Luta armada irlandesa intensifica confrontos contra autoridades e reafirma busca pela independência nacional

O Novo Exército Republicano Irlandês, conhecido como Novo IRA, assumiu a responsabilidade por um ataque significativo contra uma delegacia do Serviço Policial da Irlanda do Norte (PSNI) em Lurgan, situada no Condado de Armagh, na província de Ulster. A operação envolveu o transporte de um dispositivo explosivo até uma base militar severamente protegida das forças britânicas, onde o artefato foi colocado estrategicamente atrás de um muro de contenção, após ter atravessado diversas barreiras de segurança.

Em uma declaração emitida para comemorar o aniversário da Revolta da Páscoa de 1916, o Novo IRA, que se identifica apenas como Exército Republicano Irlandês, declarou que continua “comprometido com a Revolução”. Os militantes anti-imperialistas destacaram que a ação contra uma pizzaria local — cujos veículos foram utilizados para transportar o explosivo — foi realizada porque a empresa é fornecedora das forças armadas britânicas. Assim, reiteraram que qualquer forma de colaboração com os ocupantes é considerada um alvo legítimo.

Além disso, a organização enfatizou que este período recente tem sido usado para se modernizar e recrutar novos membros. “Nossa inteligência está mais afiada e nosso alcance ampliado”, afirmou o grupo. Eles também esclareceram que não buscam o conflito por capricho, mas que “não hesitarão em cumprir seu dever” revolucionário de expulsar os ocupantes.

Essa ofensiva representa mais um episódio da longa luta do povo irlandês pela plena libertação do domínio britânico. A Irlanda sempre resistiu ao controle estrangeiro, inicialmente imposto pelo colonialismo britânico e atualmente exercido pelo imperialismo inglês. O ataque realizado em Lurgan simboliza que a chama acesa durante o Levante de 1916 e alimentada pelo sacrifício dos patriotas na Guerra pela Independência ainda brilha intensamente nos corações dos irlandeses.

Uma Irlanda sob colonização contínua

A fase atual da resistência armada na Irlanda ocorre em um contexto de renascimento da combatividade anti-imperialista na Europa e da luta armada pela liberdade. Grupos como o Novo IRA estão na linha de frente dessa resistência, desafiando os destinos impostos pelo capital londrino e pelas orientações de Washington.

Conforme denunciado pela Ação Anti-Imperialista da Irlanda (AAI) e pelos Republicanos Socialistas Irlandeses (RSI) em 2020, seis condados ainda estão sob ocupação militar direta do imperialismo britânico. Essa presença garante um controle semicolonial sobre o chamado “Estado Livre” dos 26 condados ao sul, onde uma elite local gerencia a ilha em benefício da Grã-Bretanha, da União Europeia e do imperialismo americano. Os revolucionários argumentam que tanto a Inglaterra quanto os Estados Unidos não têm legitimidade para estar na Irlanda e afirmam que a única resposta digna é a resistência firme da classe trabalhadora.

O Acordo da Sexta-Feira Santa de 1998 é visto pelos setores mais progressistas do republicanismo como um acordo de capitulação que tentou transformar patriotas em criminosos. Ao longo das décadas, o Estado britânico buscou rotular a luta pela liberdade nacional como “terrorismo” ou crime comum, tentando despojar os prisioneiros republicanos de sua identidade política. No entanto, a resistência corajosa dentro das prisões — evidenciada pelos protestos dos cobertores e pelas greves de fome em 1981, onde dez irlandeses escolheram morrer a ser rotulados como criminosos — expôs as mentiras britânicas para as massas ao redor do mundo.

Avanços no movimento revolucionário europeu

Enquanto a luta armada desafia o imperialismo britânico, observa-se no continente europeu um avanço significativo nas condições subjetivas. Entre os dias 3 e 6 de abril ocorreu o marcante 12º Congresso para a Reconstituição da Juventude Comunista na França. A Federação de Jovens Comunistas da França (FJCF), criada em 1920 e dissolvida em 1945, foi oficialmente reconstituída durante um evento que reuniu centenas de militantes. Após intensos debates sobre sua linha política e estatutos, foi alcançada uma unidade significativa, sinalizando a emergência de uma nova geração revolucionária.

Cumulativamente com esses movimentos surge também um forte golpe contra o sistema global opressivo com a fundação da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI). O I Congresso da LAI contou com mais de 150 delegados representando 50 organizações oriundas de 14 países diferentes. Organizações provenientes de países imperialistas como França, Áustria, Alemanha, Espanha, Noruega, Finlândia, Suécia e Dinamarca se uniram ao chamado.

O crescimento dessas entidades é diretamente refletido pela crise do sistema imperialista e pelo fortalecimento das organizações combativas diante do acirramento das lutas de classes nas nações centrais. Essa dinâmica aliada à resistência heroica nas semicolônias cria uma situação revolucionária aguda em nível global. O cenário contemporâneo — caracterizado pela ofensiva do Novo IRA e pela estruturação da LAI — indica que o período anterior de relativa inatividade nos centros imperialistas chegou ao fim.

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