Na tarde da última segunda-feira (20 de julho), o Sindicato dos Rodoviários de Manaus promoveu uma paralisação total da frota de ônibus, em virtude do não pagamento da primeira parcela dos salários por parte das empresas de transporte coletivo, o que ocorreu fora do prazo determinado pela Justiça do Trabalho.
A determinação judicial exige que as companhias efetuem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês e os restantes 60% até o quinto dia útil do mês subsequente. Segundo informações do sindicato, a primeira parcela não foi paga na data estipulada.
Givancir Oliveira, presidente do sindicato, declarou em um vídeo nas redes sociais que a categoria decidiu interromper suas atividades devido ao novo atraso e que a retomada da circulação dos ônibus só aconteceria após a regularização dos salários.
“Temos buscado evitar a paralisação em Manaus, procurando sempre soluções através da Justiça e do diálogo. Mesmo com a decisão judicial que obriga os empregadores a realizarem os pagamentos em dia, eles ainda assim não cumprem.”
Um cobrador de ônibus que participou da mobilização e preferiu se manter anônimo comentou em entrevista ao correspondente local que a categoria continua unida.
“Estamos organizados e esperando por uma negociação que atenda às nossas reivindicações.”
O trabalhador ressaltou a relevância da paralisação como uma resposta aos constantes atrasos salariais e outras demandas não atendidas pela gestão das empresas.
“Essa mobilização é uma maneira de exigir melhorias. Os trabalhadores têm enfrentado atrasos nos pagamentos há meses, além de outras questões pendentes. A luta busca resolver esses problemas.”
A Prefeitura de Manaus declarou que não possui débitos pendentes referentes ao ano de 2026 com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), assegurando que está cumprindo com suas obrigações financeiras regularmente.
O governo do Estado do Amazonas também informou que no ano anterior realizou um depósito judicial conforme determinação judicial, mas que tais recursos ainda não foram liberados porque, segundo a administração estadual, o Sinetram não assinou a petição conjunta necessária para finalizar o processo.
Ainda segundo o governo, ele segue os critérios estabelecidos pela Justiça para calcular os repasses relacionados à meia-passagem estudantil e afirmou depender das informações detalhadas sobre a utilização desse benefício pelos estudantes para realizar os pagamentos. O Estado revelou que essas informações ainda não foram fornecidas pelo Sinetram, impedindo novos repasses.
Em resposta, o Sinetram afirmou que as empresas estão seguindo uma decisão judicial de 2025 que determina a venda direta das meias-passagens ao Estado pelo valor de R$ 2,50. A entidade explicou que cabe à Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) fornecer os dados dos estudantes aptos ao benefício, enquanto o sindicato disponibiliza os créditos correspondentes.
A greve geral dos rodoviários foi suspensa na quarta-feira (22 de julho), após as empresas realizarem o pagamento da primeira parcela dos salários, atendendo assim à principal demanda imediata da categoria.
Mobilizações em diversas regiões do Brasil por direitos trabalhistas
Recentemente, rodoviários e caminhoneiros em outras partes do Brasil também se mobilizaram por seus direitos. No Rio de Janeiro, cerca de dois mil rodoviários decidiram em assembleia no final de junho pela realização de uma greve por tempo indeterminado para reivindicar melhores salários, fim da dupla função e condições adequadas de trabalho. Após o início da paralisação, optaram por manter-se em estado de greve enquanto aguardavam novas propostas das empresas responsáveis pelo transporte.
Caminhoneiros autônomos também promoveram greves nos acessos ao Porto de Santos em julho, buscando pressionar o Senado para votar a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, focada na fiscalização do piso mínimo do frete. Essa mobilização enfrentou forte repressão policial. Diante da pressão exercida pela paralisação e da possibilidade dela se espalhar para outras regiões do país, o Senado acabou aprovando a medida, embora tenha retirado do texto um dispositivo que estipulava um salário mínimo nacional de R$ 5 mil para motoristas longas distâncias.
