Em uma manifestação realizada em frente à fábrica da Terma, localizada em Lystrup, na Jutlândia, 141 indivíduos foram detidos pela polícia dinamarquesa. O protesto ocorreu em 10 de agosto e tinha como objetivo contestar a participação da empresa no fornecimento de componentes militares utilizados por Israel em seus ataques à Faixa de Gaza. De acordo com informações veiculadas por Røde Fane, 47 dos manifestantes enfrentaram acusações formais.
A concentração dos participantes teve início às 5h da manhã, quando eles se reuniram nas proximidades da instalação para criticar a fabricação e venda de sistemas e peças que são usados pelo Exército israelense.
A Terma fornece uma variedade de produtos, incluindo software e componentes eletrônicos que equipam os caças F-35, aeronaves que têm sido empregadas por Israel em operações militares contra Gaza.
Durante o ato, alguns manifestantes também jogaram tinta no logotipo da empresa. As prisões foram justificadas pela polícia com base na interrupção do trânsito e na desobediência a ordens das autoridades.
Mais de 40 manifestantes foram encaminhados a uma delegacia em Aarhus, onde permaneceram detidos por um tempo considerável. Quando Røde Fane divulgou sua reportagem em 15 de agosto, todos os detidos, exceto dois, já haviam sido soltos.
Proposta contra a venda de armas conta com apoio popular
Segundo a análise feita por Røde Fane, as tentativas institucionais para interromper o comércio de armamentos com Israel haviam sido previamente rejeitadas pelo Parlamento dinamarquês.
Uma iniciativa popular que visa proibir a venda de armas ao país sionista conseguiu reunir mais de 50 mil assinaturas, quantidade suficiente para que o Parlamento fosse obrigado a considerar a proposta. Contudo, essa medida foi prontamente rejeitada na primeira votação pela maioria dos partidos presentes na casa legislativa.
Para Røde Fane, essa recusa evidencia as limitações da chamada “via legal” diante dos interesses econômicos dos monopólios que atuam no setor militar.
“Quando nada muda e as leis continuam protegendo aqueles que lucram bilhões com a morte alheia, solidarizar-se com os oprimidos torna-se um dever”, declarou o veículo.
Atividades em apoio à Palestina seguem em ascensão
Desde o agravamento do conflito em Gaza, mais de 150 manifestações em apoio à Palestina foram realizadas apenas em Copenhague, conforme reportado por Røde Fane. Algumas dessas mobilizações conseguiram reunir dezenas de milhares de pessoas.
No entanto, o periódico destaca que o aumento das mobilizações tem sido acompanhado por uma campanha política e midiática que busca criminalizar aqueles que apoiam a luta pela libertação palestina.
A repressão ocorrida em Lystrup é vista como uma tentativa de intimidar o movimento à medida que as ações começam a impactar diretamente empresas envolvidas na produção e fornecimento de equipamentos militares para Israel.
Ainda que 141 manifestantes tenham sido presos, Røde Fane considera que a mobilização evidenciou um fortalecimento da solidariedade à causa palestina na Dinamarca. O veículo conclamou apoio aos participantes processados e àqueles ainda sob custódia quando a matéria foi publicada.
“Quando o correto se torna ilegal, resistir passa a ser um dever”, finalizou o periódico, fazendo um apelo à solidariedade com todos os envolvidos na manifestação.
