Receita Federal associa R$ 80 milhões do Master à cônjuge de Moraes

Documentos fiscais da Receita Federal, que foram enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada ao “Crime Organizado”, revelam que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recebeu aproximadamente R$ 80 milhões do Banco Master entre os anos de 2024 e 2025. Essa informação, que surgiu no contexto das investigações sobre o banco, intensificou a pressão sobre o STF e se tornou um dos principais desdobramentos do caso.

A CPI recebeu dados que indicam que os repasses ocorreram ao longo de dois anos, decorrentes de um contrato que previa pagamentos mensais e poderia totalizar até R$ 131 milhões até 2027. A defesa do escritório alega que as informações são “incorretas” e denuncia um “vazamento indevido de dados fiscais”. Entretanto, a inclusão dessa situação nos trabalhos da comissão fez com que o tema ganhasse destaque nas discussões.

O progresso das investigações resultou na elaboração de um relatório pela CPI, que solicita o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Além disso, recomenda que magistrados mencionados se declarem impedidos de atuar em processos relacionados ao Banco Master. O documento também menciona possíveis omissões por parte dos responsáveis pela supervisão do caso, incluindo o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por falhas na gestão das investigações.

Estabelecida no final de 2025, a “CPI do Crime Organizado” passou a ter acesso a informações financeiras e fiscais anteriormente não divulgadas ao público, incluindo dados da Receita Federal. A partir dessas informações, surgiram registros que ampliaram o escopo das investigações além das operações do banco, atingindo diversas esferas do poder institucional.

Entre as descobertas mais recentes estão os pagamentos realizados pelo Banco Master a consultorias associadas a ex-presidentes do Banco Central como Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan. Esses repasses superam R$ 25 milhões entre os anos de 2022 e 2025, conforme os dados apresentados durante os trabalhos da CPI.

A atuação do Banco Central é uma das mais questionadas no desenrolar desse caso. O presidente Gabriel Galípolo foi ouvido pela CPI e suas respostas foram consideradas evasivas pelos parlamentares quando questionado sobre a supervisão da situação do banco. Um dos assuntos levantados durante sua audiência foi o potencial impacto sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo criado pelos próprios bancos para proteger depósitos dos clientes em caso de falência das instituições financeiras.

As estimativas apresentadas na comissão sugerem que um eventual colapso do Banco Master poderia causar um impacto significativo de até R$ 52 bilhões no FGC. Isso levanta dúvidas quanto à eficácia dos órgãos responsáveis pela supervisão e fiscalização diante da expansão das atividades do banco.

No âmbito executivo, as novas revelações levaram a direção do PT a adotar uma postura voltada para “contenção de danos”. De acordo com reportagens veiculadas pela CNN Brasil, membros do governo passaram a trabalhar para “evitar qualquer associação direta com personagens ou operações ligadas ao Master”, considerando os efeitos políticos potencialmente desastrosos em um ano eleitoral.

As informações divulgadas acerca deste caso também geraram reações nas próprias instituições. No STF, alguns ministros começaram a contestar publicamente as ações da CPI após a divulgação do relatório. O ministro Gilmar Mendes foi um deles; ele descreveu em sua conta no X como um “erro histórico” tentar vincular membros da Corte ao escândalo e rejeitou qualquer hipótese de suspeição. Mendes ainda afirmou que o caso Master exige uma reflexão mais abrangente sobre as funções dos poderes e as atribuições das comissões parlamentares de inquérito. Contudo, as revelações recentes sugerem que essa reflexão pode ir além das considerações feitas pelo próprio ministro.

A opinião pública reflete esse clima de desconfiança. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha entre os dias 7 e 9 de abril indica que 55% dos brasileiros acreditam que o Supremo Tribunal Federal está envolvido no caso Master de alguma forma. Esse dado evidencia tanto as consequências das investigações quanto a falta de confiança da população nas instituições tradicionais.

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