Barreira de cabelos é instalada na Baía de Guanabara para combater derramamento de óleo

  • Barreira flutuante com fios de cabelo humano é instalada na Baía de Guanabara para controlar derramamentos de óleo.
  • A nova estrutura foi colocada na Enseada de Bom Jesus, Ilha do Fundão, nesta segunda-feira (23).
  • Iniciativas Fiotrar e Orla Sem Lixo Transforma estão por trás deste projeto inovador.
  • Esta ação representa a primeira utilização dessa tecnologia em um ecossistema natural no Brasil.
  • A barreira, com 300 metros de comprimento, já acumulou resíduos e agora é capaz de absorver poluentes oleosos.
  • O manguezal da região é o principal beneficiado por essa tecnologia de contenção.

Nesta segunda-feira (23), a Baía de Guanabara recebeu uma inovadora barreira de contenção de óleo composta por fios de cabelo humano. A instalação ocorreu na Enseada de Bom Jesus, localizada na Ilha do Fundão, e foi realizada pelos projetos Orla Sem Lixo Transforma e Fiotrar, com o apoio da Fundação Grupo Boticário, visando proteger um manguezal local da poluição.

A barreira flutuante foi anexada a uma estrutura já existente e possui aproximadamente 300 metros. Originalmente destinada à retenção de resíduos sólidos, ela agora também desempenha a função de absorver poluentes oleosos, oferecendo maior proteção ao manguezal na área.

Inovação tecnológica em ambiente natural brasileiro

Esta instalação marca a estreia da utilização da barreira feita com cabelo humano em um ambiente natural no Brasil. Os rolos foram projetados pelo Fiotrar e são compostos por uma malha de algodão preenchida com fios de cabelo. A estrutura flutuante é construída com isopor, tecido, múltiplas camadas de mantas geossintéticas e coberta com lona.

Eficiência na absorção e testes anteriores

Pesquisas apontam que um único grama de cabelo tem a capacidade de absorver cerca de cinco gramas de óleo, tornando essa matéria-prima uma alternativa econômica e sustentável para mitigar a contaminação das águas. Caroline Carvalho, diretora do Fiotrar, enfatizou que a implementação na Baía de Guanabara valida anos dedicados à pesquisa e desenvolvimento, demonstrando a sinergia entre ciência, sustentabilidade e impacto social.

A instalação da barreira não ocorreu sem planejamento; foi precedida por um ano inteiro de testes. Susana Vinzon, coordenadora do projeto Orla Sem Lixo Transforma e professora na Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que essas avaliações foram cruciais para adaptar a tecnologia às condições ambientais específicas da Baía e às características das estruturas já existentes.

Colaboração pela proteção dos manguezais

A barreira original do projeto Orla Sem Lixo Transforma foi desenvolvida em colaboração com pesquisadores locais e pescadores artesanais. A integração da solução proposta pelo Fiotrar começou sua fase planejada em 2025, mediada pela Fundação Grupo Boticário, incluindo testes práticos realizados no último ano. Ambos os projetos já haviam recebido suporte em 2021 pelo Teia de Soluções – Camp Oceano.

Liziane Alberti, oceanógrafa especializada em conservação da biodiversidade pela Fundação Grupo Boticário, salientou que essa iniciativa ilustra como diferentes abordagens podem se unir para lidar com desafios ambientais complexos como a poluição nos oceanos. A fundação busca maximizar os impactos positivos por meio da união entre ciência, inovação e comunidades locais.

A proteção dos manguezais é considerada essencial para a recuperação da Baía de Guanabara. Esses ecossistemas desempenham um papel vital ao reduzir o impacto das ondas, proteger a linha costeira e contribuir para o sequestro de carbono. Com a nova barreira impedindo que óleo e resíduos sólidos alcancem as raízes das plantas e o solo, espera-se preservar uma área que serve como uma defesa natural para a baía.

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