Estudantes americanos se unem em sete cidades de três estados em apoio à Palestina

No dia 7 de outubro, estudantes do ensino médio, universitários e jovens trabalhadores realizaram protestos em apoio à Resistência Nacional Palestina em sete cidades espalhadas por três estados dos Estados Unidos: Seattle, Bellevue, Tacoma e Bellingham (Washington); Los Angeles e Oakland (Califórnia); e West Lafayette (Indiana). Organizadas por grupos da juventude revolucionária, as manifestações incluíram saídas coletivas das aulas, marchas, discursos e protestos contra o apoio governamental e das instituições educacionais à ocupação da Palestina.

As entidades envolvidas caracterizaram os atos como celebrações do terceiro aniversário da operação conhecida como Dilúvio de Al-Aqsa, realizada em 7 de outubro de 2023. Durante os eventos, foi expresso um apoio incondicional à Resistência Nacional Palestina. As demandas apresentadas abrangiam a retirada de investimentos de empresas ligadas à guerra, o término de acordos com fabricantes de armas e o fim da repressão contra estudantes e trabalhadores que defendem os direitos palestinos.

NAVI e a mídia conservadora atacam a organização estudantil

As mobilizações também foram alvo de uma campanha de criminalização promovida pelo Instituto de Valores da América do Norte (NAVI), vinculado ao lobby sionista. Em um relatório divulgado no dia 30 de setembro, o instituto mencionou a formação de seções juvenis em diversos estados, suas conexões com a Frente Anti-imperialista dos EUA e a LAI, além da defesa por um Partido Comunista marxista-leninista-maoista. A entidade caracterizou essa organização política como tendo vínculos com “grupos terroristas”.

No dia 7 de outubro, a Townhall publicou uma matéria escrita por Amy Curtis, direcionada aos pais dos alunos. O artigo trouxe declarações de Josh Weiner, diretor estratégico do NAVI: “Esses secundaristas estão conectados a uma rede de adultos que promove abertamente a violência”. Curtis chegou a rotular as manifestações como “comportamento radical e terrorista”, acompanhando sua narrativa com imagens das mobilizações estudantis.

Entretanto, o próprio NAVI reconheceu a magnitude das manifestações. Em um balanço publicado no dia 8 de outubro, o instituto destacou que “centenas de estudantes do ensino médio e fundamental” participaram dos atos. O relatório incluiu registros das cidades Seattle, Los Angeles e Oakland e expressou preocupação com o ingresso dos jovens nas organizações. Ao final, tentaram deslegitimar a solidariedade estudantil ao equipará-la à simpatia por organizações classificadas como terroristas pelo governo americano.

No mesmo dia, a rádio 570 KVI tentou minimizar o impacto da jornada ao afirmá-la como um fracasso e atacou as contas responsáveis pela convocação como “marxistas, comunistas, socialistas e apoiadoras do terror”. A emissora elogiou distritos escolares que mantiveram os alunos dentro das salas durante as manifestações.

A KVI utilizou uma foto que mostrava uma pequena concentração no pátio da Universidade de Washington ao meio-dia para sustentar suas alegações sobre esvaziamento. Contudo, esse registro não correspondia ao evento programado para as 12h45 no Parque Cal Anderson. Por outro lado, balanços da Juventude Revolucionária indicaram centenas de participantes em 24 instituições educacionais no estado.

A pressão sobre o movimento também se manifestou nas escolas. Segundo informações da própria KVI, após contato do apresentador Ari Hoffman com a diretora da Escola Meany (ensino fundamental), uma carta foi enviada às famílias informando que as saídas coletivas não eram permitidas. O comunicado advertiu sobre faltas injustificadas e proibiu funcionários de iniciar ou participar dos protestos estudantis.

Seattle: marchas em Capitol Hill

No estado de Washington, centenas de alunos abandonaram aulas em 24 instituições educacionais conforme relatado pela Juventude Revolucionária local. Os convites para os walkouts, termo usado para designar essas saídas coletivas das aulas, circularam amplamente entre escolas e universidades nas semanas anteriores.

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A manifestação na cidade ocorreu no Parque Cal Anderson no bairro Capitol Hill após os alunos deixarem suas aulas. A Juventude Revolucionária organizou o ato que denunciou o genocídio do povo palestino apoiado pelo governo americano por meio do financiamento militar. Os participantes exibiram bandeiras vermelhas junto com faixas da organização enquanto gritavam palavras-de-ordem como “Rebelar-se é justo!”.

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