Durante um acampamento de verão, participantes de várias nações europeias se uniram em uma ação solidária em apoio à Guerra Popular na Índia e ao Partido Comunista da Índia (Maoista). A atividade, que foi divulgada em 14 de agosto, incluiu um discurso sobre a luta revolucionária indiana e a confecção coletiva de uma faixa com mais de seis metros expressando apoio ao PCI (Maoista).
O acampamento contou com a presença de membros da equipe de O Arauto Vermelho e promoveu debates entre militantes internacionais, além de atividades culturais e esportivas. Os relatos indicam que esses encontros proporcionaram um espaço para o intercâmbio de experiências nas lutas ocorrendo em diversas partes da Europa, fortalecendo os laços de solidariedade internacional.
Em uma das ações realizadas, os participantes reafirmaram seu apoio aos revolucionários indianos e à Guerra Popular liderada pelo PCI (Maoista), que atualmente enfrenta uma intensa ofensiva militar do Estado indiano.
Essa atividade se junta a outras recentes iniciativas que expressam solidariedade aos revolucionários na Índia por parte de jovens ativistas e organizações na Europa.
Acampamento na Grécia homenageia Basavaraj em 2025
No ano anterior, entre 21 de julho e 6 de agosto de 2025, um acampamento promovido pela AGEB na cidade litorânea de Tolo, Grécia, dedicou parte significativa de sua programação à causa da solidariedade internacionalista e à luta revolucionária indiana.
Na ocasião, os militantes prestaram homenagem a Basavaraj, o então secretário-geral do PCI (Maoista), além de outros líderes, comandantes guerrilheiros e lutadores que perderam suas vidas na revolução indiana.
Os participantes levantaram uma faixa com a mensagem: “Abaixo a reação indiana! Basavaraj e os combatentes do povo são imortais!”. O evento também incluiu um momento silencioso seguido por uma discussão sobre a importância da ampliação da solidariedade internacional em relação à Guerra Popular na Índia.
A homenagem foi concluída com gritos como “Basavaraj é imortal!”, “Viva o PCI (Maoista)!” e “Viva a Guerra Popular!”. O acampamento ainda proporcionou diversas atividades voltadas para a formação política. Um representante do Partizan fez uma análise da situação global, discutindo crises atuais, conflitos no Oriente Médio, as políticas do governo turco e questões relacionadas à nacionalidade curda.
Outra atividade abordou questões femininas com base em um artigo do jornal Yeni Demokrasi, além de apresentações sobre o estado político europeu e os planos da AGEB para intensificar a luta anti-imperialista no continente.
Intercâmbio entre militantes internacionais
A programação do acampamento em 2025 também incluiu um intercâmbio entre os participantes da AGEB e membros do KKE (m-l), que estavam organizando outro acampamento nas proximidades.
Um grupo de jovens fez uma visita inicial ao acampamento dos militantes gregos. Na noite seguinte, representantes do KKE (m-l) retribuíram a visita com uma breve intervenção antes de participarem de atividades culturais com canções e danças tradicionais.
As jornadas combinaram formação política com atividades culturais. Durante as celebrações, canções dedicadas a revolucionários falecidos foram entoadas coletivamente; outra cerimônia prestou tributo a Ayfer Ceren Karatepe, membro da YDG que faleceu em um acidente automobilístico junto ao pai, Mazlum Karatepe, durante um acampamento na Grécia há dez anos.
A AGEB também compartilhou sua perspectiva sobre os eventos na Europa, defendendo a necessidade urgente de aprofundar a luta anti-imperialista diante das ações das elites dominantes no continente.
Solidariedade contínua à Índia nos últimos verões
Ainda que os relatos referentes aos anos de 2025 e 2026 retratem acampamentos distintos, ambos evidenciam o contínuo apoio à Revolução Indiana entre setores revolucionários presentes na Europa.
No ano de 2025, as homenagens aos lutadores indianos fizeram parte de um programa abrangente focado em formação política, cultura e debates internacionalistas. Já em 2026, militantes de diferentes países reafirmaram sua solidariedade à Guerra Popular na Índia através de uma nova atividade coletiva que envolveu a confecção de uma faixa imensa mostrando apoio.
Essas manifestações ocorrem em um contexto onde o Estado indiano intensifica suas operações militares para erradicar o movimento revolucionário enquanto demonstrações internacionais seguem surgindo em apoio aos comunistas indianos fora das fronteiras do país.
‘Renovação do marxismo’
As iniciativas realizadas na Europa inserem-se dentro de um panorama mais amplo onde há um renovado interesse pelo marxismo e pelo comunismo, especialmente entre segmentos jovens da população.
No programa A Propósito #368, convidados discutiram essa tendência associando-a à crise da hegemonia imperialista ianque e à antiga ordem burguesa. O cartunista Renato Aroeira mencionou notar “um verdadeiro ressurgimento do marxismo ou das ideias marxistas”. Ele sugere que esse movimento também reflete uma busca por ferramentas teóricas indispensáveis para promover transformações revolucionárias na sociedade.
<pDurante essa mesma conversa, Victor Bellizia, diretor-geral da AND, destacou que o socialismo ainda é uma experiência relativamente jovem historicamente. Ao comparar seu desenvolvimento às ondas históricas das revoluções democráticas burguesas ao longo dos séculos passados, Bellizia argumentou que os desafios enfrentados pelo movimento comunista não significam seu esgotamento histórico.
Esse ressurgimento não se limita apenas às discussões teóricas. Trabalhadores, estudantes e ativistas revolucionários estiveram presentes em mais de 15 cidades dos Estados Unidos durante as celebrações do Dia Internacional dos Trabalhadores em maio de 2026 sob o lema “Aprender com o Presidente Gonzalo e unir-se sob o maoísmo”.
As atividades nos acampamentos europeus destacaram-se pela participação maciça dos jovens nos debates acerca das lutas revolucionárias globais e nas manifestações solidárias pela Guerra Popular na Índia. Esses eventos contribuem para evidenciar um novo ciclo de circulação das ideias marxistas e da solidariedade internacionalista entre as novas gerações.
Conforme ressaltou um representante da AND, a crise que afeta as antigas democracias burguesas não apenas provoca um aumento nas reações violentas e no fascismo. Ao expor os limites dessa ordem frente às novas gerações, cria ainda oportunidades para que o marxismo, o socialismo e o comunismo sejam reavaliados como instrumentos viáveis para compreender e alterar a realidade vigente.
