
Em 18 de junho, um grupo de mais de 100 pessoas se reuniu em Campinas, na sede do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro), para participar do evento intitulado “Do mar às ruas: agir é transformar”. O ativista internacionalista Thiago Ávila foi uma das principais figuras do encontro, que revitalizou a luta anti-imperialista e a solidariedade com o povo palestino. A ação foi organizada pelas associações Minha Campinas, Sindipetro e Fundo Haja, e contou com a presença de diversos grupos, incluindo o Comitê de Apoio ao AND de Campinas, o Comitê Campinas de Solidariedade ao Povo Palestino, o Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina, a Comunidade Islâmica de Campinas e o Sindicato Químicos Unificados.
Do rio ao mar Palestina livre já!
O evento teve início com os participantes clamando em uníssono por Palestina livre!. Em seguida, Thiago Ávila apresentou um panorama histórico da Resistência Palestina, caracterizando o sionismo como uma ferramenta do imperialismo que visa dominar os povos das nações subjugadas. Ele ressaltou: “Enquanto esse sistema estiver em funcionamento, ele continuará explorando as pessoas”. O ativista enfatizou que o imperialismo busca controlar todo o mundo e considera a Palestina e o Oriente Médio como regiões estratégicas para controle energético.
Thiago também refutou a ideia de que a situação se trata apenas de uma guerra religiosa. Ele denunciou que o sionismo foi criado pelo imperialismo britânico para manipular questões religiosas. De acordo com ele, a luta não é contra o povo judeu, mas sim contra um projeto colonial que usurpa terras historicamente ocupadas pelos palestinos em uma região rica e vibrante.
Ao abordar os impactos devastadores gerados por anos de conflito, Thiago destacou: “A quantidade de explosivos lançados naquela pequena faixa de terra durante todos esses anos equivale a 13 bombas de Hiroshima. Estimativas conservadoras indicam que mais de 300 mil vidas foram perdidas, incluindo 10 mil crianças amputadas sem anestesia. Isso representa uma tragédia maior do que tudo que ocorreu sob Hitler”, advertindo que “se permitimos genocídio lá fora, ele pode se alastrar até aqui”.
Sob sua perspectiva, tanto o imperialismo quanto o sionismo são manifestados por indivíduos, mas são parte de um projeto muito mais complexo e abrangente. Thiago observou que apesar dessa complexidade às vezes seus verdadeiros objetivos são expostos abertamente, reduzindo sua força em algumas áreas. Ele mencionou exemplos como a Flotilha pela Liberdade e a Global Sumud Flotilla, que revelaram as prisões e torturas promovidas pelo Estado sionista.
Discutindo as tentativas históricas para quebrar o cerco imposto à Palestina através das flotilhas humanitárias, Ávila relatou que apenas cinco conseguiram entregar ajuda em 2008. Em 2010 ocorreram assassinatos de ativistas durante uma dessas ações e relatos sobre sequestros por forças especiais também foram mencionados. A respeito da última flotilha, ele comentou sobre a repressão enfrentada pelos militantes: “O silêncio foi total; houve criminalização e ameaças aos ativistas. Eu mesmo recebi ameaças de prisão por 100 anos; atualmente quatro militantes estão detidos há mais de três meses. O sofrimento deles é insignificante comparado ao que os palestinos enfrentam diariamente.” Ele reafirmou a importância das missões para quebrar bloqueios e desmentiu alegações de que os envolvidos nas flotilhas eram “terroristas”, destacando como o apoio global se mobilizou pela liberdade dos ativistas capturados.
Ao criticar os acordos quebrados pelo Estado sionista, Thiago afirmou: “Isso é uma forma de desumanização do povo palestino; eles estão cercados por terra e mar sem acesso à ajuda humanitária enquanto morrem de fome e doenças curáveis. Nos últimos oito meses de cessar-fogo entraram menos de 100 caminhões com ajuda humanitária por dia quando deveria ser 600; segundo a ONU o mínimo necessário seria 1.500.”
Para encerrar sua palestra, Thiago destacou a fragilidade do imperialismo frente às massas populares: “Eles temem nós; estamos aqui para construir um mundo novo com justiça social,” conclamando todos presentes a se organizarem em prol da formação de um grande movimento internacionalista.
Após suas palavras e da sessão interativa com perguntas do público, as vozes dos participantes ecoaram gritos como Do rio ao mar Palestina livre já! e Netanyahu criminoso de guerra, sua hora vai chegar! A Palestina não é sua terra e será livre do rio ao mar!, encerrando o evento com entusiasmo renovado.
A grande batalha do nosso tempo está em pleno andamento
Em conversa posterior ao AND, Thiago abordou o crescimento da luta anti-imperialista afirmando: “A grande batalha do nosso tempo está em pleno andamento. Muitas vezes as pessoas veem isso como situações isoladas em alguns países; porém neste momento estamos moldando o futuro da humanidade.”
Sobre as promissoras perspectivas da resistência entre os povos marginalizados, ele reforçou: “O mundo está despertando” e enfatizou que “o povo trabalhador está cada vez mais disposto a lutar”, citando recentes levantes como greves gerais na Itália e mobilizações massivas na Albânia além das manifestações intensas nas capitais dos países imperialistas, concluindo com otimismo: “Simplesmente vamos transformar este mundo.”
Os Palestinos do Brasil
No tocante à luta pela terra no Brasil comparada àquela vivida na Palestina, Ávila salientou as raízes coloniais do país marcadas pelo genocídio dos povos originários: “Hoje, após mais de quinhentos anos desde a invasão europeia, ainda enfrentamos o genocídio dos nossos mais de 305 povos indígenas no Brasil. Persistimos em meio à desigualdade extrema no campo devido à concentração fundiária e à violência perpetrada pelos latifundiários.”
O ativista igualmente reconheceu a forte capacidade organizativa dos camponeses brasileiros destacando casos como os da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) em Rondônia. Ele denunciou as agressões e assassinatos contra camponeses presenciados nos acampamentos dizendo ser crucial expor essas realidades. Ao comparar essa realidade à situação palestina afirmou: “Não é surpreendente que muitos chamem organizações como a LCP ‘os palestinos do Brasil’, dado que ambos lutam contra estruturas opressoras extremamente desiguais.”
No final da conversa sobre luta pela terra no Brasil, Thiago reiterou seu apoio à causa: “Precisamos assegurar que a terra pertença aos trabalhadores dela – não aos latifundiários ou grileiros destrutivos.”
A luta pela terra no Baluchistão
No encerramento da palestra foi dada espaço à ativista balúchi Pari Gul que contou com auxílio na tradução simultânea por Thiago Ávila para apresentar aos participantes sobre seu povo. Ela explicou que Baluchistão está situado entre Afeganistão, Irã e Paquistão sendo uma nação sem Estado propriamente dito. Desde os anos 2000 aumentaram os conflitos entre seu povo buscando autodeterminação contra um Estado paquistanês ativo na exploração dos recursos naturais da região.
Pari denunciou assassinatos e desaparecimentos forçados perpetrados pelo governo paquistanês contra ativistas políticos balúchis. Ela ressaltou que sua luta é emblemática para todos os povos originários resistindo à exploração imperialista.
<p“Na cidade Sui existe uma reserva significativa de gás natural onde seus habitantes ficaram sem acesso ao recurso enquanto este flui através gasodutos para outras partes do Paquistão”, relatou ela acrescentando informações sobre mineração iniciada na região Chagai entregue para exploração estrangeira envolvendo países como China e Canadá. Para defender suas terras da exploração desenfreada começou um movimento resistente duramente reprimido pelo governo paquistanês culminando numa luta armada crescente entre seu povo.
A ativista relacionou essa situação dizendo: “Todos os opressores agem iguais; priorizam seus interesses acima das necessidades das populações pobres tratando-as como animais.” Ela fez um apelo aos jornalistas brasileiros para amplificarem suas vozes sobre as atrocidades cometidas no Baluchistão onde muitos desaparecem sem deixar vestígios enquanto seus corpos são descartados.”,” concluiu agradecendo qualquer apoio recebido.
Uma causa permanente
No final da apresentação، Ávila cumprimentou representantes do Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina، incluindo Fátima Suleiman، ativista palestina oriunda Ribeirão Preto، destacando a importância contínua da causa palestina através desse grupo composto por diversas organizações progressistas no Brasil.
Durante sua participação، foram distribuídas cartilhas intituladas “A História da Palestina para crianças” aos presentes.
Luta pela moradia também é luta anti-imperialista!
A integrante do Fundo Haja، Helena، abordou durante sua fala no evento، ressaltando que essa associação surgiu para atuar na defesa do direito à moradia através da alocação solidária (de ⅓ salário mínimo) destinada especialmente às pessoas vulneráveis، incluindo jovens oriundos de abrigos (que não podem permanecer após completarem 18 anos) و mulheres.
Em entrevista ao AND , ela compartilhou experiências vividas junto com Elisa، membro da Minha Campinas ، durante sua participação na flotilha humanitária rumo Cuba و expressou vontade trazer essa motivação aos cidadãos campineiros unindo lutas anti-imperialistas باحتياجات المساكن الخاصة بهم.
Apoio à imprensa popular democrática
No evento ، representantes do Comitê apoiador ao AND strong > estavam presentes dispondo banquinha oferecendo produtos variados مثل livros و ملصقات وحقائب وتقويمات ، onde vários exemplares foram vendidos ، sendo destaque entre eles bolsa estampada “Palestina vencerá!” ، esgotado rapidamente devido alta demanda entre compradores interessados . p >
