Fígado em foco: hábitos saudáveis e prejudiciais para seu bem-estar

O corpo humano pode ser comparado a uma orquestra bem afinada, onde a harmonia entre os órgãos e suas funções revela um equilíbrio impressionante. Dentre os vários órgãos essenciais, é importante ressaltar o papel fundamental do fígado. Este órgão desempenha diversas funções vitais, como a filtragem do sangue, a regulação dos níveis de glicose, o armazenamento de energia e um papel crucial na digestão.

A má alimentação, a falta de atividade física e outras condições de saúde são fatores que podem levar ao surgimento de doenças hepáticas e câncer no fígado, problemas que têm aumentado em muitos países, incluindo o Brasil.

Felizmente, muitas doenças do fígado podem ser prevenidas ou até mesmo revertidas com simples mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida. A seguir, estão algumas orientações sobre o que pode ser benéfico e quais práticas devem ser evitadas.

PRÁTICAS PREJUDICIAIS

Excesso no consumo de álcool

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A ingestão frequente de bebidas alcoólicas, aliada a disfunções metabólicas ou à combinação dessas circunstâncias, pode resultar na doença hepática esteatótica. Esse quadro leva ao acúmulo de gordura no fígado e pode evoluir para inflamação ou cirrose. Para aqueles com condições metabólicas, como diabetes tipo 2 ou hipertensão, mesmo o consumo moderado de álcool pode intensificar os danos hepáticos. O “binge drinking”, caracterizado por consumir cinco ou mais doses em uma única ocasião, é especialmente nocivo. Pacientes com doenças hepáticas avançadas devem evitar completamente o álcool; já em casos leves ou na ausência de problemas hepáticos, até uma dose diária pode ser considerada aceitável — embora o ideal seja abster-se totalmente.

Consumo excessivo de açúcar

O açúcar é um dos principais responsáveis pela formação de gordura no fígado. Quando consumido em excesso, “o mecanismo fica sobrecarregado”, resultando em estresse nas células hepáticas. A resistência à insulina gerada pelo consumo crônico e exagerado de açúcar também favorece o acúmulo de gordura nesse órgão.

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Diversos estudos associam um elevado consumo de açúcar — particularmente aquele presente em bebidas açucaradas — à doença hepática esteatótica vinculada à disfunção metabólica. Açúcares adicionados, como o xarope de milho rico em frutose encontrado em muitos produtos ultraprocessados e refrigerantes, são especialmente prejudiciais ao fígado. As diretrizes recomendam que mulheres limitem sua ingestão a 25 gramas diárias e homens a 36 gramas.

Confiança excessiva em suplementos

Muitos pacientes indagam sobre limpezas hepáticas e desintoxicações através de suplementos. No entanto, há escassas evidências que comprovem os benefícios desses produtos para o fígado. O próprio fígado é altamente eficiente na desintoxicação do organismo e não necessita de intervenções externas para funcionar bem.

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PRÁTICAS SAUDÁVEIS

Realizar exercícios físicos e manter peso adequado

A perda de peso pode auxiliar na diminuição da gordura acumulada no fígado, além da inflamação e cicatrização (fibrose) desse órgão. Mesmo uma redução modesta de apenas 3% no peso corporal pode melhorar os indicadores relacionados à saúde hepática; porém, uma queda maior que 10% é necessária para reverter cicatrizes.

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Uso responsável de medicamentos para emagrecimento

A pesquisa científica continua avançando com alternativas para ajudar pacientes na perda e controle do peso – como as conhecidas “canetinhas”. Estas medicações já foram aprovadas para tratar formas avançadas da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. Contudo, seu uso deve sempre estar aliado à prática regular de exercícios físicos, especialmente treinamento resistido; isso porque a perda muscular pode comprometer os resultados em pessoas afetadas pela condição. É recomendado realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividades aeróbicas juntamente com sessões de musculação duas vezes por semana para reduzir gordura abdominal e resistência à insulina.

Adoção da dieta mediterrânea

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A dieta mediterrânea — rica em frutas frescas, vegetais, peixes e leguminosas e com abundância em gorduras saudáveis — tem mostrado eficácia na diminuição do risco cardiovascular; essa condição é uma das principais causas mortais entre indivíduos com doença hepática não alcoólica. Essa dieta apresenta baixos níveis de gorduras saturadas provenientes da carne vermelha, laticínios e óleo de palma, substâncias que podem elevar a gordura no fígado.

Manter controle regular com profissionais da saúde

As hepatites B e C figuram entre as principais causas das doenças hepáticas globalmente. Todos os adultos devem realizar testes para hepatite C pelo menos uma vez na vida e se vacinar contra hepatite B caso não tenham recebido previamente a vacina. Aqueles diagnosticados com diabetes tipo 2 devem dialogar com seus médicos sobre exames que avaliem a rigidez do fígado — um indicativo da progressão das doenças hepáticas.

Fazer check-ups regulares

A realização frequente de exames clínicos ajuda na detecção precoce de doenças crônicas ainda em estágios iniciais. Quando identificadas nessa fase inicial, aproximadamente 90% das condições possuem chances favoráveis para tratamento eficaz — incluindo as doenças hepáticas.

A saúde é promovida por meio da prevenção!

Gilberto Ururahy atua como diretor médico na MedRio Check-up e SP Check-up; é portador da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, membro honorário da Academia Brasileira de Medicina Reabilitação e autor reconhecido por diversos livros focados na Prevenção e Promoção da Saúde.

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