O óleo residual após o preparo de alimentos pode ser reciclado em vez de ser descartado no ralo da pia. Em Niterói, a Universidade Federal Fluminense (UFF) possui três campi que estabelecem pontos para a coleta de óleo de cozinha usado, com o intuito de reutilizá-lo na fabricação de sabão e outros produtos de limpeza. A ação é voltada tanto para a comunidade acadêmica quanto para os moradores da região.
Os locais de coleta estão situados nos campi do Gragoatá, Valonguinho e Praia Vermelha, fazendo parte do Projeto Omìayê, uma iniciativa do Instituto Singular – Ideias Inovadoras (ISII). Após mais de um ano em funcionamento, a parceria com a universidade foi renovada.
Conforme informações do projeto, a coleta realizada pela UFF já ajudou a evitar a contaminação de mais de 1 milhão de litros de água. Essa cifra é baseada na estimativa que indica que um litro de óleo descartado incorretamente pode poluir até 25 mil litros d’água — não se trata de uma medição direta da água recuperada.
Locais para entrega do óleo de cozinha usado em Niterói
A iniciativa estabelece pontos de recebimento nos seguintes campi da UFF:
- Campus do Gragoatá;
- Campus do Valonguinho;
- Campus da Praia Vermelha.
A participação está aberta a estudantes, professores, funcionários e também aos moradores nas proximidades. O objetivo da renovação da colaboração é promover o hábito de separar o resíduo e encaminhá-lo para reaproveitamento.
A divulgação não especifica os edifícios onde estão localizados os coletores, os horários disponíveis ou as condições para entrega. Antes de ir até um ponto, é recomendável verificar essas informações diretamente no site do projeto Omìayê.
Gabriel Pizoeiro, diretor do ISII, enfatiza que a contribuição começa com uma mudança simples na rotina diária das pessoas.
“Desejamos que um número crescente de integrantes da comunidade acadêmica adote o hábito de armazenar o óleo usado e levá-lo aos pontos designados. É uma atitude fácil que impede que esse resíduo chegue ao esgoto e às fontes hídricas, ao mesmo tempo que possibilita sua transformação em novos produtos”, declara.
Destinos do óleo coletado na UFF
Após a coleta, o óleo é enviado à EcoFábrica Omì, situada na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Lá, o material passa por processos que permitem sua transformação em matéria-prima para produtos como ecosabão, detergente e lava-roupas. Esses produtos são distribuídos gratuitamente aos habitantes da própria comunidade.
As formulações incluem microrganismos biorremediadores, utilizados para reduzir poluentes. A tecnologia desenvolvida é resultado de uma parceria com a UFF.
A colaboração também envolve estudantes que participam em pesquisas e testes relacionados a novas formulações. Entre os itens elaborados estão detergente líquido e lava-roupas, submetidos a rigorosos controles de qualidade que avaliam pH e viscosidade.
Dessa forma, o percurso do resíduo conecta a coleta em Niterói ao reaproveitamento e à distribuição dos produtos na comunidade carioca.
Cálculo do impacto sobre a água
A cifra superior a 1 milhão de litros atribuída à coleta na UFF representa uma estimativa sobre contaminação potencial evitada.
Esse cálculo se baseia na referência utilizada pelo projeto: um litro de óleo descartado inadequadamente pode contaminar até 25 mil litros d’água.
É importante esclarecer essa distinção; embora indique o impacto potencial do descarte impróprio, não significa que a ação tenha removido óleo diretamente contaminando volumes específicos de água ou tratado essa quantidade.
Ademais, é relevante diferenciar os resultados obtidos nos pontos da universidade dos dados gerais do Omìayê. Os 8.464 litros de óleo reaproveitados desde o início da iniciativa referem-se à atuação mais abrangente do projeto, englobando mais atividades além das coletas nos três campi.
Acompanhamento dos resultados por pesquisadores na Mangueira
Além da participação no desenvolvimento dos produtos, a UFF auxilia na avaliação das tecnologias empregadas nas estações comunitárias localizadas na Mangueira.
De acordo com o projeto, estudos realizados antes e depois da aplicação dos bioprodutos mostraram neste ano:
- Redução de 65% na Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO);
- Redução de 57% na Demanda Química de Oxigênio (DQO);
- Diminuição da concentração de coliformes termotolerantes em 61 vezes.
Esses resultados derivam dos parâmetros laboratoriais monitorados e não devem ser confundidos com medições sobre o volume total tratado no esgoto, cuja avaliação é dificultada pela falta de infraestrutura no local.
Para Cíntia Albuquerque, professora adjunta de Ciências Contábeis e uma das coordenadoras pela UFF dessa ação, essa parceria aproxima as pesquisas às necessidades enfrentadas pela população.
“A ciência não deve se restringir apenas aos laboratórios ou artigos acadêmicos; ela precisa interagir com as questões concretas da sociedade e contribuir para sua solução sempre que possível”, afirma.
Como colaborar com a coleta
Moradores de Niterói têm agora a chance de integrar à sua rotina a separação do óleo usado e utilizar os pontos disponíveis nas universidades.
O projeto visa aumentar ainda mais a participação popular através da continuidade dessa colaboração. Informações adicionais sobre essa iniciativa podem ser consultadas no site oficial do Omìayê, incluindo detalhes sobre as condições necessárias antes da entrega do material.
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