Troca de figurinhas ganha força entre adultos na busca por completar álbum da Copa

A tão aguardada Copa do Mundo terá seu pontapé inicial em 11 de junho, quando as seleções do México e da África do Sul se encontrarão no Estádio Azteca, localizado na capital mexicana. No entanto, a atmosfera que envolve o evento esportivo já é visível nas ruas, adornadas com as cores verde e amarelo, além da movimentação intensa nas bancas de jornal.

Um número significativo de torcedores já está imerso em um clima de competição, mas de maneira amistosa: através do álbum de figurinhas. O que antes era um passatempo infantil agora atrai muitos adultos, que circulam pela cidade com suas pilhas de cromos repetidos em busca de trocas.

Locais como escritórios, shoppings e até corredores de hospitais se transformaram em espaços para esse ritual que atravessa gerações.

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Gabriel Bruno, um médico de 25 anos, relata que no ambiente de trabalho a equipe inteira está envolvida nessa febre. “Enfermeiros, técnicos, médicos e fisioterapeutas… nos encontramos durante os intervalos para trocar figurinhas”, conta ele.

Não é para menos: para completar o álbum, é necessário investir pelo menos R$ 1.004,90 — são 980 cromos disponíveis e o preço da versão mais simples do livreto é de R$ 24,90.

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Por trás desse fenômeno que retorna a cada quatro anos existe frequentemente uma forte carga emocional. Vinicius Bernardo, administrador de 40 anos e colecionador desde a Copa de 1990, passou essa paixão adiante para seu filho Francisco. “É uma prática que traz nostalgia.”

“Meu pai me levava até a banca e a gente esperava por outros colecionadores para trocar as figurinhas”, recorda Bernardo com carinho. “Isso foi um legado que passei ao meu filho”, destaca.

Além do aspecto emocional, a satisfação em preencher os espaços vazios ativa mecanismos de recompensa relacionados à memória e ao sentimento de realização. Breno Sanvicente-Vieira, professor de psicologia da PUC-Rio, explica: “É como se dissessem ‘a criança que eu fui ainda vive em mim’. Muitos adultos se envolvem com o álbum aproveitando uma realidade financeira que não tinham anteriormente. Assim, completar algo que ficou pendente na infância se torna um resgate válido”.

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A dinâmica das trocas evoluiu para um formato mais organizado. Shoppings estão transformando seus espaços comuns em áreas improvisadas para negociações. O MetrôRio também criou mesas decoradas nas estações Carioca, Uruguaiana, Central e Pavuna.

Diana Litewski, sócia-proprietária do bar Tijolada em Ipanema, comenta: “Recebemos muitas famílias durante os finais de semana e decidimos incentivar as trocas entre elas”. Para isso, organizam sessões dedicadas às figurinhas aos sábados a partir das 15h.

A nova edição do álbum é recorde: são 112 páginas e quase trezentos cromos adicionais em comparação à Copa do Catar anterior; isso inclui 68 figurinhas especiais.(detalhes no box). O novo formato do torneio agora abrange 48 seleções — no torneio anterior eram apenas 32 — justificando assim o aumento na quantidade.

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Pensar que completar o álbum é uma tarefa simples pode ser um equívoco. Cada cromo possui um valor simbólico baseado no jogador retratado ou na raridade da figura.

As figurinhas denominadas como legends são extremamente cobiçadas — sua raridade provoca especulações: exemplares dos jogadores Vini Jr., Messi e Mbappé podem ser vendidos por até R$ 600 na internet.

“Ficamos ansiosos por essas figurinhas porque podem ser trocadas por mais cromos ou mesmo dinheiro”, afirma Gabriel Bruno. Ele menciona ainda que conseguiu vender três legends durante a última Copa por R$ 500, ajudando assim a custear parte do seu investimento. Em tempos onde tudo está digitalizado nas redes sociais, abrir um envelope torna-se uma forma de resistência ao mundo virtual.

Aqui não tem repetida!

Abaixo algumas curiosidades sobre o álbum da Copa:

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Pacotes custando R$ 7. Cada pacote contém sete figurinhas; ou seja, cada cromo sai por cerca de R$ 1. O preço subiu 25% em relação ao ano passado.

A pérola dos colecionadores. Algumas edições raras com estrelas já estão sendo revendidas por até R$ 600 online.

 

O maior álbum já feito. Composto por 112 páginas e totalizando 980 cromos — um marco na coleção da Panini — vale lembrar que a empresa encerrará seu contrato com a FIFA e não produzirá mais álbuns após 2030.

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No álbum não: O atacante santista não ganhou figurinha oficial nesta edição.

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Existem diferentes versões disponíveis. A brochura custa R$ 24,90; capa dura sai por R$ 74,90; enquanto edições especiais prateadas ou douradas têm o preço de R$ 79,90.

Messi , Mbappé , Cristiano Ronaldo e Vini Jr . São os alvos mais cobiçados entre os colecionadores , pois as principais estrelas costumam ser as figurinhas mais difíceis de conseguir nas trocas .

Uma enciclopédia . Por ser realizada em três países — Canadá , Estados Unidos e México — existem cromos especiais dedicados aos dezesseis estádios onde ocorrerão os jogos .

E também é o mais caro . Devido às repetidas , concluir o álbum pode custar mais de R$ 2.000 , considerando as figurinhas repetidas .

Há também 68 figurinhas especiais . Isso inclui versões metalizadas , holográficas além das disputadas legends .

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