Moradores de AL protestam com barricadas em resposta à crise de energia da Equatorial

No dia 4 de abril, habitantes da Grota Santa Helena, situada no bairro da Chã da Jaqueira em Maceió, organizaram uma manifestação contra a Equatorial, que detém o monopólio do fornecimento de energia na região. Após ficarem cinco dias sem eletricidade, os moradores bloquearam a Avenida Galvão Novaes de Castro, no bairro do Petrópolis, incendiando pedaços de madeira e outros materiais para formar uma barricada que impediu a passagem de veículos.

O AND conversou com residentes locais que descreveram as dificuldades enfrentadas devido à má prestação de serviços pela Equatorial. Eles também criticaram os efeitos negativos da privatização e a conivência dos políticos tradicionais. Uma moradora, que preferiu não se identificar, expressou sua indignação: “Estamos sem energia há cinco dias! A situação é insustentável. Já perdi muitos alimentos que estavam na geladeira! Essa empresa é um legado do Renan Filho [ex-governador de Alagoas], que trouxe a privatização e fez com que essa companhia viesse para cá! O nosso protesto busca chamar a atenção dessas autoridades!”

Outro morador, igualmente anônimo, reclamou: “A Equatorial só pensa em lucro! Não se importa se temos ou não eletricidade! Estamos há dias sem energia e não suportamos mais isso! Uma mulher foi levada à UPA porque precisava de energia para o respirador!”

A Polícia Militar (PM-AL) e o Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) foram chamados para tentar dispersar a manifestação; contudo, as forças policiais hesitaram diante da força dos manifestantes, que mantiveram o protesto.

Consequências das Privatizações

A Equatorial Energia iniciou suas operações em Alagoas em 2018 após a privatização da Companhia Energética de Alagoas (CEAL), anteriormente pertencente à estatal Eletrobras. O leilão aconteceu em 28 de dezembro de 2018. O governador do estado durante essa transição foi Renan Filho (MDB-AL), que ocupou o cargo entre 2015 e 2022 e atualmente é candidato ao governo estadual. A oficialização da concessão para a Equatorial ocorreu em março de 2019.

Embora a Equatorial afirme em seu site atender 34 milhões de pessoas em sete estados brasileiros e declare seu compromisso com “questões culturais, econômicas e educacionais em benefício da sociedade”, Alagoas ocupa a 26ª posição no Ranking de Competitividade dos Estados 2025 (CLP), apresentando baixa qualidade no fornecimento de energia e figurando apenas à frente de Roraima (RR).

Influência do Capital Estrangeiro

A Equatorial Energia possui vínculos significativos com investidores internacionais. Entre os mais proeminentes está a BlackRock, multinacional americana fundada em 1988 por Larry Fink, Robert S. Kapito e outros sócios. Ela é uma das maiores gestoras de ativos do mundo e aumentou sua participação na companhia para 10,005% em abril de 2026. A BlackRock também tem investimentos no agronegócio brasileiro e adquiriu portos no Canal do Panamá.

Outros acionistas estrangeiros incluem o Canada Pension Plan Investment Board, fundo de pensão canadense, e o fundo soberano de Cingapura (GIC). Além disso, a empresa já negociou ativos de transmissão no Pará com o fundo canadense CDPQ por aproximadamente R$ 1,2 bilhão.