
No último dia 27 de abril, a cidade de Juiz de Fora testemunhou uma série de protestos organizados por moradores que foram impactados pelas intensas chuvas que ocorreram em fevereiro. A população se mobilizou em várias áreas para expressar sua insatisfação com a falta de atenção do governo e a ineficácia das políticas públicas voltadas para os cidadãos.
A administração municipal de Juiz de Fora (MG) havia se comprometido a realizar obras e fornecer compensações financeiras às pessoas afetadas pelas chuvas no final de fevereiro e início de março. No entanto, passados dois meses desde o desastre, a realidade encontrada é uma de descaso: deslizamentos de terra permanecem sem intervenção, ruas continuam interditadas, residências estão fechadas e muitos moradores estão em áreas de risco sem alternativas habitacionais.
Em meio a essa situação alarmante, cidadãos dos bairros mais atingidos seguem relatando a morosidade e a ineficácia do estado em atender às demandas das comunidades afetadas.
No bairro Dom Bosco, a rua José Claro Dia foi parcialmente bloqueada devido aos deslizamentos. Um morador, que preferiu não se identificar, declarou:
— A Defesa Civil veio e mandou todo mundo sair. Mas você sai e vai para onde? […] É complicado ficar nessa situação. Eu estou terminando minha construção ainda.
Outra residente do Dom Bosco acrescentou:
— Pedimos que eles olhem não só aqui, mas também para outras áreas que precisam de atenção. O tempo para dar respostas está muito longo. Aqui já é difícil, mas há lugares que estão muito piores.
Esses protestos ocorrem em meio a várias denúncias feitas pelos moradores, que exigem principalmente as compensações financeiras prometidas pela prefeitura até o momento não cumpridas.
Em uma entrevista à nossa equipe local, uma moradora do bairro Três Moinhos, parte ativa nas manifestações, comentou:
— Estamos aqui até agora sem receber nada. Ficamos sem casa, sem luz e água; estamos nessa situação até hoje sem assistência. A prefeitura não fez nada; nós mesmos abrimos caminhos com enxadas […] Não sabemos quando receberemos o repasse ou se teremos ajuda da assistência social.
Moradores denunciam interesses latifundiários na região
Os residentes do bairro Três Moinhos enfrentam não apenas o abandono estatal e despejos injustificados, mas também afirmam que há interesses da prefeitura em demolir suas casas para dar espaço ao cultivo de eucalipto — embora não haja um posicionamento oficial sobre essa alegação até o momento.
Diante dessa situação crítica, os relatos sugerem uma conivência entre a administração municipal e os interesses dos grandes proprietários de terra, explicando o descaso com a comunidade afetada.
Os moradores destacam que mesmo durante as chuvas as ações da prefeitura eram escassas; toda a recuperação da área foi feita por eles próprios, que se uniram para remover barro das ruas, cimentar o asfalto e limpar as calçadas apesar das dificuldades enfrentadas.
— Estamos clamando por ajuda para liberar o bairro e retornar às nossas casas. Fomos pegos de surpresa não apenas nós do Três Moinhos, mas muitas outras comunidades também.
Mobilizações populares geram resultados
Como mencionado por uma das moradoras, os protestos aconteceram em diversas localidades como os bairros Linhares e Dom Bosco. Na última semana de abril, os habitantes dessas áreas se reuniram para manifestar em frente ao prédio da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora exigindo ações efetivas.
Ao serem questionados sobre os efeitos das mobilizações, todos os participantes afirmaram que estão conseguindo pressionar a prefeitura a tomar algumas medidas iniciais, como colocar placas indicando áreas com risco de deslizamento e enviar caminhões da Empav para reparar rachaduras nas vias públicas.
No entanto, quando indagada sobre as solicitações financeiras feitas pelos manifestantes, a prefeitura limitou-se a afirmar seu apoio ao direito à manifestação popular sem oferecer respostas concretas sobre as reivindicações financeiras apresentadas pela população.
