelas e periferias do Rio de Janeiro e do Brasil: esses crimes não passarão impunes!”

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