
O ator Juliano Cazarré voltou a ser tema de discussões públicas após o lançamento do evento O Farol e a Forja.
Programado para estrear em julho, o projeto busca promover debates sobre masculinidade, paternidade, espiritualidade e o papel dos homens na sociedade contemporânea. A iniciativa rapidamente gerou reações polarizadas, recebendo tanto apoio quanto críticas.
Enquanto Cazarré, natural do Rio Grande do Sul e residente no Rio de Janeiro, menciona um “vazio” na masculinidade e a urgência de restaurar certos valores, alguns membros da comunidade artística e especialistas consideram que suas falas refletem posturas conservadoras e problemáticas. Isso ocorre especialmente em um momento em que questões como igualdade de gênero e violência contra mulheres são extremamente relevantes no Brasil.
Pai de seis filhos – quatro meninos e duas meninas –, Cazarré reconhece que antecipava resistência ao seu projeto, mas decidiu seguir em frente.
Em entrevista à VEJA RIO, ele compartilha suas reflexões sobre o evento, responde às críticas que recebeu e elucida sua visão sobre a masculinidade nos dias atuais.
Você estava ciente de que o lançamento do evento causaria controvérsia. O que o motivou a prosseguir com ele?
A reação foi mais intensa do que eu esperava. Fiquei surpreso com a capacidade de algumas pessoas de expressar ódio sob a bandeira do amor.
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Como você lida com as críticas vindas de colegas da sua área?
<spanEles têm todo o direito de expressar suas opiniões. Embora eu discorde e considere algumas dessas reações precipitadas e imaturas, acredito que é fundamental garantir a liberdade de expressão para todos.
Quais comportamentos você considera importantes para um pai exemplificar para seus filhos?
É essencial tratar bem a parceira para que os filhos aprendam a respeitar suas esposas no futuro, assim como para que as filhas tenham um modelo positivo de marido quando se casarem.
Quais são os princípios que você segue na educação das suas filhas?
<spanO desafio é similar, embora haja particularidades. Estar presente na vida delas é crucial, assim como transmitir valores saudáveis e incentivar virtudes. O pai deve agir como um pastor: gentil com as “ovelhas” e firme diante dos “leões”.
Diante do aumento alarmante dos feminicídios no Brasil em 2025 — com quatro mulheres assassinadas por dia — você não teme que um evento focado na força masculina possa agravar essa situação?
<spanEssa indagação, assim como aqueles que utilizaram esses dados para caracterizar o evento como perigoso, é totalmente absurda. O elevado número de homicídios contra mulheres é resultado de décadas sob administrações progressistas e da complacência da Justiça com os criminosos. Nosso objetivo é formar homens melhores. A responsabilidade pelos feminicídios recai sobre o governo atual e seus apoiadores.
Pensa em entrar para a política algum dia? Não. Meu desejo sempre foi atuar em filmes, novelas e peças teatrais; no entanto, a atual situação do Brasil me leva a querer fazer algo além disso. O Farol e a Forja representa esse meu esforço adicional.
