Alunos da UFSC criticam ilusão em evento arqueológico

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Um evento de arqueoastronomia realizado em Florianópolis, que abordou temas como falsas informações arqueológicas, misticismo associado a gravuras rupestres, e a farsa relacionada ao Caminho do Peabiru, gerou uma Nota de Repúdio por parte dos alunos do curso de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O protesto formalizado pelo Centro Acadêmico Livre de História (CALH) critica a I Conferência de Arqueoastronomia: Conexão entre o Mar, a Terra e o Céu, apontando o Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA) como responsável por práticas anticientíficas e mercantilistas.

A organização, que foi co-promotora do evento junto à UFSC, é vista pelos estudantes como possuindo um histórico problemático em relação à arqueologia na costa catarinense.

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Peabiru na propaganda bolsonarista

A conferência fez uso da narrativa sobre o Caminho do Peabiru em Santa Catarina, incluindo ramais nas cidades de Joinville e Garuva, já denunciada anteriormente por veículos críticos ao governo atual.

A questão foi abordada em uma mesa redonda programada para o dia 22 de setembro, durante o penúltimo dia do evento que ocorreu entre os dias 18 e 23 deste mês. O palestrante Ricardo Tiburtius Logullo estava escalado para discutir sua tese sobre um suposto Peabiru fictício na região com “influência inca”, a qual é contestada por laudos do Ministério Público Federal.

A proposta defendida por Ricardo inclui afirmações sobre “ocorrências em rochas”, as quais também carecem de embasamento científico.

Narrativa distorcida

O engenheiro Ricardo integra um grupo liderado pelo vereador Henrique Deckmann (MDB), que tem promovido uma narrativa distorcida sobre uma ramificação fictícia do ancestral Caminho do Peabiru.

Laudos sigilosos do MPF criticaram suas ações publicitárias relacionadas à Arqueologia em SC, apontando falta de rigor científico nas suas falas públicas que sustentam a ideia de influência peruana na região.

Resumo da Nota

A Nota de Repúdio contra a desinformação e o apagamento da história indígena em Santa Catarina recebeu apoio de intelectuais e líderes indígenas. Em suma, os estudantes enfatizam:

  • Rejeição total a um evento fundamentado em teorias conspiratórias e desconsideração das territorialidades indígenas;
  • O IMMA é acusado de criar e disseminar teorias enganosas sobre vestígios arqueológicos na região;
  • A organização atua como uma microempresa informal que explora comercialmente sítios arqueológicos através de visitas pagas;
  • Sua abordagem envolve elementos místicos que atraem tanto o público geral quanto autoridades locais;
  • A proposta de arqueoastronomia tem contribuído para a desinformação acerca da história indígena ao promover teorias sobre supostas influências fenícias e templárias.

A nova reitoria é cúmplice?

Os alunos expressaram perplexidade com a realização desse evento considerado inepto dentro da UFSC, uma instituição reconhecida pela sua excelência.

No entanto, as razões para essa parceria ficam claras ao observar o perfil político do reitor Amir de Oliveira Jr., que assumiu recentemente o cargo. Embora tenha se posicionado como neutro durante as eleições, foi percebido como alinhado à direita.

Em entrevista recente à rádio CBN, ele afirmou sua adesão ao capitalismo no sistema educacional, contradizendo sua imagem anterior como um reitor sem ideologia.

‘Escolinha da WEG’?

A nova administração parece estar sendo poupada das críticas abertas provenientes dos três segmentos que participaram da eleição – professores, alunos e funcionários – devido ao curto espaço desde sua posse.

No entanto, há insatisfação crescente entre os estudantes a respeito da introdução de práticas empresariais na gestão da universidade pública.

Muitos comentam sobre uma conexão quase pessoal do reitor com uma grande empresa catarinense, especulando sarcasticamente se a UFSC não estaria se tornando uma “escolinha da WEG”.

Rosana Bond é escritora e jornalista com vasta experiência em temas latino-americanos e direitos dos povos indígenas. É autora de mais de vinte livros sobre esses assuntos.

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