Pichações e cartazes que evidenciam os crimes cometidos contra os agricultores de Rondônia e que apoiam a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) têm gerado indignação no controverso Régis Braguin. O ex-comandante da Polícia Militar de Rondônia (PM-RO) e atual candidato a deputado federal pelo Republicanos tenta transformar essas denúncias em uma estratégia eleitoral de extrema-direita, apresentando-se como uma vítima e vinculando a organização camponesa a movimentos em prol da Revolução Agrária que se alastram pelo Brasil.
Na imprensa rondoniense, veículos conhecidos por sua abordagem sensacionalista amplificam o desespero do coronel. O Extra de Rondônia, em uma matéria publicada em 26 de setembro, incluiu relatos de ameaças no Pará e no Rio de Janeiro, embora tenha reconhecido que a relação com a LCP não havia sido confirmada por fontes independentes. No dia seguinte, o Rondoniagora divulgou as declarações de Braguin sobre o endurecimento das leis contra ocupações de terras, aproveitando as alegações em seu favor para prometer ainda mais serviços ao latifúndio.
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No material publicitário, Braguin é retratado diante de um espelho preparando munições e vestindo um colete à prova de balas. A equipe criativa da campanha do coronel tem produzido cenas que lembram clichês de séries policiais americanas, enquanto ele busca afastar a atenção dos camponeses assassinados para exibir seu lado “heróico” diante das pichações.
“Hoje estou fazendo reuniões usando colete balístico”, afirma ele durante sua encenação que culmina com a promessa de ir “para o combate em Brasília”. Durante essa performance, tenta arrastar o “trabalhador desarmado” para um papel secundário agradecido ao seu suposto “protetor”. As famílias da Área Valdiro Chagas conhecem bem o tipo de “proteção” oferecida por Braguin, que inclui helicópteros e disparos que resultaram na morte covarde do camponês Raimundo Nonato.
No dia 8 de agosto de 2025, sob as ordens de Braguin, mercenários do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) invadiram a localidade em Machadinho D’Oeste e assassinaram brutalmente Raimundo Nonato. A Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta (ABRAPO) denunciou voos rasantes e disparos aterrorizantes que impactaram as famílias locais. Os moradores recordam que Raimundo procurava terra para trabalhar com seus familiares quando foi morto enquanto fazia segurança para seus companheiros.
Braguin rapidamente usou as redes sociais para caracterizar essa execução como uma “vitória”. Ele expressou surpresa ao encontrar barricadas e pontos estratégicos que considerou serem “estruturas guerrilheiras”, descrevendo a área camponesa como um “território guerrilheiro”. Essa narrativa alimentou sua cruzada contra a LCP. Posteriormente, já fora do comando, defendeu o uso de operações “contraguerrilha” contra os grupos armados associados à organização.
Em uma entrevista à TV Norte Rondônia, afiliada do SBT, realizada em maio passado, Braguin mencionou que a intensificação do patrulhamento rural havia proporcionado mais recursos para perseguir aqueles ligados à LCP. Ele também defendeu a criação de uma força contraguerrilha e tratou as mortes ocorridas nas operações como meras “neutralizações”.
A mesma distorção permeia sua campanha eleitoral. Em outro material promocional, Braguin disparou contra alvos marcados com as siglas “CV”, “PCC” e “LCP”, tentando equiparar a organização camponesa a facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas. Anteriormente, ele já havia sugerido que a Liga deveria ser considerada uma organização terrorista.
Servilismo ao latifúndio
A devoção de Braguin aos interesses dos latifundiários é antiga. Ele mesmo afirma combater a LCP desde sua atuação na região de Buritis em 2010. Em nota comemorativa pelos 31 anos da Heroica Resistência Camponesa de Santa Elina, a Comissão Nacional das Ligas Camponesas Pobres denunciou que ele organizava folgas para policiais prestarem serviços ilegais para latifundiários na região.
A organização alegou ter acesso a um relatório interno da PM-RO sobre essas atividades irregulares e denunciou que Braguin recebia R$500 diários por policial empregado enquanto repassava apenas R$200 aos agentes envolvidos. Segundo as denúncias, o defensor da segurança pública ainda lucrava com essas práticas corruptas.
Os cartazes e pichações que tanto irritam Braguin são um reflexo dessa trajetória sinistra. Entre as mensagens está uma declaração contundente contra os coronéis PM-RO Marcos Rocha e Braguin como “assassinos pau-mandado do latifúndio”, clamando pela Revolução Agrária e exaltando os mortos pela violência estatal.
Braguin ficou alarmado ao se deparar com pichações denunciando suas ações até mesmo no Rio de Janeiro e publicou fotografias nas redes sociais sobre isso. Em entrevista ao Direito e Saúde Podcast, mencionou ter encontrado panfletos com sua imagem rotulada como “comandante assassino”, interpretando isso como magia negra ou feitiçaria.
Nessa conversa reveladora, ele ameaçou identificar apoiadores das denúncias contra ele afirmando já conhecer alguns nomes e prometeu agir contra eles. Reclamou ainda da chamada “narrativa da LCP”, que busca expor os crimes cometidos pela polícia no campo.
A tentativa intimidatória acabou falhando completamente. As campanhas pela Revolução Agrária proliferaram pelo Brasil enquanto Braguin foi destituído do comando-geral em janeiro deste ano após denúncias públicas sobre violência doméstica e embriaguez ao volante surgirem na mídia. Na Resenha Política, ele admitiu que sua saída não foi voluntária e comentou sobre sua recusa em realizar testes alcoólicos durante blitzes policiais.
Ainda assim, Braguin expressou preocupação não pelas acusações em si mas sim por quem havia vazado informações sobre sua infração ou episódios relacionados à violência doméstica.
No programa A Voz do Povo, defendeu publicamente que os direitos legais fossem negados àqueles considerados terroristas — ironicamente contradizendo suas próprias exigências por ampla defesa quando se trata dele mesmo — revelando assim seu verdadeiro desejo de silenciar vozes críticas.
Solidariedade global à luta camponesa
Diversos registros divulgados no blog Servir ao Povo indicam um crescente apoio à LCP por parte de democratas e revolucionários em várias regiões do Brasil e do mundo contra os crimes perpetrados pela PM-RO sob o comando de Braguin. Esse movimento abrange centenas de manifestações solidárias nas cinco regiões brasileiras incluindo cidades como Manaus, Recife e São Paulo.
A mobilização já dura mais de um ano e ganhou força após o assassinato recente de Raimundo Nonato levando à solidariedade na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul entre outras instituições educacionais brasileiras.
A repercussão internacional também é notável com ações organizadas pela Juventude Comunista na França além de manifestações na Finlândia onde cantaram hinos da Liga dos Camponeses Pobres.
A solidariedade internacional ressoa com o apoio à resistência camponesa ocorrida entre os anos anteriores nas esferas políticas globais envolvendo países como Alemanha, Áustria entre outros países onde foram levantadas bandeiras da LCP denunciando abusos sistemáticos sofridos pelos trabalhadores rurais brasileiros.
Ao tentar se apresentar como vítima das denúncias atuais feitas pela LCP, Braguin paradoxalmente acaba reforçando as mensagens críticas às suas ações violentas no passado — evidenciando ainda mais seu papel controverso dentro desse contexto social tumultuado.
