Estudantes protestam em Minas Gerais pela reabertura dos Restaurantes Universitários da UFMG

No dia 3 de setembro, um grupo de estudantes, tanto independentes quanto de entidades estudantis, promoveu um ato na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) exigindo a reabertura dos Restaurantes Universitários (RUs) I e II para as refeições do café da manhã e do jantar. A mobilização teve como foco a crítica à precariedade da assistência estudantil e a demanda por condições mais favoráveis para a permanência dos alunos na instituição.

A realização do protesto foi motivada por uma decisão imposta pela Fundação Mendes Pimentel (FUMP), entidade privada responsável pela gestão dos recursos destinados à assistência estudantil que são repassados pela UFMG. De maneira considerada arbitrária e antidemocrática, a fundação anunciou aos alunos que o jantar seria transferido de local, assim como o café da manhã, impactando uma significativa quantidade de estudantes no campus.

Denúncia sobre condições inadequadas na assistência estudantil

Essa nova medida gerou um intenso debate dentro da universidade, evidenciando a fragilidade da assistência estudantil. Atualmente, apenas um restaurante está disponível para o jantar e um único restaurante serve o café da manhã, resultando em limitação do acesso às refeições e beneficiando apenas uma parte dos estudantes.

Após as denúncias iniciais, os alunos começaram a levantar outras reivindicações. Além da reabertura dos dois restaurantes para todas as refeições, foram apontadas questões como a baixa qualidade das refeições oferecidas, o custo de R$ 5,60 considerado elevado por muitos alunos, a ausência de transporte interno no campus e a falta de iluminação adequada durante a noite.

Com o descontentamento crescente entre os estudantes, diferentes movimentos organizaram um abaixo-assinado solicitando a reabertura dos dois Restaurantes Universitários. Em uma declaração conjunta, essas entidades independentes criticaram a falta de democracia na universidade e conectaram sua luta pela alimentação à defesa do co-governo estudantil.

As organizações afirmaram: “É inaceitável que apenas o RU I esteja disponível para o jantar para estudantes das unidades próximas à Carlos Luz. Essa mudança viola os direitos dos alunos dos outros prédios adjacentes ao RU I, como FaE, FALE, FAFICH e FACE, que ficarão impossibilitados de se alimentar adequadamente à noite ou chegarão muito atrasados às aulas.”

Além disso, os estudantes enfatizaram que muitos colegas acabam abandonando seus cursos devido às péssimas condições de permanência na universidade. “A SOLUÇÃO É A LUTA!”, exclamaram. “Não devemos mais aguardar promessas; queremos ações concretas! Não podemos continuar passivos enquanto amigos e colegas desistem por não suportar as dificuldades enfrentadas em nossa universidade.”

As organizações também destacaram que enquanto lutam pela permanência estudantil, recursos públicos estão sendo direcionados para atender interesses das grandes mineradoras e do agronegócio. Elas convocaram estudantes, professores e servidores para se unirem contra essa medida e fortalecerem a luta por autonomia universitária, gratuidade do ensino e co-governo estudantil “para que possamos ter voz ativa sobre nossa universidade e construir uma instituição voltada para o povo”.

Ato mobiliza estudantes e coleta diversas assinaturas

Após a divulgação da data do ato, a FUMP optou por adiar a implementação das mudanças para 10 de outubro. Contudo, isso não fez com que os estudantes desanimassem. Um grupo com cerca de dez alunos de diferentes cursos distribuiu panfletos com suas reivindicações e coletou centenas de assinaturas.

No decorrer do ato, os estudantes relataram novas queixas referentes às condições dos Restaurantes Universitários. Entre as reclamações estavam a qualidade insatisfatória das refeições noturnas em comparação ao almoço, além da falta de feijão nas opções servidas e relatos de larvas na salada junto com pedras e outros “ingredientes extras” – expressão utilizada pelos alunos para criticar ironicamente essa situação.

A segurança patrimonial foi chamada durante o evento e alguns agentes usavam balaclavas com intuito de intimidar os manifestantes. Como resposta imediata à ação intimidatória, uma faixa foi colocada acima do Restaurante Universitário com as palavras: “Pela Abertura dos 2 R.U.s! Abaixo a Burocracia Universitária! Pelo Co-Governo Estudantil!”.

Diversas organizações estudantis anunciaram planos para novas atividades mobilizadoras visando reverter essa situação e intensificar a luta pela assistência estudantil na UFMG.

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