














Antes de fazer a primeira exposição no Rio, o mexicano Jose Dávila reproduziu, em tamanho real, o espaço da galeria Nara Roesler dentro de seu ateliê, em Guadalajara: criou protótipos e estudou milimetricamente a posição de cada obra. E, claro, com tamanho perfeccionismo, tudo se encaixou para a abertura, nessa quinta (10/09), com sua “Natural Forms”.
São oito esculturas inéditas, todas criadas para a galeria, além de uma pintura nunca mostrada no país. Mármore travertino, concreto, metal, vidro, madeira, bronze e pedras encontradas na paisagem são apoiados, aproximados e equilibrados com o mínimo de interferência, dando aquela impressão se está tudo perfeitamente calculado ou prestes a despencar.
Relaxa. Dávila estuda há mais de 20 anos a relação entre peso, massa, volume, tensão e equilíbrio. “Todos os elementos das esculturas trabalham uns contra os outros: contra a gravidade e contra o peso das pedras”, explicou o artista sobre o processo.
O artista mexicano é formado em arquitetura e sua ligação com o Brasil também passa pelo paisagismo e, sobretudo, pelo neoconcretismo carioca como em Lygia Clark, Lygia Pape, Amílcar de Castro e Franz Weissmann.
“Tento fazer as mesmas perguntas que os artistas que assinaram o Manifesto Neoconcreto: como levar uma intuição orgânica, sutil e suave à forma geométrica com materiais industrializados?”, conta. É sua 2ª individual no Brasil, depois de “Um pirata, um poeta, um peão e um rei”, na Nara Roesler em São Paulo, em 2023. “Expor no Brasil é sempre significativo, pois a arte, a arquitetura e o paisagismo do país me influenciaram muito e estão inerentemente presentes em minha obra”, afirma.
Seus trabalhos estão em coleções como as do Guggenheim, do Centro Georges Pompidou, do Reina Sofía, do MALBA e Inhotim. Como visto, artista de prestígio em pé. A mostra fica em cartaz até 8 de novembro.
