Greve dos ferroviários em São Paulo força governo a recuar e revela falhas da privatização; aumento das mobilizações trabalhistas é observado em todo o Brasil

Após cerca de um dia e meio de paralisação, os trabalhadores ferroviários de São Paulo decidiram, em 5 de agosto, encerrar a greve que afetava as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A decisão veio após o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) comprometer-se a encaminhar à Assembleia Legislativa um projeto visando a absorção de todos os funcionários da companhia. Embora essa seja uma resposta à principal demanda imediata da categoria, sua implementação ainda depende da elaboração e aprovação do referido projeto pela burocracia governamental.

A greve teve início no dia 4 de agosto com o objetivo de proteger os empregos e combater a privatização do transporte público, que se mostrou problemática logo nos primeiros dias após a Trivia Trens assumir a operação. Problemas recorrentes e um incêndio resultaram na paralisação dos serviços, levando o governo a convocar a CPTM e seus funcionários para reestabelecer o funcionamento das linhas, sem garantias sobre a continuidade dos postos de trabalho após esse período emergencial.

O fracasso da Trivia Trens ilustra que a privatização das linhas da CPTM não resulta em benefícios para a população; ao contrário, assegura lucros elevados para as empresas concessionárias. Estas mantêm a receita das passagens e possuem cláusulas que as resguardam contra quedas na demanda: caso o número de passageiros diminua, o governo cobre essa diferença. Assim, enquanto o lucro é privado, os riscos são compartilhados pela sociedade. Para aumentar seus ganhos, as concessionárias têm adotado práticas como terceirização em larga escala, redução salarial, cortes em investimentos para manutenção e demissões de trabalhadores efetivos, intensificando a exploração dos ferroviários e precarizando o serviço prestado.

A proposta de greve foi aprovada em uma assembleia realizada no dia 24 de julho, onde os ferroviários estabeleceram um prazo para que o governo apresentasse uma resposta. Uma nova assembleia ocorreu no dia 3 de agosto, quando a decisão pela paralisação foi confirmada. Além da preservação dos centenas de empregos ameaçados pela confusa transferência das operações, os trabalhadores exigem a reestatização das linhas e também pedem a aprovação do Projeto de Lei (PL) 730/2025, que visa permitir a absorção dos empregados dos três ramais por órgãos ou entidades do governo estadual. Essa proposta é considerada crucial para reintegrar os servidores públicos ao trabalho e permanece parada nas comissões da Assembleia Legislativa desde fevereiro.

A revolta teve início logo após a Trivia Trens assumir suas funções em 21 de julho. Apenas dois dias depois, um problema elétrico seguido por um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira interrompeu o tráfego das três linhas e do Expresso Aeroporto, causando pânico entre os usuários que foram forçados a evacuar os trens e caminhar pelos trilhos. Este incidente destacou o colapso operacional da concessionária apenas três dias após ela assumir completamente o controle do serviço.

Como resultado desse fiasco, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM voltasse temporariamente à operação das linhas por um período de 90 dias. Essa decisão evidenciou as contradições da privatização: enquanto os trabalhadores públicos foram convocados rapidamente para restaurar serviços que uma empresa privada não conseguiu manter, continuaram sem garantias sobre suas posições após corrigirem os problemas causados pela Trivia.

Representantes sindicais alertam que essa medida provisória deixa os ferroviários vulneráveis ao desligamento. Fernando Ricardo Santos da Costa, membro do conselho fiscal do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), afirmou que “a categoria da CPTM tem direito à continuidade do seu trabalho como modelo público eficiente ao invés de se preocupar apenas com lucros”.

Crise operacional e impacto financeiro

Os dados oficiais referentes ao primeiro semestre de 2026 revelam uma deterioração significativa no sistema: foram identificadas 205 falhas nos trens e metrôs paulistas, contra 161 no mesmo período do ano anterior – um aumento expressivo de 27%. Nas linhas concedidas ao setor privado, as ocorrências subiram de 57 para 89 – um crescimento alarmante de 56%. A Linha 7-Rubi, sob operação da TIC Trens desde novembro passado, registrou um salto nas falhas: passou de três para impressionantes 21 incidentes – um aumento chocante de 600% desde que as concessões questionáveis começaram.

De acordo com informações da Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro), boa parte dos investimentos previstos na concessão ainda é suportada por recursos públicos. O contrato tem duração estipulada em 25 anos e inclui R$ 14,3 bilhões em investimentos além de uma contrapartida anual que soma R$ 1,49 bilhão. Dessa forma, o Estado continua financiando grande parte da expansão enquanto assegura receitas às concessionárias enquanto usuários enfrentam interrupções frequentes e riscos associados aos serviços prestados.

Desafiando tentativas de atribuir aos ferroviários as responsabilidades pelas falhas operacionais, Sérgio Renato, responsável pelas relações intersindicais no Sindicato dos Metroviários classificou como “crime” as ações das grandes empresas. “É inaceitável como essas empresas agem; colocam seus trabalhadores sem treinamento adequado”, ressaltou ele.

Intervenção judicial contra mobilizações

Buscando limitar as ações dos ferroviários em greve, o governo paulista recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que estabeleceu regras absurdas determinando que pelo menos 80% do efetivo trabalhasse durante horários críticos e mínimo de 60% nos demais períodos. Caso contrário, foi imposta uma multa diária exorbitante no valor de R$ 400 mil ao sindicato. Táticas semelhantes têm sido aplicadas pelo país afora – como verificado na greve dos rodoviários no Rio – preservando formalmente o direito à greve enquanto impõem restrições percentuais que visam inviabilizar essa mobilização na prática.

Em comunicado oficial, o governo expressou seu “descontentamento” com a paralisação alegando que seu “único efeito” seria prejudicar milhares trabalhadores”, tentando virar a opinião pública contra os ferroviários. Essa narrativa distorceu as origens do problema: já havia ocorrido uma paralisação antes mesmo da greve devido ao insucesso da Trivia Trens; foi precisamente graças aos esforços dos ferroviários que foi possível restabelecer os serviços interrompidos. Tarcísio aproveitou essa situação para justificar sua agenda privatista apresentando as concessões como soluções modernizadoras enquanto ocultava o caos gerado pela privatização.

No dia 5 de agosto à tarde, durante assembleia realizada pelos ferroviários foi aprovada a suspensão temporária da greve após o governo comprometer-se com o envio à Assembleia Legislativa do projeto visando à absorção dos empregados da CPTM incluindo aqueles da Linha 10-Turquesa. No entanto, esse compromisso ainda precisa ser formalizado através da elaboração e aprovação legal e não revoga as concessões feitas à Trivia Trens; contudo atende à principal reivindicação pelos quais os trabalhadores iniciaram sua paralisação.

Solidariedade entre trabalhadores

A greve entre ferroviários recebeu apoio direto por parte dos metroviários na cidade paulista. No dia 4 de agosto, esses profissionais atuaram sem uniforme e distribuíram uma carta aberta na Estação Brás denunciando os prejuízos causados pela privatização enquanto defendiam a reestatização das linhas operacionais. Esta ação conjunta remete às experiências anteriores como a greve unificada ocorrida em outubro de 2023 onde trabalhadores do Metrô junto aos funcionários da CPTM paralisaram suas atividades contra as políticas entreguistas promovidas pelo governo Tarcísio. Naquela ocasião também houve tentativas midiáticas para demonizar este movimento com acusações feitas pelo governador bolsonarista.

A mobilização se dá em meio outros protestos recentes no setor transporte. Em julho passado caminhoneiros autônomos paralisaram acessos ao Porto Santos protestando contra condições precárias impostas pelas grandes corporações logísticas; após dois dias enfrentando repressão policial conseguiram forçar votação no Senado sobre piso mínimo para fretes. Esse episódio reafirma que direitos são conquistados através luta coletiva conforme enfatizava Lenin sobre importância dessas mobilizações.

No Rio Janeiro três dias consecutivos com greves rodoviárias levaram cerca de mil e quinhentos trabalhadores manter estado grevistas mesmo depois suspensão momentânea das paralisações buscando denunciar cortes salariais diante inflação crescente bem como aumentos irrisórios oferecidos cestas básicas insuficientes para cobrir necessidades mínimas famílias operárias conforme relataram vários entrevistados por AND.

Em Manaus totalidade frota ficou paralisada até empresas quitarem salários atrasados; além disso política privatista ultrapassa gestão bolsonarista Tarcísio visto que trabalhadores Trensurb Rio Grande Sul também realizaram greves contra privatizações assim como cortes direitos mantidos Governo oportunista Luiz Inácio.

A necessidade urgente por Greve Geral Nacional

A situação caótica gerada pela Trivia Trens evidencia uma faceta do capitalismo burocrático presente no transporte público: enquanto o Estado financia boa parte infraestrutura necessária transfere exploração serviço monopólios privados mantendo-se garantidor concessões inclusive convocando setor público quando concessionária falha . Privatização não elimina presença Estatal economia mas altera forma atuação envolvendo recursos públicos patrimônio contratos aparato jurídico assegurando acumulação lucros monopolistas .

A greve ferroviária paulista somada solidariedade metroviários além paralisações rodoviários caminhoneiros outras categorias integra quadro crescente resistência frente políticas privatistas desmontes direitos aumento superexploração . Unificação lutas pode transformar mobilizações dispersas força coesa nacional . Esse caminho demanda Greve Geral Nacional Resistencia .

Discutindo articulação lutas populares fim escala trabalho Magrão dirigente operário coordenador Liga Operária declarou conquista manutenção direitos não virão acordos parlamentares conduzidos “cima” mas sim mobilizações independentes proletariado .“Não basta trocar governo precisamos mudar política econômica”, afirmou ele.

Nota publicada Liga Operária ano passado defendeu “única maneira assegurarmos direitos povo é através mobilização massiva trabalhadores trabalhadoras campo cidade impulsionando caminho Greve Geral Resistência Nacional derrubar medidas antipovo vende-pátria obscurantistas obedecendo lógica histórica exploração opressão povo subjugação Nação”.

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