No dia 7 de abril, o Fórum Contra a Corporativização e a Militarização (Facam) e a Campanha Contra a Repressão Estatal (CASR) expressaram sua indignação em relação ao aumento da repressão, vigilância em massa e criminalização das comunidades camponesas adivasis na região de Tijmali, localizada nos distritos de Rayagada e Kalahandi, em Odisha. As organizações afirmaram que o Estado indiano tem imposto restrições severas às reuniões públicas, militarizado a área com uma significativa presença de forças policiais e paramilitares, utilizado drones para monitorar as atividades locais, além de realizar prisões arbitrárias e atos de violência policial com o intuito de garantir a execução de projetos mineradores associados ao imperialismo.
Segundo o Facam e a CASR, as ações em Tijmali fazem parte de uma estratégia mais ampla do regime fascista liderado por Narendra Modi, que eles caracterizam como bramânico-hindutva. Essa política visa reprimir os povos adivasis e dalits, além de violar os direitos garantidos pelo Quinto Anexo da Constituição indiana. As organizações alegam que o objetivo é abrir essas áreas protegidas para o saque monopolista promovido por grandes corporações multinacionais sob a supervisão do velho Estado.
O Facam fez um apelo pela “suspensão imediata de todas as atividades relacionadas ao projeto minerador em Tijmali”, solicitando também a retirada das forças policiais da região, a libertação de todos os detidos e uma investigação minuciosa e independente acerca das violações dos direitos florestais e constitucionais nas áreas protegidas. A CASR pediu a revogação imediata das ordens proibitivas, a libertação dos prisioneiros, o arquivamento dos processos considerados fraudulentos e a interrupção das atividades minerárias.
No dia 4 de abril, centenas de mulheres adivasis e dalits desafiaram as ordens proibitivas impostas pelo Estado indiano em Tijmali e marcharam pela estrada projetada para viabilizar o empreendimento minerário de bauxita. Em coro, elas proclamaram: “Até nosso último suspiro, lutaremos para proteger Tijmali”. Essa manifestação representou um aumento na resistência popular contra os empreendimentos ligados à multinacional Vedanta, em meio à crescente repressão estatal denunciada por várias entidades.
<pNa madrugada do dia 7 de abril, aproximadamente às 3h, em Shagabari no bloco de Kashipur, distrito de Rayagada, a polícia atacou com cassetetes os moradores que realizavam vigílias noturnas para impedir a entrada das forças repressivas e bloquear a construção da estrada destinada ao projeto minerário da Vedanta nas colinas de Sijimali. Em resposta à tentativa de invasão forçada, as comunidades adivasis e dalits reagiram com resistência, resultando em feridos em ambos os lados.
Ocupação policial e paramilitar
A partir dos meses de fevereiro e março, o local foi transformado em uma verdadeira zona militarizada. Contingentes substanciais de policiais e paramilitares passaram a patrulhar as aldeias com apoio de veículos blindados e drones para intimidar as comunidades locais. No dia 26 de fevereiro, forças do Estado se deslocaram até Banteji; no dia seguinte atravessaram Kantamal, um bastião do movimento; no dia 28 marcharam pela aldeia Sagabari. Os mandados não foram entregues pessoalmente aos residentes; muitos foram afixados em árvores na região. Desde então, drones e viaturas policiais tornaram-se uma presença constante na área.
No mês seguinte, entre 10 e 11 de março, ocorreu uma invasão policial em Talaampadar no distrito Kalahandi que resultou na prisão de 21 adivasis – incluindo 11 mulheres – durante uma operação marcada por arrombamentos domiciliares e violências estatais. Entre as detidas estava uma jovem grávida de apenas 19 anos, além de três menores e diversas mães acompanhadas por crianças pequenas; tais fatos evidenciam a brutalidade da ofensiva contra essa comunidade resistente ao avanço do projeto minerário.
A repressão se intensificou após manifestações realizadas em janeiro nas localidades Tijmali, Majhingimali e Kuturumali onde os moradores reivindicavam seus direitos sobre terras protegidas pelo Quinto Anexo da Constituição indiana e contestavam o desvio planejado de 708.204 hectares florestais para permitir as operações das minas Sijimali. Sob este governo fascista, notou-se um aumento na presença policial permanente junto ao uso contínuo de drones para vigilância; casos criminais foram fabricados enquanto lideranças do Ma Mati Mali Surakya Mancha (MMMSM), organização responsável pela resistência contra o projeto da Vedanta na região enfrentavam perseguições severas. Ao mesmo tempo que as condições econômicas para adivasis e dalits se deterioravam drasticamente devido à conivência estatal com interesses corporativos mineradores.
Relatos obtidos por veículos independentes indicam que o velho Estado juntamente com autoridades locais promoveram assembleias conhecidas como gram sabhas sob coação; pressionaram economicamente famílias camponesas enquanto tentavam desarticular uma resistência que já dura quase três anos utilizando táticas policiais ou jurídicas. Neste contexto destaca-se o papel ativo das mulheres adivasis e dalits que têm liderado mobilizações enfrentando diretamente os aparatos repressivos; houve um crescimento nas campanhas solidárias especialmente entre estudantes denunciando a repressão estatal enquanto defendem os direitos dessas massas para barrar a mineração nas áreas protegidas.
A genocida ‘Operação Kagaar’ contra o povo indiano
A ofensiva repressiva em Tijmali representa uma parte da estratégia mais abrangente do velho Estado indiano voltada à militarização das áreas rurais com o objetivo facilitar o saque imperialista dos recursos naturais e expandir grandes projetos corporativos ligados à mineração – ações estas há muito denunciadas por democratas progressistas e revolucionários que são combatidas pelas armas pelos guerrilheiros do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL), sob liderança do Partido Comunista da Índia (Maoista).
O primeiro-ministro Narendra Modi chegou a afirmar que no dia 30 de março de 2026 seria marcado o “fim” do movimento maoista na Índia através da chamada “Operação Kagaar”, que combina repressão genocida contra as massas lutadoras com operações direcionadas contra líderes partidários apoiadas por elementos traidores dentro da própria estrutura política.
Embora essa operação tenha gerado condições alarmantes na região, eventos subsequentes indicam que a Guerra Popular dirigida pelo PCI (Maoista) continua ativa enquanto ideais maoístas permanecem profundamente enraizados entre adivasis assim como nas classes populares empobrecidas tanto no campo quanto nas cidades indianas.
