
O Paraguai está enfrentando uma paralisação histórica, com professores e diretores de mais de 8.000 instituições de ensino participando de uma greve nacional convocada pelo Sindicato Interinstitucional dos Trabalhadores da Educação. A greve foi motivada pelo projeto de reforma do Sistema de Aposentadoria e Previdência do Setor Público, conhecido como Fundo Fiscal (Caja Fiscal, em espanhol). O governo liderado por Santiago Peña está tentando impor aos servidores para lidar com os déficits causados pela má administração, corrupção e crise do capitalismo burocrático.
A mobilização tem o apoio maciço do Sindicato Nacional dos Diretores e de federações como a Federação de Educadores do Paraguai (FEP) e a Organização dos Trabalhadores da Educação do Paraguai (OTEP-A). Os manifestantes denunciam as manobras do Senado para votar o projeto de forma repentina no plenário. O adiamento indefinido da votação não é visto como uma forma de diálogo, mas sim como uma tática para desmobilizar os trabalhadores antes de um possível ataque aos direitos conquistados. O Sindicato dos Diretores declarou que não permitirá retrocessos e está preparado para uma possível luta prolongada, especialmente diante da pressão do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que impõem políticas de austeridade.
Educação paraguaia em crise
Enquanto o Estado discute a reforma da previdência, as instituições de ensino no Paraguai estão em um estado de abandono vergonhoso. Em uma escola em Encarnación, o telhado de um prédio desabou durante uma tempestade, ferindo várias crianças. Em muitas escolas, os alunos começaram o ano letivo sem os materiais prometidos pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC). Em algumas regiões, famílias bloquearam rodovias em protesto, alegando que seus filhos não têm sequer cadernos.
A situação também é preocupante na Escola Vice-Presidente Sánchez, em Assunção. Localizada próxima ao MEC, a escola depende de doações e trabalho voluntário para realizar reparos básicos, e ainda não recebeu o mobiliário necessário, apesar de compras suspeitas de carteiras feitas pelo governo. Em outras escolas, como a Escola Básica Juana Bautista Gómez e a Escola Básica Santa Teresa, os alunos enfrentam condições precárias e risco de desabamento.
