Na mais recente pesquisa realizada pelo Datafolha, referente ao segundo turno da eleição de 2026, divulgada em 8 de setembro, Flávio Bolsonaro (PL) lidera com 52% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio (PT) contabiliza 48%. No primeiro turno, Flávio obteve 56,1 milhões de votos, correspondendo a 47,03% do total válido, um aumento de cerca de 5 milhões em comparação aos votos recebidos por Jair Bolsonaro em 2022. Por sua vez, Luiz Inácio arrecadou 53,88 milhões de votos, o que representa 45,16%, perdendo aproximadamente 3,4 milhões em relação à eleição anterior. A diferença a favor do candidato bolsonarista foi de 2,22 milhões de votos. O PL também conquistou a eleição para 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e 19 no Senado, resultando em uma bancada de 28 senadores, representando quase um terço do total, sem contar os representantes da direita rural e extrema direita em outras legendas.
Simultaneamente, a abstenção atingiu 33,47 milhões de eleitores, o que equivale a uma taxa de 21,08%, a mais alta registrada em eleições presidenciais desde 1998. A esse total se adicionam 2,3 milhões de votos em branco e 3,67 milhões nulos. Um indicador ampliado calculado por AND, que leva em consideração a discrepância demográfica entre a população apta a votar e aqueles cadastrados para tal, aponta um boicote total de impressionantes 51,88 milhões.
A ascensão da extrema direita se manifestou até mesmo em áreas onde o PT tradicionalmente obtém um número significativo de apoio. Uma análise exclusiva realizada por AND sobre os mil municípios brasileiros com menor renda, conforme o Censo de 2022, revelou que Flávio recebeu 663 mil votos a mais do que Jair Bolsonaro. Em contraste, Luiz Inácio conseguiu apenas adicionar 35,6 mil novos votos. Embora tenha permanecido à frente em termos absolutos em 971 dessas localidades, o petista viu sua participação nos votos válidos diminuir em 954 cidades. Nesse mesmo grupo analisado, as somas das abstenções e dos votos brancos e nulos caíram quase em 149 mil registros enquanto os votos a favor do bolsonarismo aumentaram em impressionantes 31%.
No Rio de Janeiro, uma análise dos resultados eleitorais combinados com a renda média dos bairros destacou contrastes significativos: nos bairros mais pobres (20% inferiores), Flávio obteve 51% dos votos válidos contra os 41,2% de Luiz Inácio; já nas áreas mais ricas (20% superiores), o petista alcançou uma votação de 49,7%, enquanto Flávio ficou com apenas 41,3%. Nas periferias paulistanas onde Luiz ainda mantém predominância eleitoral, o crescimento do bolsonarismo se fez notar. Em Grajaú, por exemplo, a votação para o PT caiu de 61,77% para 57,72%, enquanto os votos para Flávio subiram de 27,37% para 32,39%. Movimentos semelhantes foram observados também nas regiões de Parelheiros e Cidade Tiradentes.
No A Propósito #375 , AND examina as dinâmicas do primeiro turno das eleições de farsa eleitoral de 2026. O programa será transmitido ao vivo nesta quinta-feira (8 de outubro), às 19h (horário Brasília), através do canal oficial no YouTube:
