Ativistas de AND finalizam campanha de boicote em Belém com debates e resistência a provocações eleitorais

No final de setembro, ativistas de Belém fundaram o Comitê de Boicote à Farsa Eleitoral. A proposta surgiu a partir de um debate realizado pelo Grupo de Estudos e Debates Pedro Pomar, que originou uma série de atividades voltadas à promoção da Revolução de Nova Democracia, tanto no ambiente universitário quanto fora dele.

Origem do Comitê em Debate

A primeira ação do Comitê ocorreu no dia 26 de setembro, reunindo estudantes, trabalhadores e educadores em um debate intitulado “Boicote à farsa eleitoral! Pela Revolução de Nova Democracia!”. Durante a discussão, foram analisados dois editoriais do periódico AND: “Nada pode ser mais simbólico da putrefação do velho Estado e seu sistema político que o escândalo do STF” e “A ofensiva contrarrevolucionária preventiva e a segurança como pauta central na farsa eleitoral”. Além disso, foi abordado o documento “Eleição Não! Revolução Sim!”, elaborado pela Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP).

Após quatro horas de diálogo intenso, os participantes estabeleceram o Comitê e delinearam um plano para as atividades durante o período eleitoral. Este plano inclui a montagem de banquinhas e conversas com as massas, enfatizando que a rejeição à antiga democracia deve ser acompanhada pela promoção de uma solução revolucionária para o Brasil.

Atividades na Universidade

No dia 1º de outubro, o Comitê organizou sua primeira banquinha, onde foram vendidos materiais e realizadas discussões sobre a conjuntura política nacional e internacional. Os ativistas relataram que o posicionamento favorável ao boicote gerou questionamentos entre os estudantes, que foram debatidos durante a atividade.

Após o primeiro turno das eleições, houve uma leitura coletiva do editorial “Eleições sob interferência ianque são a falência da velha democracia”, onde se discutiu o resultado das eleições, os riscos apresentados pela extrema direita e as intervenções imperialistas denunciadas pelo jornal.

Em 20 de outubro, uma nova banquinha foi realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA), acompanhada por uma brigada com edições impressas do AND. Durante as interações, os ativistas criticaram a farsa eleitoral vigente e defenderam a organização autônoma das massas como forma de combater tanto a extrema direita quanto a ingerência estrangeira.

Conflitos Durante as Atividades

Durante essa atividade, provocadores tiraram fotos da banquinha e dos seus membros. Os ativistas repudiaram essa atitude hostil. Posteriormente, alunos informaram ao Comitê que as provocações continuaram nas redes sociais, atacando tanto o trabalho do comitê quanto a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), devido ao uso por um dos integrantes da banquinha de um boné da Liga.

Um dos provocadores postou um vídeo com Flávio Bolsonaro acusando a LCP de terrorismo e expressou desejo para que a Liga “levasse uma coça”. Um internauta questionou: “Qual é a diferença disso para o bolsonarismo?”.

Este incidente ilustra uma divergência nas estratégias diante da ofensiva reacionária. Em Salvador, por exemplo, militantes oportunistas chegaram ao ponto de apagar pichações feitas por manifestantes na prefeitura após protestos contra a retenção de ônibus no segundo turno — considerado nas ruas como parte das manobras em apoio ao golpismo bolsonarista.

O mais recente editorial do AND analisa que a liderança social-democrata e oportunista hesita em adotar uma postura combativa contra a extrema direita por não confiar na força popular. Essa direção prefere evitar conflitos nas lutas sociais, acreditando que aumentar as tensões agrava as condições sociais; no entanto, essa conciliação pode abrir espaço para reações adversas.

Os ativistas em Belém afirmam que continuarão mobilizados contra a extrema direita, as intervenções estrangeiras e em defesa dos direitos após o término das eleições.

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