Liga Anti-Imperialista da UERJ organiza manifestação para 4 de novembro

No dia 26 de outubro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi palco de um encontro que reuniu diversas lideranças e militantes para discutir os próximos passos após o ato anti-imperialista promovido pela Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI), que havia sido convocado cinco dias antes. Ao final da reunião, ficou decidido que uma nova manifestação será realizada no dia 4 de novembro. Os participantes destacaram que a derrota do bolsonarismo nas eleições não significou o fim da luta contra a extrema direita e a influência dos Estados Unidos.

Entre os presentes estavam membros da LAI, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), do Movimento Arapuka, da torcida jovem do Flamengo chamada Bonde do Mao, além de integrantes do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (MOCLATE) e do Flamengo Antifascista, entre outros coletivos e organizações. Durante a plenária, foi feita uma homenagem ao líder camponês Cleomar Rodrigues de Almeida.

Avaliação do ato realizado em 21 de outubro

A primeira parte da reunião foi dedicada à análise da manifestação ocorrida na Praça Saens Peña, passando pela UERJ até o Andaraí, na Zona Norte carioca. Os organizadores relataram que o evento atraiu dezenas de participantes, com faixas e cartazes nas ruas e mais de 300 panfletos distribuídos.

“Foi um ato muito expressivo, repleto de agitação e cartazes denunciando a intervenção e a extrema direita”, comentou uma das organizadoras. Os participantes ressaltaram o entusiasmo demonstrado por aqueles que se uniram à manifestação: “O nível de participação foi elevado e as pessoas estavam animadas; o debate político foi bastante significativo”.

Um militante destacou o impacto positivo da ação coletiva sobre a juventude: “Fomos ensinados a achar absurdo nos organizar, como se isso fosse algo ligado à direita. No entanto, quando vemos que é possível agir e provocar mudanças concretas, isso traz alívio”.

Críticas à ilusão das eleições

A discussão seguinte focou no resultado do segundo turno das eleições. Para os presentes, a derrota de Flávio Bolsonaro não foi um triunfo para o projeto político do PT nem eliminou os riscos representados pela extrema direita. “Eleições não resolvem nossos problemas; não são garantia da nossa soberania”, comentou uma das lideranças.

Uma integrante do CEBRASPO acrescentou que o resultado eleitoral não alterou a estrutura do Estado: “O Estado permanece dominado pela grande burguesia reacionária e pelos latifundiários ao serviço do imperialismo”. De acordo com ela, Luiz Inácio não transformou nem a eleição nem a essência desse Estado.

Uma representante do MEPR relacionou essa crítica às decisões tomadas pelo governo: “Luiz Inácio chegou ao poder com apoio de indígenas e pessoas com deficiência, mas suas medidas têm sido prejudiciais: marco temporal, teto de gastos e cortes no BPC são exemplos disso.” Ela enfatizou que tudo aquilo que ele criticou em Flávio Bolsonaro também já foi implementado por ele.

Para ela, ao defender as instituições existentes, a esquerda governista acaba deixando espaço para a extrema direita se posicionar como oposição ao sistema. “A esquerda apoia instituições como o STF enquanto a extrema direita se opõe a tudo isso. Isso atrai as massas para esse lado”, afirmou.

Nesta mesma linha, ela associou o crescimento social das ideologias fascistas à desilusão popular com as promessas não cumpridas pelo PT e às políticas voltadas para o agronegócio: “O PT gerou ressentimento nas massas ao não entregar suas promessas. E o agronegócio se expandiu com apoio financeiro durante sua gestão.” Em relação ao trabalho das organizações presentes na reunião, destacou: “Não contamos com fundo eleitoral ou partidos por trás; tudo que fazemos é fruto da nossa vontade e unidade na luta”.

Revolução Agrária e tributo a Cleomar Rodrigues

A questão da Revolução Agrária teve destaque nas falas durante o encontro. Os participantes prestaram homenagem a Cleomar Rodrigues de Almeida, dirigente da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), assassinado em 22 de outubro de 2014. “Cleomar era um líder importante na LCP; ele estava à frente das mobilizações para ocupar terras dos latifundiários”, recordou um participante.

“Sem abolir o latifúndio não há indústria; sem indústria não há soberania”, afirmou outro militante presente na plenária. A luta pela terra foi defendida como essencial para “a Revolução de Nova Democracia”, convocando os jovens para se unirem neste movimento revolucionário.

Uma representante do CEBRASPO destacou a conexão entre as lutas rurais e urbanas: “A Revolução Agrária é crucial no enfrentamento ao imperialismo. Nosso apoio aos movimentos urbanos faz parte dessa batalha”, declarou. “É fundamental estar em sintonia com as massas e organizar seu sentimento anti-classe.”

Juventude reafirma necessidade de mobilização contínua

A discussão sobre as próximas ações trouxe novamente à tona a participação juvenil. “Ser jovem sem ser revolucionário é uma contradição inerente”, afirmou uma representante da ExNEPe. Outro participante declarou: “Estamos aqui como vanguarda da revolução.” Segundo os presentes, o engajamento juvenil foi fundamental para derrotar eleitoralmente a extrema direita e essa mobilização deve perdurar nas ruas. “A vitória é resultado da mobilização popular e é ela que persistirá”, resumiu um dos organizadores.

A representante do CEBRASPO defendeu um trabalho conjunto independente: “Não podemos falar em nome das nossas organizações ou partidos; temos que nos identificar como antifascistas e anti-imperialistas. Essa é nossa responsabilidade agora.” Segundo ela, “nossa missão é estar nas ruas, onde ocorre o combate. Devemos elevar essas manifestações tanto politicamente quanto na combatividade.”

No encerramento da plenária, os participantes ratificaram a convocação para o ato programado para 4 de novembro e decidiram distribuir panfletos visando intensificar as mobilizações futuras. “A direita está prestes a realizar ataques severos; precisamos estar prontos para enfrentar qualquer situação”, alertou um dos proponentes. A reunião culminou com a noção clara de que essa luta “está apenas começando”.

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