Rodízio de chefs em hotéis de alto padrão destaca o valor da culinária sofisticada

A recente revelação de que Rafa Costa e Silva transferirá seu renomado restaurante Lasai, com duas estrelas Michelin, da região do Humaitá para a Praia de Ipanema – especificamente no 21º andar do Sofitel, com abertura prevista para outubro – gerou grande agitação entre os entusiastas da culinária carioca.

“Nos últimos doze anos, o Lasai passou por uma significativa evolução. No início, minha abordagem era diferente e eu ainda não tinha a maturidade necessária como chef. Com o tempo, fui moldando minha visão sobre o negócio”, comenta o chef, assegurando que terá liberdade total em seu novo espaço.

“É possível criar uma cozinha autoral dentro de um hotel. O público seguirá o Lasai onde quer que esteja. Se decidir fechar o restaurante durante as festas de Natal ou Réveillon, essa será uma decisão minha. Tenho total autonomia.”

O novo ambiente será crucial para o menu degustação, que acomodará até 24 convidados, sendo oito deles sentados no balcão, além de duas mesas e uma sala privativa com vista para o oceano.

“Pretendemos combinar ingredientes frescos da nossa horta no Vale das Videiras, na Serra, com frutos do mar e carnes. Vou contar com a cozinha dos meus sonhos, um salão ideal e uma vista deslumbrante”, se entusiasma Costa e Silva.

O Lasai não é o único a participar dessa movimentação. A troca de chefs em renomados estabelecimentos evidencia o desejo do setor hoteleiro de transformar a gastronomia em um atrativo principal.

“Claude Troisgros iniciou sua carreira no Rio no hotel que hoje abriga o Fairmont”, recorda Netto Moreira, diretor-geral do cluster de luxo da Accor na cidade, que inclui Sofitel, Fairmont e Santa Teresa MGallery.

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O novo hotspot de Ipanema contará com outros quatro restaurantes além do Lasai. “A proposta do bar da piscina será sedutora e inspirada na famosa ‘girl from Ipanema’”, detalha Moreira.

A seleção para as equipes pode levar meses para ser concluída.

Daniel Gorin, gerente-geral do Grupo City&Sea responsável pelo Arpoador e Ipanema Inn, entrevistou cerca de vinte candidatos para ocupar a posição no Arp Bar, selecionando Camilo Vanazzi, ex-chef do Emile no hotel Emiliano.

“Ele compartilha da nossa filosofia e valores”, justifica Gorin.

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Pelas manhãs às 5h30, esse chef gaúcho de 38 anos já está surfando. Desde que assumiu sua nova função, ele introduziu 22 pratos ao menu, incluindo um requintado platô de frutos do mar.

“Fiquei surpreso ao perceber que não havia ostras no cardápio,” afirma ele. “As pessoas não vêm em busca de sabores tipicamente brasileiros; elas querem desfrutar da praia.”

Ser chef em um hotel é uma experiência distinta daquela encontrada em um restaurante convencional.

“É necessário apresentar resultados; a equipe é maior e os equipamentos são mais robustos. A função envolve gerenciar desde o serviço de quarto até bufês de Réveillon e casamentos,” explica Roland Villard, sócio do francês David Mansaud na consultoria Ro.Da., onde aplicam suas habilidades culinárias e operacionais ao setor hoteleiro premium.

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Villard foi responsável pela implantação e gestão da Casa Marambaia em Petrópolis por três anos antes dela ser assumida novamente por Rafa Costa e Silva em 2025.

“Meu objetivo é estabelecer uma empresa focada em hospitalidade que administre alimentos e bebidas para uma rede hoteleira. Se a Accor estiver interessada em me oferecer essa chance, estarei pronto”, sugere o proprietário do Lasai.

Mansaud também desenvolveu o cardápio do exclusivo Vila Santa Teresa junto à diretora Eva Monteiro de Carvalho.

No próximo mês de outubro será inaugurado mais um restaurante: The Dining Room at Vila Santa Teresa. Este espaço gourmet terá apenas seis lugares sob reserva e seguirá um conceito omakase com ingredientes brasileiros preparados com técnicas francesas.

“Posso afirmar que minha atividade central é a gastronomia; atualmente tenho sete quartos e dez menus disponíveis. Em breve serão onze,” brinca Eva.

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A missão dos jovens chefs dispostos a inovar os cardápios nos hotéis é desmistificar a imagem intimidadora desses estabelecimentos. Como menciona Bernabé Simón Padrós,, 32 anos, recém-chegado ao Emile: “Quero quebrar essa barreira.”

Nascido no Astrid y Gastón e Kjolle em Lima, Peru, ele considerou atraente a proposta de se comunicar numa nova língua enquanto se aproxima da “nonna”, sua avó residente em Salta na Argentina.

Trazendo consigo três membros da equipe andina, ele destaca: “Não posso me dedicar à cozinha brasileira tradicionalmente; meu foco está em valorizar os produtos locais. Há peixes como o robalo que são subestimados mas são tão bons quanto outros mais valorizados.” Isso tem gerado bastante trabalho para a área de compras deste luxuoso hotel localizado em Copacabana.

Juliana Magioli, 33 anos, tornou-se há um ano chef executiva no Alloro dentro do Miramar by Windsor após passar pelo Le Pré Catelan e pelo Cipriani no Copacabana Palace.

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“Gerenciamos três turnos com quarenta funcionários; nosso serviço funciona 24 horas,” relata ela rindo. “Mas todo chef aprecia uma boa dose de adrenalina.”

A reabertura do Cipriani está marcada para novembro sob a supervisão contínua de Nello Cassese;, entretanto ainda há muitas mudanças previstas nesse dinâmico cenário gastronômico até lá.

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