Avanço do ELN desafia forças de repressão na Colômbia e nos Estados Unidos

Nas últimas semanas, a Colômbia tem visto um aumento alarmante na intensidade de seu conflito interno, com o Exército de Libertação Nacional (ELN) atacando vigorosamente as forças do Estado colombiano. Em uma demonstração clara de sua capacidade operacional, os guerrilheiros causaram perdas significativas nas forças repressivas, enquanto o governo liderado por Gustavo Petro respondeu com uma escalada de militarização, incluindo bombardeios e cercos, além de intensificar a presença militar para localizar os combatentes.

Recentemente, um ataque notável realizado pelo ELN atingiu um grupo de policiais que retornavam de uma prova de promoção em Saravena, Arauca. O incidente resultou em oito policiais feridos. Essa região é historicamente marcada pela atuação do Batalhão Heróis e Mártires do ELN, que mantém uma relação estreita com as comunidades locais. Informações da inteligência militar sinalizaram que o grupo guerrilheiro estava planejando uma nova ofensiva para “eliminar” os policiais feridos, levando à ativação de protocolos emergenciais para proteger os agentes da repressão.

A reação à bem-sucedida ação do ELN veio do general William Rincón, chefe da Polícia Nacional, que classificou o ataque como “covarde” e como um golpe contra a nação. Ele ordenou um grande envio de recursos para capturar os guerrilheiros; no entanto, as operações da Oitava Divisão do Exército têm enfrentado dificuldades em conter o avanço das atividades guerrilheiras.

A relevância estratégica do ELN vai além dos limites da Colômbia, configurando-se como um obstáculo significativo aos interesses reacionários colombianos e ao imperialismo estadunidense na região. O Wall Street Journal, veículo associado ao capital financeiro norte-americano, recentemente destacou que o fortalecimento dessa organização guerrilheira na divisa entre Colômbia e Venezuela representa o “principal desafio” à estratégia de dominação promovida por Donald Trump. A publicação reconhece a fragilidade da autoridade estatal frente ao controle efetivo exercido pela guerrilha, que atua como um governo paralelo. Gabriel Silva, ex-ministro da Defesa, advertiu que qualquer intervenção militar direta dos Estados Unidos contra o ELN poderia desencadear um “pequeno Vietnã”.

Essa habilidade de resistência coloca o ELN sob a mira dos Estados Unidos. Gustavo Petro, que durante sua campanha havia prometido interromper os bombardeios, acabou cedendo às pressões de Washington. Em fevereiro deste ano, apenas um mês após a agressão imperialista à Venezuela, ele se reuniu com Donald Trump na Casa Branca e poucas horas depois autorizou um ataque aéreo contra acampamentos guerrilheiros no Catatumbo. Esta operação foi coordenada com a DEA (Administração para o Controle das Drogas) dos EUA e representou uma “oferenda” ao imperialismo para garantir sua sobrevivência política.

No departamento Norte de Santander, as forças armadas colombianas aumentaram suas atividades com bombardeios precisos dentro dos Planos Ayacucho Plus e Sparta. Em El Tarra, uma operação conjunta entre o Exército e a Força Aeroespacial resultou na morte de combatentes conhecidos como “Yair” e “Valentina”, além de outros dez guerrilheiros cujos corpos não foram recuperados pelo exército.

O ministro da Defesa Pedro Sánchez comemorou a destruição de bunkers e apreensão de armamentos como drones e fuzis, tentando caracterizar o ELN como uma organização criminosa responsável pelo deslocamento forçado de comunidades rurais. Contudo, é importante ressaltar que é o próprio Estado que tem forçado 22.570 pessoas ao deslocamento desde o início de 2025 e mantido outras 5.522 em condições de confinamento na região do Catatumbo devido à militarização e bombardeios indiscriminados.

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