A Chancelaria do Irã denunciou que os Estados Unidos utilizam uma combinação de ameaças militares e uma diplomacia superficial, considerando o sequestro de um navio iraniano como uma violação do cessar-fogo; além disso, o grupo Ansar Allah alertou sobre a possibilidade de fechar o estreito de Bab el-Mandeb.
No dia 20 de abril, o governo iraniano reiterou que não há, no momento, condições favoráveis para retomar as negociações com os EUA. O porta-voz da chancelaria, Esmail Baghaei, destacou que Washington “não demonstra compromisso com o diálogo” ao alternar entre propostas de conversa e ameaças direcionadas a portos e embarcações iranianas. O chanceler Abbas Araghchi também criticou a postura dos EUA, descrevendo-a como “má-fé” e afirmando que o país não abandonou sua estratégia de intimidação militar mesmo durante o cessar-fogo. Ele enfatizou que a República Islâmica está preparada para defender sua segurança nacional com todos os recursos necessários.
Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, reforçou essa posição ao afirmar que Teerã não aceitará negociações sob pressões ou ameaças. Em suas declarações na plataforma X, ele acusou Trump de manter um bloqueio naval e violar o cessar-fogo na tentativa de transformar as negociações em um processo de “rendição” ou criar justificativas para uma nova escalada bélica. Ghalibaf observou: “Não aceitaremos diálogos à sombra das ameaças”, e anunciou que nas últimas semanas se prepararam para revelar novas estratégias no campo de batalha. A Press TV informou que a incerteza sobre a nova rodada de conversas entre Teerã e Washington aumentou após a agressão contra um navio mercante iraniano no Mar de Omã.
Baghaei classificou o sequestro da embarcação comercial iraniana no Mar de Omã como uma evidente quebra do cessar-fogo, apontando que isso corrobora a visão do Irã sobre as ações dos EUA como não meras chantagens, mas sim agressões internacionais conforme definido pela “Resolução de Definição de Agressão” da ONU.
Fontes iranianas identificaram as ambiguidades mantidas pelos EUA acerca do alcance regional do cessar-fogo e os recentes ataques da entidade sionista “Israel” no sul do Líbano como fatores adicionais que aumentam a desconfiança em relação ao processo diplomático em andamento.
Em entrevista ao cientista político Glenn Diesen, Chas W. Freeman Jr., ex-diplomata dos EUA, caracterizou a atual abordagem americana como uma “política externa fantasiosa”, fundamentada em manipulações midiáticas. Ele ainda argumentou que a diplomacia estadunidense atravessa um período de “inexperiência”, com representantes incapazes de estabelecer negociações efetivas. Freeman destacou que a situação da influência americana na região já vinha se deteriorando há algum tempo: “Atualmente, os EUA parecem completamente alheios à diplomacia”, complementando que não estão enviando profissionais qualificados para lidar com questões cruciais.
Marinha dos EUA ataca embarcação iraniana enquanto Teerã promete retaliação
No dia 19 de abril, o governo iraniano juntamente com suas Forças Armadas condenou o ato considerado como “pirataria” por parte da Marinha dos EUA contra uma embarcação comercial iraniana e garantiu uma resposta firme assim que a segurança da tripulação e seus familiares estiver assegurada. O ataque ocorreu no Mar de Omã, onde fuzileiros navais americanos invadiram o navio, capturaram a tripulação e sequestraram a embarcação sob bandeira iraniana.
Na mesma data, a Press TV, citando informações da agência Mehr, relatou que unidades navais do Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) reagiram prontamente ao ataque, forçando os militares americanos a recuarem. O relatório indicava ainda que a presença das forças iranianas conseguiu evitar uma ação contínua contra o navio sequestrado.
O tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, declarou que as Forças Armadas do Irã estavam prontas para responder ao ataque mas optaram por adiar qualquer ação devido à presença das famílias dos tripulantes a bordo.
“Diante das circunstâncias atuais, assim que garantirmos a segurança das famílias e da tripulação da embarcação atacada pelos EUA, nossas poderosas Forças Armadas tomarão as medidas necessárias contra o exército terrorista americano”, afirmou Zolfaghari.
Irã avança na reposição de lançadores e drones em ritmo acelerado
O general Majid Mousavi, comandante da Força Aeroespacial da IRGC, divulgou um vídeo ilustrando a rápida substituição dos lançadores de mísseis danificados pelos ataques inimigos.
Mousavi informou que as capacidades de reabastecimento e atualização dos lançadores e drones superaram níveis anteriores. Ele ressaltou que essa evolução é parte da estratégia delineada pelo líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, voltada para uma “guerra assimétrica”, sustentada pela confiança nos jovens cientistas e combatentes.
A publicação ianque Wall Street Journal já havia destacado em matéria anterior a rápida adaptação técnica do Irã para reparar suas instalações subterrâneas destinadas ao armazenamento de mísseis mesmo durante conflitos armados. Segundo essa reportagem, os ataques não foram capazes de eliminar completamente essas estruturas estratégicas devido à robustez subterrânea e à dispersão geográfica desses complexos pelo território persa montanhoso.
A escalada das tensões também teve impacto nos mercados globais de energia. Em 20 de abril, foi reportado pela Press TV um aumento nos preços do petróleo devido às instabilidades na região do estreito de Ormuz. Na mesma ocasião, Mohammad-Reza Aref, vice-presidente do Irã, declarou que garantir segurança nessa rota marítima implica custos significativos e condicionou a estabilidade das exportações à remoção das restrições impostas ao país.
Iémen: ‘Se Sanaa optar por fechar Bab el-Mandeb, ninguém conseguirá reabri-lo’
Hossein al-Ezzi, vice-ministro das Relações Exteriores do Iémen, enviou um aviso ao imperialismo americano através da plataforma X, exigindo o fim das ameaças contra o Irã e os povos da Ásia Ocidental. Ele afirmou: “Se Sanaa optar por fechar [o estreito] Bab el-Mandeb, ninguém poderá reabri-lo”. O vice-ministro dirigiu-se diretamente aos líderes americanos e seus aliados – incluindo Israel e as monarquias árabes – aconselhando-os a interromper ações prejudiciais à paz.
As Forças Armadas iemenitas sob comando do Ansar Allah têm promovido grandes mobilizações em apoio aos povos do Irã, Líbano e Palestina demonstrando sua disposição para apoiar todas as frentes resistentes. Recentemente, Mohammed al-Atifi, ministro da Defesa do Iémen comentou sobre como as ofensivas conjuntas entre EUA e Israel contra o Irã evidenciaram a força da unidade entre as diversas frentes do Eixo da Resistência.
A capacidade do Iémen em interferir na navegação pelo Bab el-Mandeb já foi comprovada anteriormente. Em 2023, após operações bem-sucedidas lideradas pela Resistência Nacional Palestina conhecidas como Dilúvio de Al-Aqsa, o movimento Ansar Allah expressou apoio ao povo palestino atacando embarcações destinadas ao território ocupado por Israel. Essas ações provocaram forte reação por parte dos Estados Unidos que enviaram cinco porta-aviões Nimitz para bombardear posições iemenitas sem conseguir impedir as atividades solidárias do Ansar Allah em prol da resistência.
