Tragédia em Belém do Pará: trabalhador é morto pela Polícia Militar durante protesto por justiça

No dia 15 de outubro, Carlos Fabrício Pereira Costa faleceu após ser abordado por policiais militares do 37º Batalhão na passagem Samaumeira, localizada no bairro Terra Firme, em Belém. Familiares e moradores da área afirmam que os agentes o agrediram durante a abordagem. Na noite seguinte, a população local bloqueou a Avenida Perimetral em protesto, pedindo justiça e responsabilização pelos envolvidos.

Do incidente à morte em casa

A abordagem ocorreu por volta das 12h30. Testemunhas relatam que os policiais tentaram acessar o celular de Fabrício e, ao ele se recusar, iniciaram uma agressão física, imobilizando-o e desferindo golpes na cabeça. A família também alega que houve tentativa de asfixia. Imagens capturadas por moradores mostram parte da ação policial, com pelo menos cinco agentes colocando o trabalhador no porta-malas de uma viatura. Após a situação gerar indignação entre os presentes, reforços da polícia foram enviados ao local, com relatos de pelo menos sete viaturas na cena.

Fabrício foi encaminhado a uma Unidade de Pronto Atendimento. Segundo informações familiares, ao retornar para casa, ele continuou a sentir dores intensas, vomitou sangue e faleceu nos braços da esposa. Uma vizinha descreveu Fabrício como um trabalhador honesto e pai de família sem antecedentes criminais, considerando o ocorrido uma verdadeira covardia. A família iniciou uma campanha de arrecadação para ajudar com os custos do velório e sepultamento.

População bloqueia a Perimetral e enfrenta repressão

<pNa noite de sexta-feira, 16 de outubro, amigos, familiares e moradores bloquearam ambos os sentidos da Avenida Perimetral, nas proximidades da Avenida Liberdade. Usando cartazes e colocando entulhos e objetos em chamas na pista, eles clamavam por justiça para Fabrício e pela responsabilização dos policiais envolvidos. A resposta da Polícia Militar foi disparar balas de borracha para dispersar os manifestantes. Após o desbloqueio da via, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para apagar as chamas.

A reação policial ao protesto evidenciou ainda mais a violência vivenciada pela comunidade: após perderem um conterrâneo, os moradores enfrentaram disparos enquanto ocupavam as ruas para exigir respostas.

Histórico e estatísticas sobre a violência policial no Pará

A morte de Fabrício não é um caso isolado na Terra Firme. Em maio de 2025, Deryckson Ferreira Barbosa Paes perdeu a vida durante uma operação do mesmo 37º Batalhão na região. Em 2021, no Tapanã, outro trabalhador chamado Antônio Evanildo Queiroz também morreu após ser agredido por policiais militares, conforme relato familiar. Um laudo daquele caso indicou sinais de asfixia mecânica e provocou protestos durante o sepultamento do pedreiro.

Números revelam a gravidade da situação. O relatório Pele Alvo, elaborado pela Rede de Observatórios da Segurança, registrou 632 mortes relacionadas a intervenções policiais no Pará em 2025 — o maior número desde que os dados começaram a ser coletados em 2019. Desses registros, 89,7% foram atribuídos à Polícia Militar. Entre as vítimas cuja etnia foi informada, impressionantes 93,3% eram negras.

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